domingo, 27 de fevereiro de 2011

«ACENDESTE A LUZ/ PARA ME VERES A CARA»

Não é fácil!… 
É que não foi mesmo assim tão fácil, vir a cumprir uma promessa.
Isso porque…
Não é que fiquei preso, como nunca dantes, por gosto e curiosidade, à leitura e releitura da poesia de Helder Moura Pereira?
E sem largar para escrever a propósito! 

«Vi estrelas quando a cabeça/ embateu com estrondo na trave/ da realidade, mas não fiquei com cara/ de poucos amigos, até gostei./ (…) E mesmo que eu escapasse dessa/ logo depois não escaparia à cova/ no chão, disfarçada com ramos, e terra,/ e folhas espalhadas. Acendeste a luz/ para me veres a cara e viste/ um lugar obscuro e todo vazio.»

Ora, perante isto!...: «O computador que espere!».

Assento-me «numa cadeira/ final, com vista para o silêncio» e volto a ler o mesmo poema, o último de Se as Coisas não Fossem o que São.
Que não começa com estrelas e estrondo, começa com quê?, não sou eu que tentarei explicar, ora essa!, a poesia não se explica, lê-se e… diz-nos o que tem a dizer-nos ou nada nos diz, se nada tem para  nos dizer, é falsa, ou se não estamos capacitados para a sua linguagem.

Volto, pois, e é assim o que leio:
«Do frio e da indiferença para o jogo/ ao rubro, de uma noite para a outra/ o grito de Ipiranga, a minha revolução/ de Outubro».
Com este último poema reinicio o balanço às minhas impressões da repetida leitura do livro e ponho-me a compará-las com a de outros livros, ao menos esta meia dúzia deles que espalhei no sofá, de uma obra que já ronda os trinta. Com o sofá ocupado, a um deles é que fui buscar a «cadeira/ final com vista para o silêncio». O que diz «uma cadeira final com vista para o silêncio»?
Comparar o que Helder Moura Pereira em tempos me disse com o que me diz agora. E concluir:
«UM MESTRE EM SUA ARTE!».
Um mestre nos vários intentos a que, com ou sem intento do próprio  poeta, este poetar me prende.
Não, não entendo bem o que pretendeu o simpático premiado António Carlos Cortez. Como? Que poesia é uma linguagem?!
A poesia é uma arte que tem uma linguagem. Sem ela - essa sua linguagem, a linguagem poética - outra seria a conversa.
Uma qualquer arte tem sempre a sua linguagem. É a obrigação do artista: criar, com uma linguagem, a obra de arte. Que o é pela revelação da beleza.
A beleza da obra de arte!
Que está para além da linguagem, creio entender...
Tal como a beleza de um pôr-do sol, essa «obra de arte» anterior, está para além do movimento de rotação do planeta que somos, a nossa Terra.
( Era inevitável… Já cá está a tal pergunta: «Excedi-me?».)
L. V.

P. S.
«Não é fácil!…» e posso provar, creio bem:
«Tristonho por causa de uma solidão/ que está longe de ser única. Agravou-se/ a condição dos nossos dias, há o deserto/ para explicar ao que isto chegou». 
E no entanto vai sendo tempo de se estudar a fundo a poesia de Helder Moura Pereira.
António Carlos Cortez, precisamente o « jovem» poeta que recebeu o Prémio SPA no passado dia 22, como vimos, sendo como também é um conhecido estudioso da nossa poesia, propôs, a quem se quis inscrever no seu Curso de Poesia Portuguesa Contemporânea na Faculdade de Letras, debruçar-se, no dia 7 de Abril p.f., sobre a poesia de Helder Moura Pereira. Achei interessante dizê-lo aqui.
L. V.

1 comentário:

  1. Meu bom amigo Dr. Medeiros, há a acrescentar à lista de Feiras do Livro no Brasil, a importante «PAN-AMAZÓNICA DO LIVRO» em Belém do Pará, que perfaz este ano de 2011 a sua 15ª edição. Ocupa uma área de 36 mil metros quadrados, num antigo hangar de aviões, muito bem adaptado para Centro de Convenções e tem em cada ano um país convidado. A frequência é impressionante com uma participação de jovens, notável. Em 2009 tive a grata satisfação de apresentar lá uma exposição de todos os meus livros publicados e de fazer uma palestra com Powerpoint sobre o meu trabalho. De resto foi a única presença portuguesa, pois Portugal não esteve representado. Pra quem estiver interessado deixo o endereço para consulta:
    www.feiradolivro.pa.gov.br
    Um abraço de admiração
    José Ruy

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