sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

PROMETER E… AO DEPOIS…

«Depois falamos. Prometo».
Não sei se fiz bem em prometer…

Porque é que uma pessoa não aplica a concisão com a mesma diligência e naturalidade com que tira o bocado de carne que se meteu entre os dentes? 
Talvez porque…
Não há dúvida de que se lá entrou foi porque havia espaço. E diz-se, sempre ouvi isto: «o que já está, já está!».
Diz-se, mas não concordo. Embora seja o que faço e torno a fazer: deixo-me sempre levar pelo vício das palavras…
Mas não concordo nem me defendo. O que defendo é a importância da concisão. 

«Prometo»! Este «prometo» para quê? Não bastava dizer «depois falamos»? Ao ser já um agora, esse depois, se não me  apetecesse falar ou pensasse que ou já que… 
O  Prémio SPA de Melhor Livro de Poesia de 2010 foi, dos três nomeados, para o mais jovem, ainda com a obra a começar. Arranjava facilmente desculpa com um qualquer «se». Falaria, mas se… 
«Se» isto ou «se» aquilo! Como, por exemplo, se o premiado fosse Helder Moura Pereira…

Teoricamente, sou de facto um adepto incondicional da concisão, praticamente  já é discutível… 
Mas neste caso, desculpem, é só conversa. Este  puxar-me as orelhas é a fingir.
Com ou sem prémio, desejava de há muito escrever aqui duas palavras sobre o livro do nosso Helder Moura Pereira.
Por todas as razões que me dá o grande nível artístico do poeta. Mas também e muito porque…

Sou ou não sou um livreiro setubalense? Já velho, sim, está à vista, mas não menos dedicado aos valores desta terra que adoptei e me adoptou.
Setúbal tem de ler melhor este poeta ilustre que é um seu ilustre filho. E, evidentemente, não apenas Setúbal. Helder Moura Pereira é um dos maiores poetas portugueses da sua geração e não são os prémios mas os seus livros que o demonstram.
Continuaremos, portanto.E sem ser necessário prometer. 
L. V.

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