domingo, 13 de fevereiro de 2011

ÉMILE CIORAN: 1911-1995

O livreiro a escrever sobre Cioran? De modo algum! A tanto não se atreve. A única coisa que conta, para aqui, é que o livreiro não foge a pensar a partir do que e de quem o faz pensar. E Cioran foi/é um provocador muito poderoso para quem sofre da tendência para pensar, muitas vezes dolorosa, outras não.

O centenário do nascimento do escritor romeno-francês Émile Cioran ocorre neste ano de 2011.
Quatro dos seus livros, que conste, traduzidos entre nós: dois antes de 1995, ano da morte do pensador, e outros dois recentemente: 2009 e 2010.
A Tentação de Existir, Relógio D’Água, 1988.
História e Utopia, Bertrand, 1994.
Silogismos da Amargura, Letra Livre, 2009.
Do Inconveniente de Ter Nascido, Letra Livre, 2010.
Não é muito abonatório da nossa leitura colectiva, pois não? Décadas depois de a obra já se ter tornado marcante.
Mas é preciso pensar no atraso em que o universo editorial português se encontrava no início dos anos oitenta, em relação a obras de pensamento.
Melhorámos muito, o que não quer dizer que…

E sobre Cioran, entre nós e nosso?
Fernando Gil, uma colecção, o n.º 5 da colecção,
o título,o autor:
de João Maurício Barreiros Brás, O Pensamento Insuportável de Émile Cioran, coleção Zétesis, dirigida por Fernando Gil, na Campo das Letras, 2006.
Uma palavra sobre cada pormenor? «A tanto não me atrevo»! Agora para não me alongar. Mas posso dizer, também eu e também neste caso da minha aproximação ao pensamento de Cioran, que as coisas acontecem de modos que ultrapassam a fantasia.

E por agora só mais uma palavra.
Seria bom que  O Pensamento Insuportável de Émile Cioran não fosse neste momento um livro difícil de encontrar nas livrarias. Não o encontrando, não me consta de outro, nosso, que possamos ler.
E, seja como for, o profundo mergulho no pensamento de Émile Cioran que nos permite este livro de João Maurício Brás é notável e não é substituível por um qualquer.
L. V.

P. S. 
Gostaria de voltar, agora com transcrições de O Pensamento Insuportável de Émile Cioran.

2 comentários:

  1. Meu caro Manuel:
    Tudo certo. Mas toma cuidado. No teu estado actual de saúde não te deves dar a luxos desses de mergulhar em leituras desse teor. Isso está bem para gente saudável, cheia de garra e gosto pela vida e com mil projectos em mãos, como o João Maurício Brás. Tanto pessimismo (se bem que cheio de imenso realismo) pode escurecer-te os dias e tu precisas é de sol, oxigénio, bom peixe de Setúbal, amigos, da companhia dos teus netos. E, se tiveres oportunidade, uma boa conversa com o João Brás.
    O abraço do
    onésimo

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  2. Caro Manuel Medeiros muito grato pelas suas referências a Cioran e ao livro sobre Cioran. Se lhe for possível passarei por Setubal para lhe dar um abraço e podermos falar com mais tempo, que naquele encontro fortuito. Já agora, Cioran é terrivelmente enganador, sendo um homem do paradoxo era um terrível amante da vida, náo só da vida boa, como da boa vida.
    abraço grande
    João B´ras

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