Catarina.
3.º ano de escolaridade.
A Catarina veio com a mãe à livraria e foi para o livreiro velho o bocadinho melhor do dia.
Primeiro foi um caderno de apoio escolar, para aperfeiçoamento e não tanto para não esquecer a matéria. A mãe, aí, já sabia o que queria, foi só ir à prateleira.
Depois, num já agora, escolher, com apelo à colaboração do velho, um livro para a Catarina ler, a seu gosto, leitura de férias.
No diálogo, logo à primeira hipótese: «esse já li e gostei muito». Tudo muito à vontade, distraída e atentamente, como quem está a passear no seu ambiente. E que bem que soube decidir-se, primeiro por um só, mais a seu gosto, e, depois, por um dos dois que, dando-lhe a oportunidade de levar mais um, a mãe lhe propôs!
Não penso que seja de propósito. Talvez simplesmente por nunca terem pensado nisso.
Quantos pais, se quisessem, poderiam viver com os filhos um momento belo e de enriquecimento mútuo como aquele que hoje vi viverem a Catarina e sua mãe?
Vale a pena existirem livrarias, as livrarias que se receia que não tenham futuro?
Se não fosse por ter o seu futuro já todo investido só no passado e num resto de presente, daqui a uns aninhos, quando crescida, era à Catarina que o livreiro velho gostaria de pedir opinião.
L. V.
Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
LIVROS & FÉRIAS: O MELHOR DO DIA
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