Domingo, 20 de Junho de 2010

A GRANDE MORTE ATRIBUÍDA A JOSÉ SARAMAGO

Curvo-me, com todo o meu respeito e uma admiração perplexa muito forte e sincera, perante o trajecto pessoal e social de José Saramago, neste dia em que, após a solene homenagem universal, o corpo com que nos falou foi levado para ser reduzido a pó.
Agora já não considero que ter-lhe sido atribuído o Prémio Nobel da Literatura seja o ponto mais alto da consagração do seu nome pela sociedade. Foi-lhe atribuída  a consagração de Morte Grande.

A consagração por Morte Grande é admirável. Sempre que é atribuída faz sentir que algo de maior, no dia a dia dos vivos, espreita uma oportunidade para se revelar sobre o que cada um deseja de todos para si mesmo e de si mesmo para todos.
Não se chega, creio eu, a perceber bem o que é.
Não parece que a atribuição de uma Morte Grande signifique ou, pelo menos, signifique apenas o respeito pela imortalidade de «aqueles que  por obras valorosas se vão da lei da morte libertando». Uma imortalidade que é tão inútil para quem morreu não parece esgotar todo o sentido da atribuição de uma Morte Grande.

Não será na aspiração de todos a verem respeitada a dignidade universal da Vida Humana que se deve procurar esse sentido mais profundo? Assim sendo, há que crer na Humanidade, contra todos os pessimistas da perdição, do descalabro e da autodestruição. Porque permanece de pé uma certeza: a luta continua, após a morte seja de quem for. A luta por nos entendermos e conduzirmos pelo melhor e maior do que somos: a inteligência livre e a existência solidária.

A Grande Morte que Portugal e o Mundo atribuíram a José Saramago merece um imenso respeito. É verdade que o Prémio Nobel contribuiu muito, mas não é uma explicação suficiente. 

L. V.

2 comentários:

  1. Que lindo texto, amigo, comoveu-me porque diz muito do que gostaria de saber dizer. Obrigada!
    Maria Fernanda Pinto

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  2. A transferência do atleta João Moutinho do SCP para o FCP prova aos adeptos leoninos que o inimigo não mora no outro lado da 2ª Circular. Este é mais astuto, velhaco, como prova a aproximação ao jogador feita em 2008 na cidade do Porto. Facilmente se conclui que a "maçã" não apodreceu sozinha, foi contaminada por um microrganismo, acabando por ter este desfecho, na linha dos outros negócios ruinosos com o "clube amigo". Estranha-se é o facto das constantes propostas feitas pelos ingleses do Everton terem sido rejeitadas, denotando a incompetência directiva que grassa para as bandas de Alvalade. Por tudo isto, pela condição de submissão a um rival directo, temo que o treinador, director desportivo e presidente, não aguentem nos seus cargos até ao Natal graças ao aroma frutado em que vive o futebol português.

    http://dylans.blogs.sapo.pt/

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