segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CITAR! CITAR! «POIS O QUE EU QUERO É…»

Felizmente – e digo-o assim por mais que as responsabilidades comecem a presentear a cabeça com as naturais e tão cremosas dores de cabeça(!) – já vou conseguindo sair deste pasmacear em que…
Mas isto tem que ser devagar, dizem eles, os amigos que me querem continuar a ver por cá
e no marulho
dos livros e seu barulho.
É por isso que  cá estou,  permanecendo e voltando…

Como se tem notado em excesso, vou petiscando umas leituras que… e deitando aqui ao ecrã umas linhas que…
E acho que alguma abençoada mão tem posto no caminho de um trôpego algumas preciosidades.  Contrabalançam com as evidências brutais que a vida nem sempre se encolhe de nos meter pelos olhos, pelos ouvidos e, agora também, pelo nariz dentro…
Ora aqui está esta preciosidade,  que hoje me veio pôr nas mãos a minha querida sócia:
Motivos de Novo Estylo, Fidelino de Figueiredo, Bibliotheca de Ensaios n.º1, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1930.

Nunca mais acaba de surpreender-me este intelectual português que tão perplexo me traz de há muito, como livreiro e curioso das coisas do pensamento?
Perplexo por não chegar a perceber como é que nem entre a nata da nossa intelectualidade há muito quem leia e estude a obra de Fidelino de Figueiredo.
Já sei! Tive quem mo explicasse. Nem tudo se lhe perdoou. Certas más companhias, por exemplo.
Mas vamos lá a ver: não devo nada nem a parentes nem a aderentes. Conhecia Fidelino de Figueiredo somente das aulas de Literatura daquele tempo dos dezasseis-dezassete anos com o Cónego José Augusto Pereira em Angra do Heroísmo. Alguma vez imaginava toda esta vastíssima parte da sua obra, este ensaísmo de tão puro e original ensaio?! Acaso, curiosidade, atenção de livreiro ao disponível mesmo que abandonado e amarelecido E depois…

E depois, MAIS NADA! Não me compete a mim fazer o trabalho que aos intelectuais do meu país é que se deve exigir, porque deles é necessário que se espere.
Pronto! Desculpem… Está dito.

«Como vês, ó leitor transido de decepção, todo este philosophal arrazoado nada mais é do que o lindamento ou a balisagem duma posição. Nem programmas, nem esboços de leis, nem bulha em tôrno do orçamento – o eixo tabú da vida portuguesa!
(…)
Pois o que eu quero é que Portugal forje tambem o seu typo novo de humanidade, o “português europeu”, seculo XX, pela assimilação da cultura, pelo recebimento de vibrações novas, pela cooperação na tragedia creadora do espirito contemporaneo»
(Págs. 101 e 103).

Tenho de ir! Mas apetece voltar. Vou cá encontrar alguém que me diga a sua razão de não ler Fidelino de Figueiredo?
L. V.

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