Sábado, 12 de Dezembro de 2009

DIREITO À CRÍTICA

Não me lembro de, com esta clareza, ter tomado consciência de que o «direito à crítica» tanto significa «direito a criticar» como «direito a ser criticado». Tem a sua piada! Porque... Ora! Tem piada porquê? É fácil de adivinhar, depois destas semanas a beber de mais com a saga da edição do Papel a Mais.
Sempre, desde muito novo, fiz crítica (criticazinha, bem entendido, como praticante de escrita em jornais e revistas, como livreiro e como amigo de autores que me pediram opinião sobre originais). E também fui criticado, mas pouca atenção dei a isso como facilmente se explica. Mal começara, interrompi uma optativa carreira de escrita. E não é agora que a considero ou quero retomada. Não é isso! Sim, também diz respeito a este caso da publicação de Papel a Mais, mas a reflexão faz sentido em si mesma.
Críticas competentes e incompetentes, não são a mesma coisa. Favoráveis ou desfavoráveis, também não. Mas o pior que pode acontecer a quem publica, se foi capaz de auto-crítica, é não ser criticado. Parece-me. A indiferença ou o silêncio, por falta de atenção e sobretudo por positiva intenção, atacam de não-sentido a publicação muito mais do que qualquer crítica arrazadora. Parece-me.
Continuo? Alguém poderá continuar, que, por hoje, o Livreiro Velho não deve roubar mais tempo à livraria.
L. V.

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