-E os netos! -Não comeces!!! Circunscreve-te ao livreiro.
Sábado, 29 de Agosto de 2009
A-GOSTAR
-E os netos! -Não comeces!!! Circunscreve-te ao livreiro.
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
PALAVRAS LIVRES (1)
Por entre o tanto e muito que se diz, quem me ajuda a encontrar "palavras livres"?
"-Não há vantagem em falar dos controles. De quem foi a ideia?"
"-Minha, X-47-CS-5000 AG. A vantagem de falar dos controles está em habituar as pessoas à ideia de que eles existem e são omnipotentes, omniscientes."
"-Realmente ele é capaz de ter razão. (...) Este computador é inteligente."
(...)
"-Tudo se passou com a maior precisão. (...) Os deuses acabaram, os demónios acabaram, os anjos acabaram... Eu sou o senhor do mundo!"
"-Desliguem-no! Desliguem-no! Está doido!"
(...)
"-Sabes? Estamos livres, livres, livres..."
"-E de que vamos viver?"
"-Agora, não temos ninguém nem nada no mundo senão tu ... Epimeteu... Que vamos fazer?"
(Jorge de Sena, Mater Imperialis (Teatro): Epimeteu, ou o Homem que Pensava Depois)
Não creio que mais longa citação de algum modo servisse para satisfazer a curiosidade de quem, como eu até hoje, não leu esta peça de Jorge de Sena. Encontrei-a porque a procurei? Não! Por acaso? Também não! Foi no meu trabalho comum. Uma pessoa, leitor exigente, à procura de Fernando Pessoa & C.ª. E Mater Imperialis ficou-me nas mãos. Hesitei entre chamar ao caso um "petisco" ou "palavras livres". Não sei. Gostava de saber da opinião de quem tenha lido o Epimeteu. Versus Prometeu, fica já dito, para aguçar a curiosidade a quem, com eu até hoje, não tiver ainda lido este texto de se lhe tirar o chapéu, como a tantos outros de Jorge de Sena.
E até parece de propósito, acontecer-me isto hoje! Epimeteu a dizer-me: Estou só e não estou... Eu sou quem sou... Logo agora que Portugal, donde Jorge de Sena se ausentou para poder ser quem foi, o acolhe em restos mortais que homenageia. Desliguem-me o computador! Não creiam nem na omnipotência, nem na omnisciência dos controles. Nem se controlem: "palavras livres"!
L.V.
Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
PETISCOS (1)
Domingo, 23 de Agosto de 2009
CHAPÉU PÕE-SE BARRETE ENFIA-SE
Sábado, 22 de Agosto de 2009
ENKI BILAL – UM GÉNIO DA BANDA DESENHADA

Resolvi contribuir para o Chapéu e Bengala com um feed sobre banda desenhada. Há que ser diferente. Até porque não estou a ver o Livreiro Velho, vulgo Manuel Medeiros, a escrever sobre BD. E vai daí... Fica aqui o desafio. De qualquer forma, não sou intelectual. Nem sequer pseudo-intelectual. Já o artista que está no tema, esse considero-o como tal.
Portanto, o tema deste feed é o Bilal – o “o” é premeditado, porque aqui quer-se um tom mais informal e próximo, típico da BD, apesar desta ser uma arte. Isto porque descobri recentemente a tetralogia Hatzfeld que já anda aí desde 1998, sendo que o último título saiu na sua edição original em 2007.
Bilal é um autor de BD nascido em Belgrado, ex-Jugoslávia, hoje Sérvia, em 1951. Cada vinheta sua é uma obra de arte. Algumas são absolutamente extraordinárias. Às vezes até defino imagens dele como fundo do ambiente de trabalho no computador.
Nem todos os álbuns publicados pelo autor saíram em Portugal, mas os mais importantes, esses sim. E a maior parte estão aqui em casa, numa prateleira da estante ou ali na mesa-de-cabeceira. Suponho que a mais importante obra do autor será a trilogia Nikopol que deu origem ao filme Immortel – que, por acaso, ainda não vi, pois só o descobri há dias. Gostei muito dessa história, mas sublime mesmo é A Caçada. As Falanges da Ordem Negra também não lhe ficam atrás. O primeiro é a história de uma conspiração e o segundo um conto de gente resistente.
A imagem deste feed está na capa do álbum 32 de Dezembro, terceira parte da tetralogia de que falei.
Tudo isto está obviamente online. Fica aqui o site oficial:
Abraço e boas leituras!
Damião Medeiros
Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
AS ARRELIAS DO LIVREIRO VELHO (1)
São muitas! Mesmo virando costas às mais risíveis e sombreando as menos discutíveis, ao Livreiro Velho restam muitas arrelias para lançar ao barulho no ecrã dos simpáticos blogers que lhe acolherem o "Chapéu e Bengala" no vestíbulo das suas consultas, ou seja, nos seus Favoritos. E é sem sair do Mundo dos Livros, evidentemente...
Esta é já uma: os prazos de validade dos livros. Não é? A ficha técnica agora já inclui obrigatoriamente a data de edição. Uma das mais respeitadas bases de trabalho da Lei do Preço Fixo dos Livros, esse produto acabado da da arte maravilhosa de fazer leis para não resolver os problemas reais. E o prazo de validade? Porque é que nos livros não vem indicado? Como nos medicamentos ou nos iogurtes? Exactamente! Quem me vai dizer que estou a delirar? Como se o livreiro não soubesse ao que se chega!!!
Livros, livros e mais livros! Só que os leitores que sabem o que querem (são muitos e os melhores e talvez os mais respeitáveis, sendo que, evidentemente, todos o são), quando procuram um livro, ou não chegam a encontrá-lo ou penam para o encontrar em algum livreiro que, por não o ter devolvido, arrisca queimar-se junto da editora ou distribuidora . E porquê? É simples: por causa do prazo de validade! Foi retirado da circulação! Os leitores têm que se habituar. Têm de comprar os livros quando os editores querem que eles se vendam. Não quando lhes apetece ou precisam. Arriscam-se a que caiam no fora de prazo. Alguns ainda pode ser que venham a aparecer na confusão dos saldos, saldos declarados ou disfarçados de feiras. Mas cada vez o inevitável fim, para muitos livros, é a condenação inapelável à guilhotina. Tanto faz que sejam obras primas ou apenas papel sujo de tinta. Todos foram feitos para vender e não para ler. Portanto os leitores têm de respeitar os prazos de validade. Mas como é que podem? Não vêm indicados!...
É uma arrelia! Cada vez mais constante! E ninguém pergunta porquê nem ninguém se propõe explicar. Estranho! Arreliante!
Por agora, basta. De arrelias e de
LIVREIRO VELHO
Domingo, 2 de Agosto de 2009
SOB A PROTECÇÃO DA SERRA DA ARRÁBIDA
Olhar dos altos da Serra da Arrábida para os lados da terra ou do mar convoca o silêncio necessário às palavras para que tenham sentido em si mesmas, livres de quem as diga, na medida em que brotam do sentir e do pensar espontaneamente, sem controle de intenções, e livres de quem as ouça, pois que a ninguém são dirigidas.
Palavras livres! Como as coisas que são o que são.
Sob a protecção da Serra da Arrábida o Livreiro Velho experimenta uma navegação certamente menos arriscada do que a de tantas embarcações que Ela, a Serra Deusa, viu sair do Sado para os mares desconhecidos e sem fim.
