quinta-feira, 29 de julho de 2010

IRRA!

Tirei-lhe o ponto, ao «irra!», para ver aonde ele ia parar sem essa barreira. E logo vi… Tinha de ser! Irracionalidade.
Irra! com tanta irracionalidade!!!

- Estás a falar de livros?
- Pode ser. E do mais? Falas tu?
- Eu, não! A irracionalidade vende-se bem e enquanto se vender bem não digo nada. Irra!
L. V.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

LER ENQUANTO SE ESPERA

Entras e sentas-te  na sala de espera. Estendes a mão para uma revista desactualizada e vais folheando. Curioso, este hábito de ler enquanto se espera! Digamos que é para ajudar a passar o tempo. Mas também pode ser uma forma de tornar precioso o tempo de espera, se…

Hoje aconteceu-me. Tinha de esperar, há mil e uma circunstâncias em que surgem os momentos de espera, e o livro estava à mão. Já leram? Se já o tinha lido? Sim, sim! Quando saiu, em 2009. Uma peça de Manuel António Pina, uma pequena edição de estilo ilustrada por Ilda David, mais uma vez Assírio & Alvim. Lembro-me perfeitamente: levei-o comigo de uma vez que fui a uma consulta médica. É uma estranha peça, não é? História do Sábio Fechado na sua Biblioteca.

É sempre o mesmo: reler é excelente! Pobre dos leitores que nunca conseguem tempo para reler, sobretudo aqueles cuja profissão obriga a ler muitos livros. Será que se apercebem de quanto perdem? E então quando o seu trabalho é fazer recensões em série! Bordões e mais bordões. Publicidade da barata. À  falta de melhor, há sempre quem pegue…

«Sabe-se. Mas quando chega o momento de compreender é que é bom!» Podem confirmar no post escrito para bengala de ontem. 
A peça de Manuel António Pina, muito melhor arrimo!

Página 30:
«SÁBIO – É então isto a fome… Que coisa estranha, não é nada parecido com o que vem nos livros…
(…)
Obrigado, bom homem. Ensinaste-me hoje algo que não se aprende em livro nenhum.»
Continuar? Página 37. Com alguém que tenha o livro à mão.
L. V.

terça-feira, 27 de julho de 2010

PARAR

«Parar é morrer», sempre nos disse a antiga sabedoria e adoptei.
Hoje tive de traduzir para «parar ou morrer». E não é que também está certo? Tinha de ser. Questão de clima.

A vida e a questão do clima. Sabe-se. Mas quando chega o momento de compreender é que é bom! A vida sujeita ao clima! Vida na Lua? O clima não dá. É por isso que defender o clima significa defender a vida?

A evolução da educação para os temas ecológicos é um grande avanço. Tema de relevo na literatura infanto-juvenil, felizmente.
Às vezes com alguma pieguice e por moda. Tinha de ser. Mas antes isso.
E como era na educação de antigamente? Que não era preciso? Ora se não era! Quem tivesse acordado mais cedo! É sempre o mesmo…

Saber e arte. Um e outra empenhados na educação ecológica das novas gerações.
E de novo Matilde. Um nome grande. Também aqui.
L. V.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

COM QUE DELICADEZA!

As antigas civilizações e os seus mitos: 
em que altura os educadores devem proporcionar aos mais novos uma boa aproximação a essa riqueza cultural indispensável?
Talvez antes que a adolescência se adiante muito. Talvez…

A pergunta – e naturalmente a tentativa de resposta – surge aqui porque estive a cumprir uma obrigação que ninguém me impunha, mas que se me impunha: olhar com atenção cuidada para esta preciosidade que o presente mês de Julho trouxe para as livrarias: DEUSES & HERÓIS, autores Matthew Reinhart e Robert Sabuda, tradutor Helder Moura Pereira, editora Assírio & Alvim.
Obrigado, Helder!
Sabe tão bem ler uma boa tradução!

Estou a imaginar uma ou um adolescente a ser educado em saberes e delicadeza: é como este precioso DEUSES & HERÓIS pede inevitavelmente para ser aberto, manuseado, observado e lido.
L. V.

sábado, 24 de julho de 2010

FICAR: EM QUE MODO?

«Não fique desiludido (…) nem surpreendido por um concerto de cordas contemporâneo começar por uma fuga».
«O tema da fuga contém a essência da música. Estabelece não só um padrão rítmico e tonal como também fixa o modo de toda a composição.»
«Nos temas das fugas de Bach temos uma enciclopédia de imaginação musical. Por mais magnífica que fosse a sua capacidade de manipular as ideias, é nas próprias ideias que o seu génio mostra a sua força irresistível.»

Não disse nada, eu! Foi só copiar de D. Moore (Guia dos Estilos Musicais, Ed. 70).
Deu, no entretanto, para recordar o mais devotado ouvinte das fugas de Bach que conheci e tive por meu mestre: Simão Bettencourt.
-Foi só?
-Somente, nunca poderia ser. Porque a  pergunta, na sua discutível formulação e pontuação, já estava feita. «Ficar: em que modo?». 
A fuga deu para de algum modo fugir à resposta. E ao mesmo tempo para que «modo«, na pergunta, pudesse ler-se como termo da arte da música. 

Sempre que parte alguém que nos é muito querido, como Simão Bettencourt, há muito, como tantos, antes e depois, alguns em recente, como a Matilde…., ficar tem modo de fuga.
O tema contém a essência. Estabelece o padrão. Fixa o modo.

Aprende-se a viver em modo de fuga.
É bom para continuar em frente, levantando a cabeça sem sair do tema.

Se a algumas cordas contemporâneas esta composição, por estranha, surpreender e desiludir, peço desculpa. Coisas de velho!
L. V.
P. S.
Também devo pedir desculpa se disser que de seguida vou ler a página 265 e as próximas seguintes de Papel a Mais ?
L. V.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

QUEM DIRIA?!

A leitura portuguesa a voltar a Chesterton! Quem diria?!
Vou ter o cuidado de anotar que G. K. Chesterton faleceu em 1936, no mesmo ano em que faleceram, já agora anoto também, dois outros autores cuja recepção entre nós também apetece comentar: Unamuno e Pirandello. E mais não vou anotar de biográfico, porque quem lê blogues facilmente abrirá a Wikipédia ou outro site conforme, se desejar mais informação.

Quanto ao regresso de obras de Chesterton ao nosso mercado livreiro, também não vale a pena dar aqui lista, datas, editoras: é só «pesquisar» por autor.

Mas que tem que se lhe diga este regresso de Chesterton, talvez não seja de se dizer que não. Fico a pensar nisso. Depois, talvez volte ou não. 
Agora, foi – Quem diria?! Ao fim de um dia tão cansativo! – permitir-me este prazer de ler este conto, «O Fantasma de Gideon Wise», numa recolha de Peter Stilwell e tradução de Jorge Pereirinha Pires, que a Assírio & Alvim acaba de enviar para as livrarias com este título:  Os Melhores Contos do Padre Brown.
Não se prendam com uns pormenores, levem o conto até ao fim. Chesterton no seu melhor!
«Como era vívida aquela espuma aluarada (…). E como era tão literária!»
Álibis! A convincente arte de representar álibis! Anda por aí bem representada ou não? Que diz a plateia?
L. V.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

IGNORAR?

Isso, não!
Ignorar seria trair, porque sempre e de algum modo seria alguém trair-se a si próprio.

Ignorar, não!
Mesmo, e até sobretudo, quando o que se aprende e se vê e se sente não vale a pena dizê-lo.

Quando o ouvinte ouve quem diz e não o que é dito, valerá a pena dizer seja o que for?
Mas os profetas não se calam! Porquê?
Crença! Crença!

Tanto que preferimos acreditar em vez de saber!  Por isso ouvimos os profetas e tanto eles se fazem ouvir. Mesmo cansados deles quanto estamos…
L. V.

terça-feira, 20 de julho de 2010

NÃO SEI… SERÁ SÓ NARCISISMO?

Por mim,  já que passou a livro e umas centenas de pessoas, talvez, umas dezenas, sem talvez, se deram ao trabalho de o ler, acho que é um dever agarrar no meu Papel a Mais e pôr-me lê-lo.
Já não na perspectiva de auto-crítica prévia devida a um original, mas no distanciamento de quem vai sentir se sim ou não valeu pena depois de ter lido qualquer livro.

Quando? Quando vou conseguir cumprir? Até aqui, não. E por agora? Não sei.
Continuo a ter muito que fazer, tenho de trabalhar devagarinho, ainda mais devagarinho agora no Verão, muito que ler para minimamente acompanhar os interesses de leitura dos leitores que vêm à livraria e sobretudo levar tudo para a frente, apesar de mais palha que grão. Portanto não sei…

A verdade é que este exemplar veio parar aqui à mão de semear e nos últimos dias tenho lido algumas páginas, este ou aquele texto, um poema, uma que outra prosa.

Livraria fechada, «vamos a ver se hoje não faço grande serão» e… caio. Lá vou outra vez jantar tarde e sem adiantar vida! Abri em «Entre Crono e Cronos». Nem de porpósito!...

«Sentar-nos-emos, ao fim do dia, ante o devir insaciável: volta ao país, volta ao mundo, somos todos actuais e amanhã, por feitos e efeitos devorados, seremos mantidos em actualidade. Mas sem presente – este presente só passa. Evanescente, não deixa passado a abrir um futuro – o feito sobre o qual fazer. Fazer de novo, fazer mais. Para poder sobreviver é impossível descansar sobre objectivos atingidos. Hiper, super. Superprodução de acontecimentos, super-produção industrial, super-vendas, hiper-realidade, hiper-tempo.»

- Que dizes?
- Não digo nada! Apesar de tudo, é preciso descansar.
L. V.

domingo, 18 de julho de 2010

PERGUNTA QUE NÃO SE FAZ


Um leitor.
Pessoa habituada à leitura como alimento de vida, pessoa sensata, compreensiva, naturalmente humilde e serena.

O que sentirá uma pessoa assim, perante a evidente realidade de que essa riqueza, de que disfruta e em respeito por si não pode dispensar, tanta gente nunca a descobriu, não lê ou lê pouco e mal, por esta ou aquela razão?
L. V.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

LIVROS & FÉRIAS: O MELHOR DO DIA

Catarina.
3.º ano de escolaridade.
A Catarina veio com a mãe à livraria e foi para o livreiro velho o bocadinho melhor do dia.
Primeiro foi um caderno de apoio escolar, para aperfeiçoamento e não tanto para não esquecer a matéria. A mãe, aí, já sabia o que queria, foi só ir à prateleira.
Depois, num já agora, escolher, com apelo à colaboração do velho, um livro para a Catarina ler, a seu gosto, leitura de férias.
No diálogo, logo à primeira hipótese: «esse já li e gostei muito». Tudo muito à vontade, distraída e atentamente, como quem está a passear no seu ambiente. E que bem que soube decidir-se, primeiro por um só, mais a seu gosto, e, depois, por um dos dois que, dando-lhe a oportunidade de levar mais um, a mãe lhe propôs!
Não penso que seja de propósito. Talvez simplesmente por nunca terem pensado nisso.
Quantos pais, se quisessem, poderiam viver com os filhos um momento belo e de enriquecimento mútuo como aquele que hoje vi viverem a Catarina e sua mãe?
Vale a pena existirem livrarias, as livrarias que se receia que não tenham futuro?
Se não fosse por ter o seu futuro já todo investido só no passado e num resto de presente, daqui a uns aninhos, quando crescida, era à Catarina que o livreiro velho gostaria de pedir opinião.
L. V.

terça-feira, 13 de julho de 2010

SILÊNCIO

« Nada a assinalar.
Esta calma perturba.
Está tudo de férias, não é?»

Até aqui é tudo de José Teófilo Duarte, hoje mesmo, no seu blogoperatorio.blogspot.com.
Comentar?
Não sei se foi por comentário que fui a «copiar» e vim a «colar». Apenas um impulso? Talvez também não.

«Esta»…
«Calma»…
«Perturba»…

Esta Esta Esta
calma calma calma calma calma
perturba
perturba
pert….

Pára lá com o gaguejo, ó velho!
O que foi? Impressionou-te?
Até parece…

Na tua experiência de vida, a calma que precedeu tremores de terra.
Qual contradição, portanto!
Agoiros?
Que não! Queiramos que não!
Tem calma!
Será que não há ninguém capaz de pôr um fim a tantos tremores que abalam a «Terra dos Homens»?

A Terra!
Ela em si mesma tão embaladora!

A beleza da Terra, numas belas férias!
Com paisagens de silêncio!…
- Saudades, é?
L. V.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

SEGREDO

Quantas vezes aparece na escrita de Matilde Rosa Araújo esta palavra: SEGREDO?
A pergunta é para quem, neste fim-de-semana próximo, dedicar algum tempo a ler os textos que nos deixou a nossa querida Matilde e quiser depois partilhar essa leitura.

Depois de ler a palavra SEGREDO em «O Barco» de O Chão e a Estrela, venho lê-la também agora em A Velha do Bosque.

«Conta a história que virá um dia em que a todas as portas dos velhos –velhas mulheres e velhos homens – chegará um cavalo branco vindo do bosque, com um menino de olhos dourados de ternura sentado sobre a sua sela e um pássaro de fogo no seu ombro pousado.
E todos os podem ver, todos os podem olhar. Todos os podem olhar. Todos podem entender este segredo maravilhoso – segredo que está fechado ainda nas nossas mãos, nas mãos de todos nós.»
L. V.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

HOMENAGEM A MATILDE

Agora, a maior e melhor homenagem a Matilde só pode ser esta:
ler as suas mensagens, compreendê-las e vivê-las, apreciar a sensibilidade e inteligência da sua escrita, lendo cuidadosamente os seus livros e oferecendo à nossa volta essa preciosa leitura.

A todos os que desde ontem, dia em que acabou o seu sofrimento, e mais ainda hoje, dia da solene despedida, estão vivendo já a imensa saudade da nossa querida Matilde, lanço daqui, desta cidade do Rio Azul, um fraterno apelo:
VAMOS LER JUNTOS?

-Por onde começar?
-Peço licença e começo eu.

«-Podes ir para o céu, é lá o teu lugar e fazes falta à noite. Nós, todas as crianças do Mundo, vamos prender o fogo das florestas. Vamos guardar os pinhais, todas as florestas, todos os seres, todas as flores e animais que nelas habitem. E uma criança não promete em vão.
(…)
E a estrela sorriu e caminhou para o céu. E tudo ficou em silêncio. Debaixo das cinzas, sementes cantavam.»

Todos sabemos que o livro que estou a ler convosco é O Chão e a Estrela.
Quando apareceu em 1.ª edição, fui lê-lo à beira do Sado, o Rio Azul. Não sabia que ia encontrar um barco em rio azul.
Não vou contar como transmiti à Matilde esse momento e como ela correspondeu, porque não mo consente este aperto na garganta. Nem também os olhos em água me deixam continuar a ler.
Por favor, tomem o livro. Não posso ler mais, mas posso ouvir e teclar. É a página seguinte: «O Barco».

«Este canto que João amava, e todos amavam, tem um segredo.
E são vocês, meus Amigos verdadeiros, que o vão cantar. Que vão dizer as palavras daquele canto. As palavras do seu amor.
Eu também estou de mãos dadas convosco, tenho estado sempre de mãos dadas.
E de todo o coração vos digo: obrigada!
Obrigada por saberem o segredo. Pelo vosso entendimento.
Há tantos anos que estou convosco e sei que nem um só de vós deixou de entender esse segredo. É essa maravilha de ser criança. Termos sempre um rio azul.
Que beija a terra e vai ter ao mar».

O Rio Azul da Matilde
chegou finalmente
ao Grande Abraço em Mar.
E nós choramos?

Que não! Que não! – uma voz terna, suavissimamente a dizer…
«E ninguém entendia.»
«Os remadores, crianças como o João, cantavam. Em coro». 

Que não! Que não! – a voz terníssima…
Cantemos!
Porque todos vamos neste «BARCO».
Para o Grande Abraço em Mar.

Cantemos em coro!

L. V.

terça-feira, 6 de julho de 2010

MATILDE ROSA ARAÚJO, O ÚLTIMO SONO DA CAPUCHINHO CINZENTO

 

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O telefone despertou-me. A notícia arrancou-me da cama. Matilde Rosa Araújo, a minha querida Matilde partira. Não mais irei ouvir a sua voz dizendo num murmúrio: Fátima, quero muito que fique bem. Não mais me dirá que estamos ambas à espera... Agora só eu espero.

Conhecemo-nos há 32 anos, em 1978. Nesse encontro nasceu uma amizade que cresceu até ter o tamanho que hoje tem. Matilde é e será sempre a escritora, a amiga, a irmã. Durante o último ano, após a descoberta da minha doença, e até Outubro, mês em que também adoeceu, telefonava-me duas vezes por dia, de manhã e à tarde e depois dessa data uma vez por dia. Ligávamos uma à outra à vez. E acabávamos quase sempre com palavras de esperança. Apesar de sabermos que ambas estávamos à espera...

Como parecem já distantes, apesar de tão presentes, os nossos encontros na sua sala, repleta de livros, fotos e diversos objectos, alguns vindos da infância. Matilde então surgia toda inteira, varria a amargura e sorria-me com os seus olhos de menina, voltava a ser a "laranjinha" de sua mãe, a mesma que um dia recebera de presente a Januária. Conversávamos muito e ríamos, enquanto bebericávamos chá, servido em bule de porcelana, provavelmente da China, ou talvez não. Uma vez abriu uma garrafa de Porto com mais de cem anos e brindámos, brindámos a muita coisa, e rimos. Quantas vezes, nessas tardes, Matilde deixou ver o seu finíssimo humor, a sua certeira ironia, a sua delicada crítica a situações e pessoas. E as histórias... E as anedotas... Com quem irei partilhar agora o que partilhava com ela?

Há pouco apetecia-me enfiar-me num buraco e enchê-lo com as minhas lágrimas. Mas não o fiz. Em vez disso estou aqui a partilhar convosco a minha dor.

A Capuchinho Cinzento dorme agora o seu último sono, talvez sentada «numa pedra cheia de musgo. [...] Nem uma rainha de outros tempos descansaria assim num trono de veludos!» Passaritos de cristal, «Cantem! Cantem! Não deixem de cantar», mas cantem baixinho para não a acordarem. E continuem a voar e a cantar para levarem a sua história, uma história «de claros segredos», aos quatro cantos do coração das pessoas.

F.R.M.

MATILDE!… E AGORA, MANUEL?… O «DESEJO ABSURDO»…

Matilde!…
Querida Matilde!…
Minha Querida Matilde!…

Ainda tiveste tempo para me dizer:
«Não sei do alfa, nunca saberei do ómega. Há um fraterno milagre que me ilumina o viver – meu viver já tão longo de dor e de esperança.»
E…
«ser melhor nesta seara humana, de sol e estrelas magoadas»-
Obrigado! Ontem, hoje e sempre!

Morreu hoje, 6 de Julho de 2010, a escritora Matilde Rosa Araújo,
um dos maiores clássicos da Literatura Portuguesa da nossa contemporaneidade. Quem o disse? Não muitos que o deviam:
é difícil ao espírito crítico vencer os mil limites e ultrapassar a ilusão do ruído envolvente.

E agora?
Vem aí a justiça a chegar, quero crer.
Crianças do meu país, posso acreditar?
Matilde Rosa Araújo, a crente nas nossas crianças!
Que amor!
Que crença!
Que vida!
Que dedicação!
Que generosidade!
Que entrega!
Que beleza!
Que saber!
Que grandeza!
Que lição!
L. V.

domingo, 4 de julho de 2010

FÉRIAS & LIVROS

Isto de férias também tem que se lhe diga.
Veraneava-se, ia-se a banhos, fazia-se a temporada na casa da quinta. Agora isso de férias, eram as férias escolares e pouco mais.
Por muitas razões e porque a economia estava assente na agricultura, na pastorícia e na pesca. No verão não se podia parar de trabalhar. Tinha de se parar era no Inverno, dados os seus rigores.

Vidas amarradas ao emprego com umas semanas anuais ditas de férias, só há umas recentes gerações. Hoje, Verão e Férias são noções que em muito coincidem.
Férias e Livros também já há alguns anos que vêm adquirindo coincidência. Nada mau!

Neste início de Julho a época de férias já está em grande.
E se, em vez de recomendar livros para férias, o livreiro velho preferisse saber que livros as pessoas andam a ler ou a desejar ler nas suas férias?
E se de vez em quando quem se convenceu de que sabe o que é bom para as pessoas, se pusesse a aprender com as pessoas o que é bom para elas?

Até poderia ser bom. Talvez o fosse para quem manda. E seria, certamente, muito melhor para todos.

Boas leituras de férias!

L. V.