domingo, 19 de setembro de 2010

ESCONDER-SE EM OUTONO

No Outono vai a Vida num esconder seus viços tão em ambiente de despedida que o convite ao silêncio não se ouve, sente-se apenas, no resguardo dos sentimentos.
L. V.

domingo, 12 de setembro de 2010

«Desfecho (…) mais decepcionante que o meu»

E continuo a citar ou transcrever:

«- Aí é que se engana. Com o entendimento dos espíritos esclarecidos e a preparação da consciência pública, a revolução será uma realidade concreta, transformada a sociedade no ponto de vista político, económico, e religioso!
-Gostava de partilhar desse entusiasmo, mas não é fácil. Aliás, já vi escrito em qualquer lado que uma única revolução é possível ou antes inevitável em Portugal: é a revolução anárquica da fome, mas essa não precisa que ninguém a promova, nem pode ser matéria de programas políticos.
-Todos passamos por momentos de desânimo – condescendeu Antero, por fim, antes de os dois se remeterem de novo ao silêncio.»

É de um conto: «O comboio inexistente». Com ele Urbano Bettencourt abre o seu recentíssimo livro Que Paisagem Apagarás que acaba de sair em Ponta Delgada numa edição Publiçor, uma autêntica preciosidade literária que, como é certo e decepcionante, por cá só será lido por uns quantos privilegiados, entre os quais felizmente me conto.
Literatura açoriana e ainda por cima editada nos Açores?
É melhor falar disso noutra ilha.
Aqui foi só para esta homenagem a Antero, na comemoração do desfecho da sua viagem, em 11 de Setembro de 1891, e para agradecer ao Manuel Urbano não apenas o livro, mas também esta preciosa página anteriana.
L. V.

domingo, 5 de setembro de 2010

O MUNDO DOS LIVROS E O OUTRO (2)

«Somos amigos», a Beatriz, o Gonçalo, a D. Fernanda, o Sr. José Ruy e muitos, felizmente muitos mais. «Tem bons amigos Senhor Medeiros» – o comentário da D. Fernanda, hoje, ao post que aqui deixei em 24 de Agosto p. p..
Agradecido: pela amizade, pelos comentários que aqui tem lançado e por este pormenor, trazer-me à promessa que significava o «(1)» junto ao título do post que comenta.
Este «(2)» parece um voltar, mas é só um remorso por não o ter conseguido como me propusera.

O título deste blogue, desde que o meu menino me fez sentar diante do seu computador e me disse: «escreve!», não me enganou: é uma bem colhida caricatura a que impagavelmente Pedro Vieira veio dar forma artística, tão correcta quanto a minha netinha apanhou.
Aceitei o desafio experimentalmente. Passaram mais de quinze meses…
E…?

Não sei bem. Por enquanto não me sinto na blogosfera como em ambiente que me seja próprio. Andava tão longe de imaginar-me nele!
O que sei é que ou se alimenta o blogue ou se tem a desagradável impressão de não prezar os amigos que se sabe que o visitam na expectativa de algo mais ir encontrando. Faz parte do estarmos vivos?
L. V.

sábado, 4 de setembro de 2010

MANUAIS ESCOLARES: ao redor da fogueira

«Estás mesmo velho e acabado! Não desistes, é? Mas não podes ignorar quanto vais de-sistindo. Foi já uma semana de muito trabalho com o atendimento dos manuais escolares. E este foi um sábado já muito cheio, a abertura das escolas a chegar e muitas crianças, adolescentes e seus pais a contar com o teu habitual desempenho razoável.
E mesmo assim vens aqui?»

Só por respeito a comentaristas e visitantes aqui venho, embora apenas para dizer que estou atento. E muito desejo contribuir com as minhas achas para a fogueira, mas tem de ser daquelas que sempre foram para mim de enlevo e proveito. «Ao redor da fogueira / vimos ouvir os conselhos /(…)».
Não, não desejo, de modo algum, que a minha falta de tempo e forças alguém a creia  um silêncio preferido.
Ao redor da fogueira, vale a pena reflectir sobre este tema dos manuais escolares. E muito para além do meu desabafo num dia em que de novo a comunicação social de maneira insensata, como de costume, ano após ano por esta altura,  aborda o assunto.
Tragam as vossas achas!
Uma «notita» mais: posso?
Podem dizer-me que sem razão, mas penso, efectivamente, que estou entre as pessoas com alguma obrigação de ter um razoável conhecimento da evolução do assunto  manuais escolares em Portugal nos últimos cinquenta anos, talvez até um pouco mais. Qualquer dia já não estarei em condições de dizer seja o que for sobre seja o que for. E agora, já que ainda estou por cá? Não creio que vá fazer grande diferença seja o que for que diga. Portanto, é só convencerem-me de que não percebo nada do assunto e também de que não vale a pena fazer o que se pode, por pouco que seja, enquanto se está vivo e se acredita que o bom futuro das nossas crianças é o melhor investimento dos nossos desejos e dos nossos esforços. Por agora,  desejo voltar ao assunto logo que possa.
L. V.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Longe de um Setembro Antigo

Setembro, agora, é mês de fazer o que só quero. De modo algum o que gosto. Talvez, por isso, o Setembro da infância  me aparece aqui para deliciar o dia com a feliz recordação.
Só pode devidamente avaliar, quem foi criança na ilha, vendo o mar do alto da aldeia a cerca de 300m de altitude e altas rochas, e que  em Setembro ia, em família, para tão ao pé do mar que o quebrar da vaga e a música do calhau a rolar lhe embalavam as noites. Oh!
Admiráveis caranguejos! Como eles corriam com a mesma facilidade numa direcção ou na direcção contrária sem rodarem!
A criança admirando.
No regresso das vindimas, quase a chegar o mês de começar a escola!  A escola: com que gosto!
Setembro, agora, com as escolas. Oh! As crianças! É o que compensa.
L. V.