domingo, 30 de janeiro de 2011

«ÓBVIAS RAZÕES»

A mensagem para a roda de amigos. 
Um pedido de licença para a trazer inteira aqui para o Chapéu e Bengala.
A resposta pronta:
Não tenho qualquer objecção.
Abraço
Onésimo.

A roda dos visitantes do blogue.
O gosto que estes terão, não duvido, 
em ler este apontamento diarístico,
tão ao estilo característico do seu autor.
O seu autor, Onésimo Teotónio Almeida, 
um nome cada vez mais conhecido e admirado e estimado
no ambiente cultural, açoriano, português,
norte-americano, europeu, sul-americano e…
Obrigado amigo! E quanto a provocações: «a qual te referes»?
L. V.

Caros:
Esta vai, por óbvias razões, dedicada ao Manuel. Aliás, escrevi a pensar nele.
Grande abraço do
onésimo

 28 de Janeiro
A Barnes & Noble, uma das grandes cadeias de livrarias americanas, está à venda. Algo está também a perturbar a rival Borders. Não necessariamente porque se não vendam livros, mas a Amazon.com consegue pô-los nas nossas casas a preços bem mais acessíveis e num ápice.
Todos se queixam do desaparecimento do antigo livreiro, embora por aqui à volta continuem a existir bons alfarrabistas. O livro resiste e mutiplica-se como coelhos e eu que o diga que os tenho por tudo quanto é sítio na casa e não páram de chegar mais. Os alunos na aulas aparecem sempre munidos dos seus. Não vi ainda muito divulgado entre eles o uso de edições Kindle. O assunto é tema de debates frequentes e ainda ontem li outro artigo em The New York Review of Books sobre isso: “Books” Onward to the Digital Revolution”, do famoso Jason Epstein, durante muitos anos director da Random House.
Coincidentemente, também ontem fui a uma reunião à John Carter Brown, uma das mais famosas bibliotecas americanas sobre o Novo Mundo e que tem a melhor colecção de livros sobre os descobrimentos portugueses fora do mundo lusófono (ficará toda digitalizada este ano). Criaram um programa de promoção do livro antigo para interessar mais os alunos por ele e convocaram uns quantos professores a fim de servirem de transmissores da mensagem. Não esconderam que, entre os objectivos, havia também um remoto: apanhar os jovens em idade de se interessarem a sério pelo livro antigo de modo a que daqui a cinquenta anos, quando estiverem bem da vida e sentirem saudades dos seus tempos de juventude, possam contribuir com dinheiro que assegure a manutenção de bibliotecas como a JCB e a John Hay, outra biblioteca da Brown, essa dedicada ao século XIX e primeira metade de XX, especializada em poesia e teatro americano e manuscritos de escritores (está lá o espólio de José Rodrigues Miguéis). Do programa de palestras para este semestre retiro um título: “Books and Writing in the digital environment – How to use sports, Shakespeare, and particle physics to predict the future of publishing”, por um tal Andrew Losowsky, que desconheço.
Provocante e prometedor. Lá estarei.
Ora este “provocante” foi escolhido de propósito pois, na descrição dos objectivos gerais do programa, vem anunciado que o tal Losowsky está contratado pela biblioteca como “Provocateur-in-Residence”. Por aqui há “poets-in-residence”, “writers-in-residence”, “artists-in-residence”, mas “provocateurs” é novidade. Na reunião fiz mesmo um comentário sobre os sinais dos tempos. Quando eu era estudante de pós-graduação “provocateurs” era o que menos faltava nas universidades. Agora, se querem um, têm que pagar por ele. O riso gerado, tomei-o por concordância.
Mas lá estarei a 2 de Março para ouvi-lo sobre um tema tão provocador.

Onésimo Teotónio Almeida

1 comentário:

  1. Manuel, meu caro:
    Não te sabia capaz de tamanhas hipérboles. Isso é que é ser criativo a inventar uma personagem dessas! Se escrevesses ficção terias futuro.
    Obrigado pela amizade.
    Um abraço do
    onésimo

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