quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

OS «ESTREITOS CORREDORES ENTRE AS ESTANTES»

Uma simpática visita, esta e de hoje, da personagem Eduardo Gregório. Como nem nomes nem desenhos fisionómicos são o meu forte, ainda ia dando mais uma das minhas barracas, mas como sempre a minha habitual salvadora e grande dominadora da coisa literária, orientou-me as lembranças. E…
Cá está ele! Em grande!  «Ernesto Gregório, clássico»: «Leitor compulsivo de Borges, o seu sonho era tornar-se um outro Pierre Menard. E (…).
Ao dar por concluído o trabalho (…)».

Hei-de, entretanto, saltar para outra dele, do Ernesto Gregório, sobre a quadra do gato! Quem perdeu isto, perdeu tudo!
E há mais...

Que livro é? Como já andava há dias nas proximidades, foi só estender a mão, e aqui o tenho, aberto, o Que Paisagem Apagarás, de Urbano Bettencourt (Publiçor, Ponta Delgada, 2010).
Já leram ou pelo menos já tomaram nota para virem a ler, senhores directores das repúblicas das letras?  Ai, não? Pois confirmo: não sabem o que andam a perder!
Mas, mas… 

Não cedo a ninguém o meu direito de acusar. Mas não sei a quem. Por um lado, desconhecer assim uma parte tão preciosa da literatura portuguesa, a açoriana…, e, por outro, apesar das tentativas já feitas não terem conseguido resultados compensadores, os açorianos que o devem, não acreditarem em que…

Quem acusarei? O mais acertado é capaz de ser isto: parte-se ao meio a acusação. Cada lado poderá assim, satisfeito, culpar o outro. E, ao fazê-lo, talvez , «entre as estantes», se encontrem uns e outros e…
Porque nos «estreitos corredores» em que afinal  os livros circulam, faz pena que continuem sem se encontrarem.
«Estreitos corredores»: outra excelente personagem: R. Blaine:

«Enquanto R. Blaine percorria os estreitos corredores entre as estantes, uma vaga música com sabor a África ou a Brasil escoava-se das prateleiras.
(…)
E, mesmo sabendo quão longe se encontrava de Casablanca e da possibilidade de chamar-se Richard Blaine, R. Blaine pôde, finalmente, compreender como a ficção, apesar de bem mais simples do que a realidade, possui o indizível dom de lançar luz sobre as sombras e as secretas dobras da vida».


Assim mesmo! Porque aqui nem uma crítica nem uma apresentação, por mais sucinta,  se há-de ver. Apenas uma acusação.
L. V.

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