quinta-feira, 29 de abril de 2010

O 23 DE ABRIL CELEBROU-SE NA CULSETE COM UMA TERTÚLIA DE LEITURAS

 

O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor 2010 foi muito especial na Livraria Culsete. Os participantes começaram a chegar às 21 h para a Tertúlia de Leituras e a porta só se fechou depois das 3:40 h, ia já longa a noite. Alguns vinham preparados para escutar e ler, outros apenas para escutar.

O grupo de leitores, num total de dezassete, gente muito cá de casa, manifestou filiações diversas e deu a ouvir diferentes interesses de leitura, tendo em comum o prazer e o culto do livro. Não fizeram concessões nem de gosto nem de conveniências. Boa parte deles eram escritores com obra publicada, alguns já premiados. Houve quem lesse textos de autoria própria, por vezes inéditos.

As leituras foram muito diversificadas, dado que cada «leitor» foi livre de seleccionar o/os autores e os géneros a ler, possibilitando isso uma pluralidade de leituras que certamente não aconteceria se tivessem sido os promotores da Tertúlia a escolhê-los. Foram trinta e dois os escritores lidos, os de Setúbal e os outros, os contemporâneos e os considerados clássicos.

A livraria estava cheia. E nem faltou quem passasse, espreitasse e ficasse. No final, lá estava à nossa espera o habitual Moscatel de Setúbal, permitindo o sempre renovado ritual das conversas informais depois de cada encontro com livros e escritores.

Juntam-se algumas fotos que documentam o momento. Identificamos Arlindo Mota, Margarida Costa, Américo Pereira, Ausenda Paulino Pereira, Fernando Bento Gomes, Margarida Braga Neves, Anita Vilar, Natércia Fraga, Fernando Guerreiro, Maria José Rodrigues, Nuno Ribeiro de Medeiros, Nuno Fonseca, Joaquina Soares, Lurdes Pólvora da Cruz, Luís Filipe Estrela, Fernando Gandra, Fernando Paulino, Maria João Trindade, Isabel Medeiros, Francisco Belard, Edite Carvalho, Gil de Sousa, José Gonçalves, Graça Torres e, claro, Manuel Medeiros, o Livreiro Velho, muito bem acompanhado pela Violeta Ribeiro de Medeiros.

Outros participantes surgem nas fotos, porém quem escreve esta breve nota não sabe os seus nomes, apesar de os conhecer da Culsete, facto de que pede muitas desculpas. Muitos outros amigos estiveram na livraria nessa noite, mas a nossa objectiva ou não os apanhou ou desfocou-lhes a imagem. É o que dá entregar tarefas de responsabilidade a quem nada percebe do assunto...

F.R.M.

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

DESTRUIÇÃO DE LIVROS-FEIRAS DO LIVRO-COMÉRCIO LIVREIRO-LIVRARIAS-TURBULÊNCIA DOS MERCADOS



É o caso do dia, o aperto dos donos da alta finança mundial a Portugal. 
Não sei se é pior ou melhor do que o caso da nuvem. Seja como for, esse já não é assunto.
Um dos nomes deste aperto é «turbulência dos mercados». Também ouvi chamar-lhe «cerco a Lisboa».
Significam, estes nomes, que…
Significam o quê, afinal?
Nós, cidadãos anónimos, que nome daremos ao aperto de que cada vez mais se sente que seremos as vítimas de orelha caída?
Tanta coisa que não se entende!
Turbulências!
São as turbulências!
Isso sente-se! Mas haja quem perceba. 
Quem diz que percebe, mesmo quem diz que percebe, se calhar só está vestindo a camisola dos «medina-carreiras». Não que tenha feito ou esteja fazendo, e que conste, algo de inteligente e positivo,  a não ser anunciar e demonstrar, até com dados de sábias e competentes investigações, que somos uns estúpidos, uns incompetentes, uns… (o pior nem vale já a pena acrescentar).

Tanta coisa que não se entende!
Porque é que os nossos políticos só aprendem a respeitar-se uns aos outros como gente séria e bem educada quando acontece uma desgraça?
Porque é que os editores preferem destruir livros a deixar de asfixiar o comércio livreiro?
Porque é  que a destruição de livros incomoda quem não pergunta se isso não é uma consequência lógica de um sistema de comercialização incapaz de ir ao encontro dos pressupostos e ambições excelentes do Plano Nacional de Leitura?
Porque é que as grandes Feiras do Livro portuguesas merecem aos altos representantes do povo, da cultura e da comunicação de massas um desvanecido respeito, sem que deixem de ser a octogenária demonstração mais evidente da incapacidade dos editores portugueses de protegerem o seu produto tornando rentável a actividade livreira?
Como é que o Livreiro Velho vai ter coragem de vender a 10€ um livro cujo preço de catálogo  é 20€ e que lhe foi fornecido a 17€ pelo editor, para respeitar a concorrência que lhe faz esse editor na Hora H da Feira do Livro? Se inclusivamente a lei lho proíbe, tanto como o respeito por si e pelo seu trabalho?
-Ah! Mas isso é só durante umas semanas!
Mesmo que fosse. Mas não é. O cliente, porque não é tolo, espera mais uma semana ou duas que a Feira chegue. Nas semanas seguintes, já comprou, já gastou, não vai comprar.
Assim, quanto tempo os aviões terão de ficar em terra sujeitos a esta nuvem?

A nuvem por uns dias impediu as companhias de aviação de voar.
Que prejuízos!
Só a TAP, quantos milhões?
Falou-se logo na autorização aos Estados da União Europeia para que pudessem ir em socorro das empresas de aviação vítimas da «turbulência da nuvem», não fossem falir.
Esta da nuvem! E quantos vulcões? Mais nuvens?
São nuvens a mais, por hoje! E turbulências!
Quem as entende?!

Pode ser que as felizes cabeças que tudo entendem agora se entendam. Vencidas as «turbulências dos mercados», também o «cerco a Lisboa» passará à História. Um novo condestável obrigará a que seja levantado. Se calhar já amanhã esse condestável vai aparecer em companhia do rei no Parque Eduardo VII, para a triunfal inauguração duma Feira do Livro que sempre foi um feroz inimigo do comércio livreiro. Como é natural, aliás. Num país com  índices de leitura que são muito mais elevados do que os dos  países menos desenvolvidos do planeta, que falta fez e fará aos editores um comércio livreiro com condições de rentabilidade e que lhes rentabilize o produto? Mais valem uns descontos impossíveis, a destruição ou, para salvar a dignidade dos livros, mesmo dos que não valem nada e ninguém vai ler, umas generosas doações.
L. V.

domingo, 25 de abril de 2010

E AGORA QUE JÁ PASSOU?…

Até para o ano, com quem cá estiver! Amanhã já se pode esquecer Abril por mais um ano, é isso?

«Miguel e Patrícia sentiam que aquele voo de helicóptero tinha sido um voo ao encontro do futuro.
-Ainda nada está perdido, disse o aviador.
(…)
Este foi um grande dia, um belo dia –pensavam as crianças.
E depois o helicóptero desceu, desceu, lentamente, brandamente, e pousou no jardim de Patrícia e Miguel.»
(Sidónio Muralha, Terra e Mar Vistos do Ar)
L. V.

sábado, 24 de abril de 2010

LIVROS E ABRIL

Muitos anos com Livros e Abril juntos e com muito gosto, tinha de dar vício!
Leitura e Liberdade!
Há vícios muito bons! De acordo?
Ontem o serão do Dia Mundial do Livro foi muito bom aqui na livraria. E mesmo que o não quisesse dizer diria: soube-me também e bastante a Abril!
Desta vez consegui ser um participante menos visível e portanto creio que posso dizer como se fosse um de fora: quando as pessoas sabem fazer as coisas e todos com que se conta querem, é com a maior das simplicidades que se fazem coisas de muito nível.
O L. V. viu o que se passou, observou naturalmente o ambiente e ouviu, ontem mesmo e já hoje, comentários de participantes. Só tem uma palavra a dizer: OBRIGADO!
Obrigado a todos! Obrigado Fátima!
Já agora mais uma palavrinha para a organizadora e para os «leitores» que escolheram e leram os textos com que fomos deliciados: PARABÉNS!
Foi festa. Festa do Livro! É assim mesmo! É possível!
L.V.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

FESTA DO LIVRO, SE O POSSÍVEL FOR

É mesmo assim: se o possível for, vai haver ar de festa cá na livraria do Livreiro Velho logo à noite. O serão está preparado, em simplicidade, mas requintadamente. Ninguém se precipite a dizer-me que «simples» e «requintado» são adjectivos que se contradizem. Tudo depende do empenho, do cuidado e, acima de tudo, do sentido com que as coisas se fazem. E neste caso nem estou a falar de mim, pois que pouco me compete, na actividade, para além de gerir a arrumação do espaço da livraria de modo a receber as dezenas de participantes que se esperam.

23 de Abril, Dia Mundial do Livro. Hoje, neste ano de 2010. 
Não ficando aqui no meu canto, onde gostaria de estar hoje?
Em Lubliana!
Quem está informado da escolha da Unesco da cidade que tomou o encargo de hoje ser Capital Mundial do Livro talvez me quisesse acompanhar. Mas não vou. Fico no meu canto. E não vou sequer
preocupar-me em ir atrás de quem confunde a Festa do Livro com mais uma oportunidade de andar aos descontos. Festa é festa!

Faz sentido festejar a maravilhosa existência e persistência do Livro. É devido e é possível.
Se o possível for…
Pois! O futuro, o incerto futuro! Que futuro aí vem?
Já não vou até ele, mas gostava.
Ainda acredito que em Portugal se hão-de chamar os leitores para uma festa e não para uns descontos.
Talvez já tenha estado mais longe de acontecer…
L. V.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

PAÍS DE ABRIL, O MEU PAÍS DE ABRIL!

Se a escolha de um dia para o Dia Mundial do Livro fosse nossa,
acharia mal escolhido o 23 de Abril. Muito perto do nosso 25, o dia da insuperável lembrança para quem, em 1974, o viveu bem dentro do mundo dos livros e da imprensa, carregando as limitações de escrita e de leitura do País do antes e crente na Liberdade que via nascer para o sonho de um país culto e desenvolvido.
Ocupado com o dia a dia e atento à comemoração do Dia Mundial do Livro aqui na livraria, o Livreiro Velho estava distraído e em risco de falhar este ano ao rito a que não falha há mais de duas décadas: ler pelo 25 de Abril Terra e Mar, Vistos do Ar de Sidónio Muralha.
Já cá está sobre a secretária! Devo-o à mãe que esta tarde ajudei a escolher um livro para o filho de oito anos.
Para o filho achou mais adequado levar o Helena e a Cotovia, também de Sidónio Muralha e o Mistérios de Matilde Rosa Araújo. Fiquei todo contente e admirei a sensibilidade  e cuidado da sua escolha. Não sei é se cheguei a transmitir com suficiente clareza o meu agradecimento pelo favor que lhe fiquei a dever. Como me sentiria depois, se me tivesse esquecido de reler«um canto na madrugada» que termina assim:
«- Não se esqueçam. Nunca se esqueçam! A terra também pertence àqueles que ainda estão por nascer»?
L. V.

P. S.
Não tenha eu levantado alguma dúvida!!!  O 23 de Abril, Dia Mundial do Livro, é mesmo para comemorar cá na livraria. E a comemoração do Dia da Liberdade até lhe dá asas! O amigo das crianças em Terra e Mar Vistos do Ar é um aviador que oferece aos seus amiguinhos uma viagem aérea sobre Portugal. O Portugal da esperança generosa de Sidónio Muralha nas novas gerações.
O L. V. está certo de que sexta-feira, pelas 21,30h., aqui na livraria e em seu País de Abril, a comemoração do Dia Mundial do Livro será, na sua simplicidade, um serão muito agradável. A porta vai estar aberta para quem quiser participar.
L. V.

terça-feira, 20 de abril de 2010

NIELS FISHER: 23 e 24 de Abril de 2010

A um jornalista que pretenda aperceber-se da extraordinária aventura cultural que desde 2005 e por todo o nosso país vem vivendo e levando a viver o designer dinamarquês  Niels Fisher de há muito entre nós radicado, pedirei que o acompanhe por algumas horas na sexta-feira próxima em Campo Maior e no sábado em Setúbal. Se precisar de pormenores, ligue para a Biblioteca de Campo Maior e para o Museu do Trabalho de Setúbal. É evidente que também estou disponível, embora dentro dos meus limites.
Juro, por tudo o que de mais sério tenho vivido, que, se for um jornalista com nível para surpreender a riqueza humanística do trabalho, empenhos, métodos e resultados de Niels Fisher, as compensações que o esperam para as horas dedicadas à reportagem que lhe estou propondo serão maiores do que à partida posso fazer com que se ponha a imaginar.
E que não se deixe convencer por mim. Só estou tentando despertar uma curiosidade que seja um ponto de partida.
Tudo a ver com a divulgação da obra e mensagens de Hans Christian Andersen.
L. V.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

150 ANOS: VELHICE OU REGRESSO À MENORIDADE?

A elevação de Setúbal de vila a cidade data de 19 de Abril de 1860. Para hoje, 19 de Abril de 2010, dá um século e meio. Um século em 1960. O livreiro  velho aportou cá foi só em 1970, dez anos após esse centenário e cinco após o segundo centenário do nascimento de Bocage, comemorado em 1965. É pouco, neste contexto: só quarenta anos. De qualquer modo, lá das suas distantes nascentes muito a sul, o Rio Sado trouxe muita água a Setúbal, ao longo destes quarenta anos, para que fosse salgada pelo Oceano Atlântico aqui à sombra da Serra Mãe. Eu vi.

Tenho sobre a mesa os dois jornais setubalenses publicados hoje.
No intervalo do almoço ouvi deliciado o relato das comemorações do centenário de 1960 como as viveu uma pessoa então criança de dez anos. E nenhum comentário, em meu sentir e pensar, sobressai à palavra de João Bénard da Costa no 10 de Junho de 2007, que assim recordo reproduzidas quase exactamente: «Setúbal Cidade Secreta - talvez seja das cidades de Portugal a que tem mais para contar e da qual menos se conta».

Prefiro pensar que  não tanto por decrepitude dos seus cento e cinquenta anos assim é,  mas por uma promissora menoridade, a que ciclicamente Setúbal tem vindo a regressar. Uma nova geração de setubalenses que aí vem surgindo, quero crer que será capaz de uma amadurecida afirmação de identidade e que a seu tempo nos contará de Setúbal o que hoje não há quem conte com voz que se ouça. Nem em Setúbal, quanto mais pelas distâncias de terra e mar que do alto da Serra Mãe se perdem em horizontes…
L. V.

ABRIL DOS LIVROS: NOTÍCIAS?

Tudo por tudo para não transformar o Dia Mundial do Livro em mais um dos tais apanhados pela grande finalidade: vender.
Que se venda e se venda muito! Excelente!
Que se compre muito e bem! Excelente!
Para ler.
«O livro é para ler».
Dia Mundial do Livro, porque ler é sempre uma festa. Se bem percebi, foi assim que ele nasceu.
Está a andar! No dia 23 à noite a festa é ler, cá por casa.
O serão diz-se Tertúlia de Leitura. Leitores excelentes já nos disseram que leituras escolheram para partilharmos, quantos cá nos reunirmos para a festa de ler.
L.V.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

ESTE «VÍCIO» DE LER…

Também há dias em que o Livreiro Velho encontra leitores que o deixam roído de inveja: lêem tanto!
Nesses dias não me parece bem que participe no nosso coro das queixas habituais, mas também não consigo passar sem me  queixar de alguma coisa. Quem é que pode passar um dia que seja sem se queixar? O «vício» de nos queixarmos é tanto mais comum e invencível quanto fácil de sustentar. São tantas as razões de queixa!
Valha-me o «vício» de ler! Assim já tenho uma boa razão de queixa para quando encontre invejáveis leitores e por isso sinta algum acanhamento em participar no coro.
Tanta coisa que eu queria ler e não consigo! Leio pouco!
Bem ruim razão de queixa! É que ainda por cima agudiza a inveja.
L. V.

sábado, 10 de abril de 2010

A ARRÁBIDA «NUMA CONFIDÊNCIA/QUE A NÃO ENTENDE A GENTE»

Onde hoje o L. V. está a ler o poema «CONFIDÊNCIA» de Sebastião da Gama, é num livro que desde Janeiro deste ano de 2010 a sua livraria tem como uma preciosidade local e não só:
Arrábida e a sua Religiosidade Popular, da autoria de Luís Marques, editado pela Assírio & Alvim.
Venho a estudá-lo. Devagarinho. E estou a sentir que hoje é melhor não dizer mais nada. Porque… Como é que é? Mas «isto não fica assim». O trabalho de Luís Marques – Atalaia, Espichel, Arrábida – merece uma cuidadosa atenção de todas as pessoas  que se considerem e realmente sejam cultas e informadas sobre esta nossa Península e Região de Setúbal. O resto é esperar para ver. Porque o Livreiro Velho acredita mesmo que melhor do que  o que acontece, é o que pode vir a acontecer. O «Dia da Arrábida e de Sebastião da Gama» é dessa crença uma afirmação e uma nascente de esperança. 
L. V.

ABRIL DOS LIVROS & MEU PAÍS DE ABRIL: «Outro Tempo», «Outros Destinos»!

Abundante, o acontecer. E quanto solicita uma atenção que ainda deseja multiplicar-se, embora consciente dos cada vez mais intransponíveis limites!
Um paciente sorriso oferecer. Oferecê-lo a um e outro e mais outro interlocutor a quem por mais nada é possível significar o respeito de uma devida atenção.

I
A maior atenção para o 10 de Abril deste ano de 2010 no Município de Setúbal: 
«Dia da Arrábida e de Sebastião da Gama».
Rever programas de actividades e acompanhá-las, mesmo que  no silêncio dos limites, quanto a ausência permite.
Fraternalmente, estar, pelo afecto, com quem também por seus limites se vê privado de uma presença que seria certa, como aconteceu noutros tempos, se idade e saúde permitissem.
Ir mais longe ainda, ao silêncio definitivo, para recordar, em justa homenagem, a companhia de quantos já partiram e naquela noite de 10 de Abril de 1986, no coro alto do Convento de Jesus-Museu de Setúbal, jubilosamente ouviram Matilde Rosa Araújo na preciosa oração que então dedicou ao seu tão querido amigo Sebastião. 
O Livreiro Velho a cair na conta de que tudo aconteceu a partir de uma questão de leitura, livros e livraria na cidade e região de Setúbal…
Uma lágrima de comoção tem todo o direito a vir aos olhos: essa oração de Matilde Rosa Araújo finalmente publicada, como fora promessa e tanto se desejou fosse cumprida (Cf. Papel a Mais, p. 201).
Lê-la ou relê-la neste 10 de Abril de 2010: «SEBASTIÃO, A QUE É QUE SABE A VIDA? É tão difícil começar, Sebastião.»
Gratidão!
A tantos e a todos! 
Devida e muito sentida!
Porque o 10 de Abril de 1924 ininterruptamente comemorado em cada ano desde o 10 de Abril de 1986 e finalmente consagrado como «Dia da Arrábida e de Sebastião da Gama»!
Mais provas de que quando «pelo sonho é que vamos» muito – tudo! - se torna possível?  Não são precisas. Talvez só para quem ainda não acredita na grande causa da libertação da Serra da Arrábida dos seus predadores, uma causa que Sebastião da Gama assumiu em 1947.

II
A partir de 10 de Abril de 2010 um novo blogue, a abrir com «encontrolivreiro.blogspot.com».
É também uma causa: serão precisas «mais provas de que muito – tudo -  se torna possível»?
Neste caso…
Porque é mesmo difícil de acreditar, talvez mais provas tenham de ser esperadas do tempo e de muita gente que vai ter oportunidade de tomar a palavra e de se comprometer.
Uma causa também muito antiga.
«Outro tempo» e «outros destinos», sublinhei, de F. J. Viegas, na blogosfera. Sublinhei para voltar a ler, se conseguir um ainda possível factor que multiplique a atenção. Bem sei que não é fácil. E então quando vejo a dificuldade de dar atenção que por aí vai…

III
Causas!
No meu País de Abril, quais são neste momento, em 2010, as causas respeitáveis, em si ou no modo como são assumidas?
Ninguém, p. f.,  se adiante a responder antes de tentar ouvir o que os mais jovens tenham a dizer.
L. V.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

ABRIL DOS LIVROS, MAIS DO QUE SIMPLES MONTRA

Dos livros, Abril: por Andersen, por Sebastião da Gama e pelo Dia Mundial do Livro – 2, 10, 23.

O Livreiro Velho fez com carinho e empenho a sua montra dedicada. Mais do que uma simples montra, é um convite a comemorar. Subjacente a esse convite, uma linha directa ao leitor: «Ninguém vai comemorar por si».

Não sei se muitas pessoas vão ser atendidas por nós na nossa «linha directa», querendo visitar a nossa livraria, que está preparada para as receber, mas estou sinceramente grato à vida porque me quis permitir que visse  como progride em decisão, iniciativa e visibilidade a comemoração do 10 de Abril, «Dia da Arrábida e de Sebastião da Gama».
Quem passar no centro de  Azeitão,  vai certamente concordar. Talvez até queira prestar atenção ao muito mais que este ano já acontece e acredite em que em cada ano futuro muito mais há-de acontecer.
L. V.

terça-feira, 6 de abril de 2010

UMA CITAÇÃO FORA DO CONTEXTO

Um novo Orwell? Deixa cá ver!

«Uma livraria é um dos poucos lugares onde se pode permanecer imenso tempo sem gastar dinheiro» (Livros & Cigarros).

Uma conversa que vem na altura certa!
Nesta altura de pouco dinheiro,  será que as livrarias vão passar a ser mais visitadas?
Do que não há dúvida é de que passar pela livraria, mesmo que não seja com o propósito de comprar qualquer livro, é ou seria um hábito indicativo da literacia de uma sociedade.
L.V.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

DIA 2 DE ABRIL: O CULTO DE ANDERSEN

Não é a primeira vez. Este ano é só mais uma. Será sempre assim.
Desde que precursoramente a Culsete se impôs a comemoração do Dia 2 de Abril, de vez em quando a Lua interfere e qualquer pessoa com uma cultura geral média tem obrigação de saber porquê. Não deixou de interferir lá porque José Saramago ignorou, num dos seus mal criticados romances, que a Páscoa se celebra sempre pela Lua-cheia. A facilidade com que ele se veio arriscando a escrever sobre o que os mais ignorantes do que ele também não sabem, é lá com ele e com eles,  não vem para aqui como assunto.
É 2 de Abril deste ano de 2010, faz duzentos e cinco anos que Andersen nasceu na sua Dinamarca e em sua honra se está nesta data mais uma vez celebrando por todo o mundo o Dia Internacional do Livro Infantil. Este ano com menos actividades por causa da Lua-cheia e respectivas celebrações pascais e férias escolares. Com imaginação, nas próximas semanas talvez haja, ainda assim, algumas repercursões.

Tanto que o Livreiro Velho, ao pôr-se a escrever estas linhas na sua livraria fechada em feriado de «sexta-feira santa», recorda, pensa, pergunta… 
Para ficar aqui no «post», só dois apontamentos e mais um.

I
Niels Fisher, cinco anos depois do centenário de 2005:
No Papel a Mais lancei o repto aos Ministérios da Educação e da Cultura. Ainda estão a tempo, pois que o insigne designer dinamarquês ainda não deu por encerrada a sua prodigiosa actividade de divulgador da grandeza de Andersen.
De norte a sul e de sul a norte de Portugal.

Aqui e agora venho lançar um repto semelhante, desta vez à comunicação social.
Em especial aos jornalistas de reportagem para quem este caso é mesmo do que melhor podem encontrar para fazerem um trabalho de mérito. Ao menos quem no jornalismo se dedica aos temas da literatura e leitura para crianças…
É só um bocadinho de atenção e informação e vão dar-me razão, surpreendidos com o que vão encontrar.

II
O último grande trabalho de tradutor de línguas escandinavas de Silva Duarte foi oferecer aos leitores de língua portuguesa os dois volumes editados em 2005 pela Gailivro de Histórias e Contos Completos de H. C. Andersen. Uma das primeiras interferências do agora já bem conhecido editor Pedro Reisinho na edição portuguesa. É uma bela página da história da recepção portuguesa da obra de Andersen.
Silva Duarte continua a viver em Würsburg e espero festejar, ao menos com uma humilde mensagem, os seus noventa e dois anos, no próximo dia 5 de Junho.

Mais um:
Fui hoje ali à Avenida Luísa Todi visitar «A Árvore de Andersen em Setúbal».
Ainda tenho alguma esperança. Nas próximas semanas lá voltarei para ver se a sobrevivência, embora triste, é confirmada por esta Primavera de 2010.
De qualquer modo a sensação de que estava a visitar uma campa abandonada foi a que se me impôs.
L. V.