domingo, 22 de novembro de 2009

O LIVREIRO VELHO ENTRE COISAS & LOISAS

Está bonito! E agora, como é?
Dizem uns que andas muito calado, outros que nunca te calas. Uns, «trabalhas de mais» e outros, «já não consegues fazer nada».
E tu, que dizes?
Se calhar tens mesmo que dizer alguma coisa.
Talvez não a quem te censura, pois está no seu mundo e nem tentas impedi-lo de desimpedir o seu caminho, que o que tens é de seguir no teu.
E muito menos a quem da tua existência, como é natural, só sabe que o planeta é habitado por um número cada vez mais infinito de desconhecidos, que para si é como se não existissem.
Mas, francamente, pelo carinho e respeito que, apesar de já te sentires fora de prazo, muitas pessoas te dedicam, ainda vale a pena puxares por ti, tirando-lhes o chapéu, como merecem, resguardando-te com o cachecol (Cuidado! Que, se constipas,lá se vai o resto...) e socorrendo-te da bengala, na incerteza do teu passo a passo.

Livreiro Velho, einh! Não vais dizer que te é indeferente a publicação do teu Papel a Mais, pois não?
Tens todos os motivos para te congratulares com todos aqueles para quem essa publicação ou é o resultado de um empenho esforçado ou/e uma alegria bem manifesta.
Também acho bem que não te dê para entrares em órbita, como se isto viesse de algum modo abalar a consciência que tens da tua pequenez e insignificância perante a complexidade e magnitude dos problemas da leitura, do livro e das livrarias, no ponto em que estão no país, e para cuja discussão muito desejarias que o que experimentaste, pensaste e escreveste chegasse a constituir um contributo, por mínimo que fosse.
Mas isso já não está nas tuas mãos.
Ainda por cima, sabes muito bem que tudo o que querias dizer embrulhaste conscientemente numa rede de meias conversas, num disfarce de caso pessoal e num entrar pelo lado de poeta prometido ao teu futuro já ultrapassado, que só mesmo quem estiver disposto a isso é que se poderá dar à paciência de ir além do que aí lê, de modo a encontrar não as tuas, mas as suas ideias, sentimentos, experiências, empenhos.
Tens de o confessar... E só te custa que pelo menos metade das trezentas e tal páginas não tenham sido para textos de muitos mais dos teus amigos. Dá-te uma enorme alegria que, a meio do livro, quem o abrir encontre a «Escrita Amiga»! Por ti? Quem quiser que o pense, não te incomodes. Pelo significado, isso sim. Está conforme com o que quiseste significar. Repete, para cada um dos escritores que te ofereceram inéditos, a epígrafe de abertura a essa parte: «Gratidão».
L. V.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

PAPEL A MAIS – O blogue

Há já algum tempo que o livreiro velho não se passeia por Chapéu e Bengala.

Primeiro foi a azáfama dos livros escolares, as filas à porta, as correrias para as editoras.

Agora é a preparar a época de Natal, a fazer encomendas de livros e a pensar em estratégias de promoção de leitura e vendas que passa os dias.

Entretanto, no meio de tanto e tão absorvente trabalho eis que surge mais um motivo de distracção do livreiro velho em relação ao seu blogue: foi posto à venda por estes dias, o seu livro, Papel a Mais, um livro de poesia que é também um livro de reflexão e pensamento, onde dá a ler muito do que tem sido o seu percurso de livreiro.

capa

Quem quiser saber mais coisas sobre Papel a Mais deve ir a http://papelamais.blogspot.com/

E podem ter a certeza de que, um dia destes, quando menos estivermos à espera, o livreiro velho vai voltar a Chapéu e Bengala, no meio de uma das suas “arrelias” ou simplesmente para um grande desabafo.

F.R.M.