terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Terras de Além Tejo – Mora – Torre das Águias

Situa-se nas redondezas do Santuário de Nossa Senhora das Brotas, no concelho de Mora.

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«Arquitectura civil, militar, manuelina. Torre de antigo solar fortificado. Monumento típico do aro extenso eborense, com outras magníficas soluções da Torre do Esporão em Reguengos de Monsaraz, solar da Camoeira, Castelo de Torre de Coelheiros e Quinta da Torre do Carvalhal em Montemor-o-Novo, geralmente associados a importantes itinerários de tráfico viário»,

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«Não se sabe quem foi o arquitecto, que golpe de génio dispôs sobre a cimalha as torres cónicas que nenhuma utilidade prática têm, uma vez que são maciças; também não se sabe se o topónimo tem justificação em antiga frequentação de águias por estes sítios. Esta maravilhosa e tão simples arquitectura não precisa estar em altíssimo pico, dispensa que as nuvens venham roçar por ela, qualquer avezinha lhe chega ao cimo num só bater de asas […] O viajante ainda há poucos dias esteve na serra de Sintra: pobre, insignificante Palácio da Pena, ele tão alto, ao pé destas brutas e desmanteladas pedras.» (J. Saramago, Viagem a Portugal).

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Velho livreiro, sabias que a Torre das Águias é um Monumento Nacional?

Olegário Paz

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

SINAIS

Desde que começaram a aparecer, aceleradamente se têm multiplicado os sinais de «aceleração proibida».
A resposta ao fenómeno foi-se tornando automática: «devagar e sempre». E não é que, passos lentos e curtos, olhos atentos quanto possível à paisagem, lá vai prosseguindo a viagem para o longe de tudo o que ainda nos empenha?
Impressionante, na paisagem, a densidade de sinais que se multiplicam em tentações para que sejam desobedecidos os da aceleração!


Por vezes, dá mesmo vontade de ainda carregar no acelerador…
Algum dos visitantes deste «chapeuebengala» que tenha lido o post «Promoção da Leitura» de 8 deste mês por acaso ouviu o que se disse na TV neste fim-de-semana no «Câmara Clara» e hoje no «Sociedade Civil» sobre as Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian?
Foi por acaso, mas ouvi.


-Posso acelerar?
-Cuidado! Cuidado!
-Estou a ver o sinal de «aceleração proibida». É isso?
-Não penses que ainda estás no teu tempo de ultrapassagens!
-Uma palavrinha, ao menos…


Se tanta  e tão boa gente sabe tanto e tanto se vai fazendo, será que  não se consegue andar mais depressa por excesso de sinais de «aceleração proibida»?
Suspeito que é por faltar no acelerador uma das ideias-chave que terá de ser posta em prática para que seja possível um mais eficaz  incremento  da literacia.


É que são já vinte e quatro anos investidos em oferecer abundância de livros  à população portuguesa…
Dá que pensar.
Se tudo estivesse certo, onde já iríamos?!
A pergunta-exclamação não impede que se vejam os muito bons sinais.
«Aceleração obrigatória»!
L.V.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

E QUEM NÃO DIZ?

Hoje, então, foi de mais e sempre a seguir!…
Isto é muita gente a dizer que  no mundo dos livros as coisas estão feias.
E quem ainda não disse nada?
Não vê, não sabe nem quer saber, não tem nada a dizer ou prefere deixar andar?
Talvez haja outras razões. Ele há tanta coisa a vir ao de cima! Até podem ser pressões ou mesmo ex-pressões comunicacionais…


Entretanto, vou sempre firmando a atenção no pano de fundo
em que, por princípio, tudo o que se passa no mundo dos livros
deve ser perspectivado: a leitura.
Quem percebe o que se está a passar?
Gostava de saber.


Talvez, quando os palhaços esgotarem o seu reportório, se possa dar atenção também a estes assuntos.
Por agora, admiremos a grande proclamação generalizada do momento: «a liberdade de expressão é sagrada!».  
Só imaginar que alguém pretende calar tanta asneira que se ouve ou calar quem chama asnos a quem as diz, deve dar calafrios
a quem se lembra do lápis vermelho da Censura Prévia ou da Pide a entrar pelas editoras e livrarias na «higiénica» tarefa de apreender livros. 
Mesmo que pelo meio haja no caso muito de ridículo, que calafrio!


Ah! nosso grande George Orwel, traz o teu 1984 e anda cá ver o espectáculo!
Vês como levamos a sério a ameaça do Big Brother? 
Será que é assim que travamos o avanço das suas algemas invisíveis mas asfixiantes?
Quem sabe? Quem diz?
L.V.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

PROMOÇÃO DA LEITURA: O CASO DE MAIOR SUCESSO

Quantos escritores e quantas outras pessoas, com voz audível ou não,  me referiram a importância, na sua «história da leitura», das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian?
A acção das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Gulbenkian,
considero-a o caso de maior sucesso, até hoje, de promoção da leitura no nosso país.
Para além dos muitos testemunhos escritos ou orais que recordo, trago para aqui a lembrança de um opúsculo que apaixonadamente nos deixou David Mourão-Ferreira.
Espero que alguém se lembre de como David viveu e geriu os seus anos Gulbenkian e do prazer que a produção e publicação desse opúsculo lhe deu (Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura, Fundação Calouste Gulbenkian, 1994).
Sublinhei: Até hoje!
Sublinhei porquê?
Porque tenho o direito de esperar que o Plano Nacional de Leitura suplante a riquíssima experiência Gulbenkian.
Para já, procurando aproveitar o que ela tem para ensinar e portanto estudando-a de modo a descobrir as leis do sucesso.
Até hoje!
Porque embora assinado em Angra do Heroísmo na passada sexta-feira o protocolo que lançou nos Açores o Plano Nacional de Leitura como Plano Regional de Leitura, só hoje cheguei à notícia. Como açoriano, por nascença e por paixão, e vivendo a paixão pelo desenvolvimento da leitura desde lá das ilhas e desde muito novo, esta notícia é para mim uma grande notícia.
Até hoje!
Porque até hoje o sucesso do Plano Nacional de Leitura, agora no seu quarto ano de acção, apesar do muito e muito bom que tem feito, ainda não se sente que possa comparar-se com o das Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian.
Posso perguntar porquê?
Não é que me dispense de procurar eu próprio algumas hipóteses de resposta.
Nos Açores, pelas notícias, também o grande entusiasmo parece ser com as bibliotecas e  as listas de livros e autores. Há aqui um problema que vem detrás e deu em mentalidade.
Partir da leitura para a biblioteca e não ao contrário. Então, sim, as bibliotecas farão sentido. Claro! Tudo ao mesmo tempo é óptimo.
-Então qual é o problema?
Digam-me que não estou a dizer nada. Digam-me, que eu sei que é verdade!
Aqui não! Aqui não é um sítio apropriado para discutir coisas que muito me interessa ver discutidas.
L.V.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

PODE SER QUE SEJA E SE ASSIM FOR SERÁ…

Dizer eu aqui uma palavra sobre a recepção de Papel a Mais será que é um dever de respeito por muitas pessoas amigas e mais algumas?
Um dever de respeito.
Pode ser que seja e se assim for será que também se lhe pode aplicar a do Pessoa com aquela do prazer de não cumprir um dever?
Pelo dever, estou com Pessoa. E pelo respeito? Nem pensar! O que não significa que os meus cuidados e descuidos não estejam dando motivo de o pensarem com razão algumas pessoas a quem já devia ter dado uma palavra. Peço-lhes desculpa.
Em especial às pessoas a quem não agradeci pessoalmente a atenção e simpatia, aqui agradeço.
Esperar uma tal recepção?
De modo algum! Por razões que não precisam de inscrição nos capítulos da modéstia e por isso as calo.
Uma palavra de interrogativa atenção  me parece devida a quem nos meios de comunicação fez aparecer Papel a Mais.
Vamos até supor, não me compete esse juízo, que o livro simplesmente merecia ser assim referenciado. Mas quantos o merecem muito mais e o não são?
O Setubalense, Jornal de Setúbal, JL, Público, Portuguese Times e Diário dos Açores.
TVI24 e RTP.
Não sei quantos blogues e sites.
Ler e Meus Livros.
Mesmo que por desconhecimento ou por lamentável esquecimento esteja a não referir algum meio de comunicação,
francamente, já ultrapassa a modéstia do livro e a insignificância do autor. Concordemos.
O respeito impõe: agradeço. A quem assim quis e fez com que Papel a Mais, mais do que em abundância, aparecesse em referências. 
De qualquer modo, permitam-me acrescentar o que era o que eu mais desejava que este livro fosse: pequena acha para uma grande discussão sobre o momento actual do Livro, da Livraria e da Leitura em Portugal. Se eu pudesse, convocava-a. Uma ampla discussão, que não apenas mais um blá-blá, assumida pelo vasto universo das «gentes do livro», convergindo em projectos lúcidos e exequendos, começando essa convergência pelos projectos válidos já em curso.
L.V.