29 de Agosto.
Releio esta última carta de Antero de Quental dirigida a Oliveira Martins, datada de 29 de Agosto de 1891. Lancinante. Uma leitura que mais impressão faz a cada vez que se repete.
«Procurava o definitivo e afinal ainda agravei o instável e provisório que tanto me assusta. Paciência. Fui talvez imprudente, contei demais com as minhas forças, seduziu-me a ideia de, depois de tantos anos de excentricidade, acabar como toda a gente».
«Conto partir daqui no Açor, a 18 de Setembro». Dar esta notícia do regresso ao Continente, três meses depois da tentativa de se fixar em Ponta Delgada, era a razão da carta. E Oliveira Martins lá estava no cais à sua espera.
No dia 11 Antero sentara-se no banco da Esperança e disparara dois tiros na boca… «Depois de (…) o grande desejo que tinha de não desistir de uma resolução e programa final de vida único satisfatório (…)».
Que português, no seu tempo, foi mais respeitado do que Antero de Quental? «Um Génio que era um Santo».
Algo mais a acrescentar, neste 29 de Agosto? Dava para isso, dava! Mas fico só com o final de Eça de Queiroz no seu texto do In
Memoriam:
«Por mim penso, e com gratidão, que, em Antero de Quental, me foi dado conhecer, neste mundo de pecado e de escuridade, alguém, filho querido de Deus, que muito padeceu porque muito pensou, que muito amou porque muito compreendeu, e que, simples entre os simples, pondo a sua vasta alma em curtos versos – era um Génio e era um Santo».
Não transcrevo mais nada nem derivo para outros 29 de Agosto, mas prometo que ainda vou reler, de Antero, o fragmento «A Metafísica da Morte» do ensaio Ensaio sobre as Bases Filosóficas da Moral ou Filosofia da Liberdade e acabarei com as últimas páginas de Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX. Alguém me quer acompanhar?
L. V.
Domingo, 29 de Agosto de 2010
«ACABAR COMO TODA A GENTE»
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