segunda-feira, 31 de maio de 2010

«OLHAR PARA AS PRÓPRIAS MÃOS»

Para ser correcta a citação é assim: «olhar, horrorizado, para as próprias mãos…», porque é assim que acaba mais uma história sobre as misérias livreiras (horasextraordinárias.blogs.sapo.pt).
«Deliciosa, talvez, para começar o dia, mas não seguramente para o acabar.
Em 1988, acho que estou certo no ano, Cunha Rêgo dirigia o Semanário.
Centenário de Bernanos.
O jornal a dedicar-lhe espaço generoso.
O Editorial é  de Cunha Rêgo e fiquei-lhe grato. O Bernanos e as leituras da nossa juventude!  Anos cinquenta.
Nesse nº do Semanário vem contada, por mão de um qualquer jornalista «culto», uma destas tristes histórias livreiras. Mas aí tentei levar Cunha Rêgo a obrigar o jornalista «culto» a olhar para as próprias mãos. Depois de ridicularizar um livreiro que não o entendeu quando pediu livros de Bernanos, vem dizer aos leitores que a sua obra emblemática, Diário de Um Pároco de Aldeia, nunca fora traduzida e editada em Portugal. Barbaridade e ignorância!
Tantos! Mesmo tantos, a quem os livreiros também podiam, se valesse a pena, pôr a «olhar, horrorizado(s) para as próprias mãos…»!
-Também escritores afamados?
-Olha, a dúvida!
A culpa de não termos mais livreiros e livreiros mais cultos, é de quem? Aonde vão muitos dos nossos intelectuais, escritores, editores e «cultos» jornalistas, etc. etc., tudo pessoas de muita leitura, adquirir os seus livros? Lá, onde os livreiros sabem que vão, é que é o paraíso da cultura livreira! Sabe-se que não, mas também se sabe que o grande mal não vem dos grandes espaços comerciais. Não reduzamos o tema, nem sejamos saudosistas: é complexo.
L. V.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A ÁRVORE DE ANDERSEN EM SETÚBAL

Obrigado!
Manuel Vieira veio hoje oferecer-me esta fotografia do abeto ressuscitado. Tenho-a diante de mim. Que bela fotografia! Até parece que foi limpo do desgrenhado dos ramos mortos . Tenho de ir confirmar.
Mas que bem que ficou o verde tenrinho de mais uma Primavera, a décima primeira que este abeto oferecido a Setúbal pela Unesco da Dinamarca celebra connosco!
Ah! Setúbal! Setúbal! Hás-de chegar! O verde  faz acreditar no azul!
Sempre há-de haver quem leia o capítulo IV de Uma Viagem em Portugal em 1866 e compreenda o que significa este abeto.
Silva Duarte faz 92 anos no próximo 5 de Junho. Tanto que gostava de mais uma vez lhe agradecer as traduções de Andersen!Todas. Esta de modo especial.
L. V.

P. S.
Devia atinar e digitalizar a fotografia, mas isto os velhos…
L. V.

terça-feira, 25 de maio de 2010

PIORES E MELHORES

Os dias, uns são piores e outros são melhores. Viver é assim.
Os melhores passarão a bons. Sobretudo quando recordados passados anos.
De vez em quando recordo aqueles dias luminosos e amenos em que me empoleirava num forte ramo do álamo que havia nas traseiras da casa paterna, sobre as ladeiras. Com um livro na mão.
Em frente, o imenso verde e, ao lado, no galinheiro, as galinhas cacarejando descontraídas.
Apetecia recitar o livro. E até cantá-lo!
Recordarei, porventura, o dia de hoje? Vivi-o. Não foi dos piores!
Obrigado!
L. V.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

SETÚBAL É AQUI!

1
JOSÉ MOURINHO
Nem todos os portugueses estão com ele?
Mas entre esses não posso crer que se conte um único setubalense. Sábado, 23 de Maio: que grande triunfo!
É dele. Mas o nosso orgulho por esse triunfo…
Setúbal é aqui!
2
ÁRVORE DE ANDERSEN
Sobreviveu!
Finalmente o verde claro nos ramos que não secaram!
Confirmei neste passado fim-de-semana.
E agora?
Setúbal é aqui!
3
SEBASTIÃO DA GAMA
O esperado CD!
E que belo se espera que seja o fim de tarde de sábado, 5 de Junho, no Salão Nobre!
Setúbal é aqui!
4
FERNANDO CRISTOVÃO
Também no dia 5 de Junho, mas ao serão. Na Culsete.
Um dos mais notáveis intelectuais portugueses da actualidade.
Filho de Setúbal, onde nasceu há oitenta anos.
Setúbal é aqui!
?
Não há mais?
Claro que sim!
É só estarmos atentos!
Setúbal é aqui!
L. V.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

FERNANDO BENTO GOMES – MEDALHA DE MÉRITO DA SPA

Entre os nomes dos escritores a quem hoje são atribuídas medalhas de Mérito pela Sociedade Portuguesa de Autores está o do nosso estimado Fernando Bento Gomes.
Uma honra para um escritor setubalense é, tem mesmo que ser, seja qualquer for o grau de alheamento da cidade, um honra para Setúbal.
Quando o grande anúncio aparecer  nas nossas praças e esquinas a dizer-nos: GENTE, PRECISA-SE, transcreverei para quem passar o poema que O Espantalho Voador lançou do alto da torre sobre a cidade que tanto o maravilhava.
L V.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

«O LIVRO, COMO NÓS O CONHECEMOS, VAI ACABAR»

A afirmação que me está a servir de título só hoje a leio na revista LER deste mês. É de Mário de Carvalho na longa entrevista que vale a pena ler. E vale a pena discutir uns quantos dos temas que a conversa puxou.
A  democraticidade ou não da literatura, por exemplo, quando esta é salva pelos marinheiros, deixa-me a tentar perceber o que é ser democrata.
E o que é que é natural? Comer-nos uns aos outros ou que o progresso do entendimento nos vá conduzindo na luta pelo respeito da Vida Humana e de tudo o que se compreende no conceito de  Natureza?
Quanto ao futuro do livro em papel, por enquanto tudo me parece muito profético. Por enquanto, ao menos, porque falta ver muita coisa.
Neste momento o que é certo é que a escrita e a leitura são possíveis em novos suportes, mas por enquanto o livro dá-se bem com os novos companheiros de viagem. Significam, em si, novas e excelentes aberturas para o avanço da Noosfera.
As gerações é que passam muito depressa. Que cada uma acumule riquezas de escrita!
O futuro do livro e da leitura, como sempre, será grato aos escritores cuja escrita não apareça para desaparecer tão depressa como eles.
Seja qual for o suporte em que vier a ser lida.
L. V.

terça-feira, 18 de maio de 2010

ALGUÉM BATEU À PORTA?

Como reagir ao alarme?
Com todo este alarme, não se consegue ouvir mais nada. Será que não há nenhuma porta, uma saída?
Claro que há! Claro que há! Parece que não, mas há! Só que…

Alguém bateu à porta? Não ouvi, mas fui ver. Não, ninguém. O barulho era ao lado.
Muita gente! Grandes cabeças! Todas a bater contra a parede! 
E com a porta ao lado…

Que cabeças!
Ou talvez nem tanto…
Sabem elas muito bem que as chaves da porta voaram para nuvens muito escuras. Quem as apanhou tem agora o poder. Como voltar a apanhá-las?
Essa seria a primeira grande revolução do século. E talvez uma das mais felizes da História!
Mas se as grandes cabeças preferem bater contra a parede, temos todos que acompanhá-las.
Alguém descobre uma maneira de passarmos alegremente por um destino que nos parte a cabeça?
Pode ser que nos livros se descubra… Quem quiser tentar, já sabe que ao livreiro velho dará muita alegria.
L. V.

domingo, 16 de maio de 2010

MADALENA GOMES

 

SE AINDA NÃO A LESTE PODES FAZÊ-LO AGORA

Nos últimos meses, depois de acordar do pesadelo por que passei no último ano, fiz várias tentativas para falar com Madalena Gomes, escritora de livros para crianças, minha amiga e companheira de diversas actividades de promoção de leitura ao longo de trinta anos. Ligava-lhe às horas mais díspares e os meus telefonemas nunca eram atendidos. Saiu. Terá ido viajar? Nestas últimas semanas comecei a insistir várias vezes por dia. Nada. Uma sombra de dúvida começou a pairar no meu espírito. Ter-se-ia mudado para casa de familiares? Estaria hospitalizada? Quando a dúvida se começou a transformar em ansiedade decidi perguntar à fiel amiga Maria do Carmo Rodrigues: Sabe alguma coisa da Madalena Gomes? Já não mora na casa de sempre?

A resposta chegou como uma pedrada minutos depois: Quanto à Madalena Gomes - como hei-de dar-lhe a notícia, sem a chocar? - faleceu nos últimos dias de Fevereiro. Faria anos a 3 de Março e já cá não estava.

Como é possível que Madalena Gomes nos tenha deixado assim, tão silenciosamente? Como é que pude perder esta amiga tão querida sem lhe poder dizer até breve? Tanta conversa inacabada, tanta coisa para partilhar...

Como é que só a treze de Maio soube da sua morte? Falta de atenção minha, com certeza. Procurei em jornais, em blogues, em sítios institucionais, na página da editora onde estão os seus títulos disponíveis. E nada. Nem a mais pequena informação. Ninguém assinalou a sua partida deste mundo. Nem os blogues de LIJ, pelo menos aqueles que têm maior audiência. Aparentemente (se estiver errada que alguém me corrija) apenas a Associação Portuguesa de Poetas, através do seu blogue, divulgou a notícia. Andam todos muito preocupados em dar a notícia mais mediática e esquecem o essencial. Ou será outra coisa?

Tanto que eu poderia contar do nosso convívio, duas amigas com o mesmo entusiasmo pela literatura de recepção infantil e juvenil. Mas, por agora, prefiro guardá-lo para mim. Fecho ainda em mim o abraço e o beijo que ficaram estes meses à sua espera. Porém, não irei eu também ficar em silêncio. A verdade é que a literatura portuguesa para a infância está um pouco mais empobrecida. Calou-se uma voz de grande sensibilidade e de capacidade narratológica de contornos expressivos relevantes. Uma voz discreta que gostava de passar despercebida, mas que se impunha pela qualidade dos seus textos. Em Madalena Gomes o uso do sufixo -inho não era sinónimo de infantilização, mas reforço de ternura. Injustamente maltratada por alguns sectores ligados à LIJ, nunca publicamente desabafou contra essa situação que tanto e de tão diversas formas a afectou.

Talvez seja hora de muitos de nós fazermos mea culpa e procurarmos ler o que deixou publicado, porque aos inéditos será difícil ter acesso. E felizmente ainda são alguns os títulos disponíveis de Madalena Gomes (http://www.novavega.pt). Talvez seja preciso pedir às livrarias que os encomendem à Vega, que os tem em abundância no armazém. Portanto, se ainda não a leu vem a propósito fazê-lo agora. E quem não a conhece vai ter uma boa surpresa. Ou então não gosta tanto de literatura para a infância como pensa que gosta.

Recomendo especialmente O Crocodilo e o Passarinho, livro ilustrado por Sara Afonso, que nos fala de uma amizade que ignora e ultrapassa diferenças.

O grande poder do escritor é a sua palavra escrita. Mesmo quando já não está fisicamente entre nós, a sua obra publicada permanece, continuando o seu diálogo com o mundo. A voz de Madalena Gomes está aí, pronta a ser escutada.

Fátima Ribeiro de Medeiros

Partilho agora convosco um precioso texto de Madalena Gomes, escrito em 1967, que me foi oferecido pela própria em 1987.

O livro

O livro estava sobre a mesa. Os que passavam por ali abriam-no, liam aqui e além uma passagem e depois seguiam, indiferentes. Mas houve alguém que o agarrou e se pôs a lê-lo, sofregamente, alguém para quem ele representou a maravilha de uma hora de fraternidade com o génio.

Madalena Gomes

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26/2/2005 – Madalena Gomes na Culsete, entre a assistência, no lançamento de Olhando o nosso Céu

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2/12/2006 – Madalena Gomes numa sessão de autógrafos na Culsete, entre Maria Isabel de Mendonça Soares e Manuel Medeiros

NÃO SE PODE FUGIR…

Como fugir à actualidade insuportável das discussões da PT na Assembleia da República ou da abrasadora pressão das loucuras da religião do dinheiro a que todos temos de nos curvar, porque é professada por todos os poderes que nos governam?
E para mais atrapalhar a cabeça aí está o arrastar da Feira do Livro dos editores portugueses por mais uma semana…
Não se pode fugir, mas é bom ter sempre à mão uns comprimidos excelentes contra todas as dores de cabeça: queridos livros!

Que saudades amigas de Leonel Neves! Sim, o dos livros infantis, com o Tóssan, o Sidónio Muralha e a Matilde Rosa Araújo. Mas neste momento o Leonel Neves poeta algarvio: A Cal Cúbica e as Manchas (Gente Singular Editora).

«ODE À FIGUEIRA-DA ÍNDIA
(…)
Porque os teus figos são de quem os queira,
abençoada sejas tu, rasteira
e altiva figueirinha de ninguém!»

Ou a «PÁGINA DE UM DIÁRIO» com uma «onda após onda de água, luz e brisa» na Meia Praia:
«Dois bichos mortos, um poeta tonto
e aquela draga, aos círculos, num ponto…
a sudoeste? Sim, a sudoeste».

Que saudades!
Que  morram os senhores das discussões, do poder e do dinheiro: não se pode fugir… 
Coitados deles e de nós, simples mortais!
Mas os poetas…?!
Que nunca nos morram os poetas!
L. V.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

«AINDA SE TE SENTISSES FELIZ»!

«Estás livre, idiota!»
Posso voltar a ler aqui, de chapéu e bengala, Henrique Galvão?  Já que valeu tanto a pena a referência à Carta, aí vou…
Também o Kurika voltou a estar disponível – um milagre (BI-Biblioteca Editores Independentes)!
Milagre? Porquê?
Isso gostava eu de saber! Como é que obras destas ficam indisponíveis no mercado editorial e livreiro durante dezenas de anos, às vezes mais e mais?
O que é que falta ao Kurika para ser cartilha indispensável nas propostas de leitura que fazemos aos nossos adolescentes? Por mim, só edições adequadas.
Que riqueza! Não só de escrita. De preciosidades em valores humanos e de modo especial a Liberdade, a mais simples e profunda liberdade de viver em respeito e conformidade com a Natureza. Progredir é só crescer, não é deixar de ser o que somos.
E que preço dramático, aquele que se paga no engano! No fim, pobre leão! Pobre Kurika! Ainda preferindo a Liberdade, mas condenado à Solidão. E porquê?
«Era apenas uma coleira de coiro que te impedia de seres livre e feliz.» Quantas e quais, as coleiras? Cada um saberá das suas. Saberá?
Há muitas destas! Releio as páginas 60 e 61 desta edição: «A liberdade é assim»….
E o prefácio?
«Este livro não se destina àquelas pessoas que conseguiram deixar de ser crianças na porção de tempo que decorre entre o termo da puberdade e o degrau convencional da maioridade civil.»
L. V.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A CULTURA GERAL NAS NOVAS E PROMISSORAS OPORTUNIDADES

A consequência dos nossos baixos níveis de leitura é demasiado visível quando os mais categorizados artistas aparecem no palco com rasgos de eminente cultura geral.
Há algum tempo este blogue fez referência a «uma» noite de Páscoa sem ser com Lua Cheia.
Ficou por aí aquela dos Cantos dos Lusíadas.
Agora, no dia em que a nata da cultura portuguesa se reuniu com Bento XVI no CCB, o Papa é tratado por « Sua Eminência».

Felizmente temos a nata!
E quanto a virmos a ser um povo com uma cultura geral em que os grandes artistas, vítimas inocentes de um estado de coisas,  não voltem a revelar o baixo nível que nos é comum, veremos. Veremos? Pois! As novas e promissoras oportunidades!
L. V.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

«VAI-SE VIVENDO!…» - como sempre ouvi

Vinha para aqui, até porque  já se me tinham queixado de andar a falhar, mas empatei-me com a Carta Aberta a Salazar de Henrique Galvão, na recente edição da Esfera do Caos.
Não sei como anda por aí a leitura actual deste documento literário, mais ainda histórico, muito mais ainda humano. Gostava de saber. E não por uma única razão. Tanto e tão pouco andam por aí  livros com muito interesse!… O caos na procura e na oferta.
Pronto! Já não vou ao que vinha para aqui trazer. A vida acontece como acontece: «vai-se vivendo!…».
L. V.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

SENTIR ILHÉU

A Ilha definida como porção de terra cercada de mar por todos os lados não foi o que me fez sentir ilhéu. Foi sair da ilha e ter o mar a separar-me dela. E foi depois voltar. Sobretudo voltar.
Saía ano após ano e voltava. Aquele voltar era qualquer coisa!  Um reencontro íntimo. De abraço comovido. Por isso, Ilha: prisão? Que seja também isso, não importa! Cada vez saio menos da «prisão». Está-se aqui bem! Sinto-me bem na minha livraria. Um sentir ilhéu?
L. V.

P. S.
D. Fernanda e primo Norberto,
naquele velho tempo de mudar de ilha, receber cartas de família e amigos era como agora este gosto de entrar no blogue, aqui na livraria, e encontrar os vossos comentários! Valeu?
L. V.

terça-feira, 4 de maio de 2010

«COMENTÁRIOS»: peço desculpa!

Isto de uma pessoa se «averbiar» em navegações pela blogosfera está a parecer-me que tem os seus «quês».  Por estes meses em experiência ainda não dá para uma ideia muito firme. Também não vale a pena entrar em metafísicas teorias, mas…
Um dos aspectos a observar é a construção de base trazer a abertura para comentários. Porquê? Creio que porque corresponde ao que é o mais natural. Melhor diria se dissesse «normal»? 

Estou a encontrar cada vez mais pessoas a falar sozinhas. Enlouquecedora como vai a vida, talvez o normal dentro em pouco seja isso: todos andarmos por aí a falar sozinhos, feitos malucos sem remédio. Por enquanto o normal é falarmos uns com os outros e portanto uns para outros.

Andarão à volta de duas dezenas os visitantes deste «chapeuebengala» em que caricaturalmente me vi a escrever umas «passidices».  Ao dar por isso, por esta simpatia de umas simpáticas amizades, achei que não era delicado virar costas, se bem que esteja com saudades da velha gaveta onde qualquer parvoíce se sente tão bem como uma hipotética grama de inteligência.
Mas… e uns comentários? É natural! Alguns, boas surpresas. Os expectáveis serão, porém, os que animam a disposição de comunicar. É bom, para quem se expõe a ser lido.

Pois é! Mas aconteceu. Desde 19 de Abril os comentários não conseguiram entrar em «chapeuebengala». Azelhice do bloguer!
Obrigado amigo Onésimo pelo teu alerta! Hoje lá se resolveu.
Peço desculpa a todos. Desculpem amigos! E todos a ser assim tão simpáticos! Desculpem!
Não prometo que não vou continuar com azelhices. Já aprendi. Cada vez hão-de ser mais frequentes… Que bom, se não forem piores! A velhice traz muita coisa boa. Especialmente netos! Mas não deixa de ser cá uma enrascada das dúzias… A gente aguenta!
L. V.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

«VIVA A INTERNET!»

Este viva num mail, hoje: «Viva a Internet!»… E apeteceu-me reler a «Epístola aos Vindouros» de Carlos Queirós. Como se sabe, há o poema e há o livro a que deu título, por mão de David Mourão-Ferreira: Epístola aos Vindouros e Outros Poemas. Há ou pelo menos havia, pois aqui na livraria resta um exemplar.

«Ó felizes vindouros:
(…)
Pensai que vimos as primeiras
Feias imagens do cinema;
Que sofremos as míseras primícias
Dos transportes aéreos;
Que suportámos para além da náusea
Os vagidos da rádio.»

«Pensai»!…
Nós, que somos os tais vindouros e que chegámos à Internet, pensamos o quê? Que pensamos dizer aos nossos vindouros?
«Ó felizes vindouros».
Isso, isso! «Felizes»! Se possível, um pouco mais do que os actuais «vindouros» de Carlos Queirós.
L. V.

sábado, 1 de maio de 2010

«FAÇO DIZER AOS OUTROS O QUE NÃO SOU CAPAZ DE DIZER TÃO BEM» (Montaigne)

«Porque, no fundo, quem não cita, não faz outra coisa a não ser repetir, mas sem o saber nem o escolher.
(…)
Para andar por aí, não há nada mais tranquilizador do que uma máscara.
(…)
Vou devagar, sigiloso, com o olhar iracundo e a simular um coxear, com uma bengala e uma máscara de Arlequim, perfeitamente oculto» (Henrique Villa-Matas, Diário Volúvel).

E, não sei porquê, com Villa-Matas voltei a Montaigne e à sua conversa sobre citações.
«Por vezes omiti adrede o nome do autor (…). Quero que dêem um piparote no nariz de Plutarco tomando-o pelo meu e que se escaldem a injuriar Séneca através de mim».

Vou só acrescentar «a meta que o meu cavalo deve esforçar-se por atingir»:
«O meu desígnio é passar tranquila e não afanosamente o que me resta de vida. Não há coisa alguma pela qual eu esteja disposto a quebrar a cabeça, nem mesmo a ciência, por mais preciosa que seja. Nos livros busco só dar-me prazer através de uma decente distracção ou então, se estudo, neles procuro apenas a ciência que trata do conhecimento de mim mesmo e me ensina a bem morrer e a bem viver: hac meus ad metas sudet oportet equus». (Montaigne, Ensaios).
L. V.