sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

QUE CHEIRO É ESTE NOS LIVROS?

Se as gentes do dinheiro se viraram para os livros, contra quase tudo o que era histórico e profetizado, só pode: cheirou-lhes!
Milagre!
Em Portugal, os livros a cheirar tão bem ao dinheiro !
Isto tem que se lhe diga.
Um susto?
Um perigo?
Uma aurora de melhores dias para os nossos níveis de leitura?

Entretanto, as gentes do livro também andam em movimento,
em ondas e ondinhas, conforme ventanias e brisas, mais os cheiros que estas transportam.

E o PNL?
Pois! Já no seu quarto ano do quinquénio programado como primeira grande etapa. As velas, enfunadas na saída da barra, ainda estão com a velocidade apropriada para uma chegada a ricas índias?

E as LI?
Que horizontes? Que destino? Que hipóteses?

Esta semana um bom amigo comum trouxe aqui a Setúbal, para jantarmos e conversarmos,  o livreiro que, com toda a razão, se orgulha de gerir a livraria mais bela do mundo.
Gratíssimo aos dois!

Antero Braga, com quarenta e dois anos de profissão, é um «jovem livreiro»que, apesar de  mais novo, vê, do artístico miradoiro do mundo dos livros que é a Livraria Lello, muito mais longe do que o livreiro velho.
Proveito evidente. E tudo confirmado. As coisas estão mesmo a dar pano para mangas. Novas conversas ficaram desejadas.

O livreiro velho sempre achou que os livreiros tinham uma palavra a dizer. Cada um sozinho? Calado, ouve-se o mesmo!
Ainda se vai a tempo de as LI dizerem à sociedade o que podem, devem e precisam dizer sobre  livros e  leitura  e sobre como vamos de perspectivas?
E a sociedade, apercebe-se do cheiro dos livros e dará ouvidos inteligentes a quem lhe perguntar pelo futuro da sua leitura, não apenas em quantidade, mas também em qualidade, em qualidade sobretudo?
L.V.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

DÚVIDAS

Li agora no blogue da Pó dos Livros. Cada vez melhor! Acaba assim: «É (…) a dúvida existencial sobre quem irá comprar o grupo Bertrand».
«Rir é o melhor remédio». Durante muitos anos quem distribuiu as Selecções foi precisamente a Bertrand. Viva o humor!
Mas a verdade é que quem ainda não tem dúvidas, muitas dúvidas, sobre o que se anda neste momento a passar no nosso mundo dos livros e da leitura, anda a leste de si próprio e de muito do futuro colectivo.
Sem que deixe de ser muito importante, o caso Bertrand até acaba por ser apenas um pormenor, muito bom, embora,  para o consumismo de notícias.
O livreiro velho anda a ver se percebe. Já voltou ao início da imprensa, passou pelo desenvolvimento da produção de livros e do comércio livreiro nos séculos XVIII e XIX, deteve-se no século XX e tudo para ver se percebe em que ponto estamos.
Até que ponto estamos num ciclo do Eterno Retorno? Com todas as nuances de um mundo completamente diferente, bem entendido.
L. V.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

SURPRESAS BOAS

Que curioso conceito este, o da surpresa!
E as surpresas do real no dia a dia? A Vida está sempre a surpreender-nos!
Depois chega o momento de dividi-las: boas e más, agradáveis e desagradáveis, animadoras, desanimadoras, perturbadoras.
Com vinte dias já desaparecidos deste ano dez, que boas surpresas já chegaram ao mundo dos livros?
Está envolto numa interrogação muito grande, este nosso instável mundo. Eu acho. E cada interveniente com quem vou falando não vem com boas surpresas, alguns têm vindo é com umas quantas bem pouco animadoras.
Quem, por aí, tem surpresas boas para animar o ano livreiro português?
L. V.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

DA INUTILIDADE DE MAIS LIVROS

«Para quê mais livros?»
Preferia que a pergunta não tivesse sido feita. Nem sequer se pôs a questão da sua impertinência. A hesitação foi entre se valia a pena responder-lhe ou descaradamente ignorá-la.
Parece evidente que há qualquer coisa de doentio na produção de livros como ela anda por aí a acontecer. Mas partir daí para distribuir barbilhos que entaramelem quem escreve ou receitar banhos de bom senso a quem publica? Até faz pena ouvir alguém respeitável a propô-lo. Que coisa! Como se o problema sério que temos neste momento não fosse o desassossego em que entre nós está o mundo do livro e da leitura. Como nunca esteve!
Alguém sabe aonde isto vai dar? Dizem-se umas coisas, mas...
Bom! Vamos a ver!
Por agora, talvez, pouco mais se possa acrescentar. A não ser que está a fazer falta alguém com autoridade intelectual e moral a, pelo menos, equacionar, ao devido nível, a actual situação. Que esta já está a ter consequências, algumas boas e muitas péssimas, está à vista de quem quiser ter os olhos abertos. De que vai ter consequências futuras, alguém pode duvidar? O que não se sabe é quais.
Deixemos acontecer. Temos muita prática nisso da acomodação às nossas fatalidades.
L. V.

sábado, 2 de janeiro de 2010

GRANDE, O PEIXE! PEQUENINO, O VITÓRIO!

Tantos desejos para este Ano Novo!
Tantos embróglios para desfazer!
Tantos projectos a embalar!
Tantos limites a considerar!
Mais uma vez, assim mesmo, ao nascer 2010, o Livreiro Velho voltou a ouvir do longe da sua infância a avó Adelina a entoar:
«O peixe é tão grande,
Vitório é tão pequenino»!
Reproduzir aqui só a letra, ficando a toada a ecoar no íntimo da lembrança.
«Era uma vez um rapazinho que se chamava Vitório e era muito pobre. Não tinha que comer e foi à pesca, a ver se trazia peixe para matar a fome. Veio um peixe, mas era tão grande que não tinha força para o puxar. Enquanto o procurava segurar para não o perder e à sua cana de pesca, ia cantando:
«O peixe é tão grande,
Vitório é tão pequenino»!
O Livreiro Velho não tem a certeza, mas quer crer que a história acabava bem: «Até que passou alguém que ouviu, ajudou a puxar o peixe e o Vitório voltou para casa com alguma coisa que comer».
É bom supor que era este o fim da história que o neto sortudo pedia de vez em quando à avó Adelina que lhe contasse. O que bem seguro ficou, foi o canto e a imagem que então criou do Vitório, em um sempre mais vasto horizonte de sentidos.
O Livreiro Velho aproveita o silêncio desta pausa de trabalho com que começa 2010 e entoa com a avó Adelina e com quem porventura aqui passar:
O peixe é tão grande,
Vitório é tão pequenino!
Depende de passar alguém e de querer empenhar-se. Aí pode ser que a partilha do esforço dê em partilha de sustento para muitos desejos e projectos.
E um voto rimado e simples, para 2010, deixe o Livreiro Velho aos estimados leitores:
Que venha fartura
De boa leitura!
L. V.