quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

LER «O JARDIM» À ESPERA DE «PARÁGRAFOS»

Peço-vos o favor de lerem comigo, mesmo que já tenham lido sozinhos, este parágrafo sobre o jardim luso-americano:

«As flores são coloridas e os jardins misturam-nas sem preocupações de matizes ou combinações, ao contrário do que é vulgar ver-se nos jardins americanos, cujas flores são geralmente monocromáticas ou, quando muito, bicromáticas. Na policromia portuguesa predominam as cores quentes, e as flores preferidas são as rosas, dálias, sécias e palmas, como nos jardins em Portugal, e cada vez mais se encontram hortênsias, trazidas dos Açores ou recebidas dum vizinho ou familiar.»

-É…?
- Já digo. Vou só ver  a nota 4 referente a este texto no fim do volume: «Sobre isto escrevi um texto, ainda inédito: “Hortênsias sem visto”».

É assim:
Onésimo Teotónio de Almeida, O PESO DO HÍFEN – Ensaios sobre a experiência luso-americana, Lisboa, ICS – Imprensa de Ciências Sociais, 2010, «O jardim como extensão da casa-de estar», pág. 91.

É logo o segundo, este de «O jardim…»,  dos treze ensaios aqui reunidos.

Curiosíssimo, este ensaio, neste conjunto! Curiosíssimo já em si, antes, no donde vem e onde aparece.
Trazido para aqui permite, de facto, uma leitura nas mesmas letras de muitos mais sentidos. Que?…

É só este o «que»:
o livreiro velho a lembrar aos leitores de Onésimo Teotónio Almeida,  se ainda não respigaram as preciosidades de O Peso do Hífen, que não adiem muito mais, porque vem aí novidade e não é apenas uma colectânea dos seus ensaios sobre Fernando Pessoa:

Onésimo Teotónio de Almeida  na entrevista ao Correio dos Açores anunciou, também para este ano de 2011, um título que só por si, em sua originalidade, nos deixa imediatamente atentos e curiosos: PENTEANDO PARÁGRAFOS.
L. V.

1 comentário:

  1. Meu caro Manuel:
    Obrigado por estes piropos simpáticos e amigos acerca do meu livro.
    Isso dos jardins acaba tendo muito mais a ver com a hifenação que acontece aos emigrantes (luso-americanos) do que se pode imaginar e constitui algo simbólico e profundamente revelador. Se desse contigo uma volta aqui por estas vilas e cidades americanas e te apontasse "in loco" as diferenças, teria muito mais efeito. Podes crer porque já o fiz muitas vezes a vários visitantes.
    Quanto ao livro que se segue, o título será "Despentendo Parágrafos". Quem falou em "pentear parágrafos foi o saudoso Zé Cardoso Pires. No seu "Dinossauro Excelentíssimo" dizia que "os lentes de Coimbra passavam o dia a pentear parágrafos". Um diaeu disse ao Cardoso Pires que tencionava dar a volta a essa bela frase e fazê-la título de um livro. Ele ficou à espera, todavia acabei nunca mais tratando disso. Acho que vai ser agora.
    Abraço do
    onésimo

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