domingo, 20 de fevereiro de 2011

«SE AS COISAS NÃO FOSSEM O QUE SÃO»

Cheguei à chamada encruzilhada,
esse ponto em que só há caminhos
que não fazem parte do mapa.

Cheguei lá um pouco tristonho,
com pouco na cabeça e muito no coração.
Para onde parto, que cara ponho?

Meti-me numa grande alhada,
tal como daquela vez em que fui aos ninhos
com o amigo João Manuel dos Santos Lapa.

Foi, pode dizer-se, uma tarde de sonho.
Anedotas picantes, marmelada no pão –
e o haxixe daquela época chamava-se medronho.

Tinha medo que caíssem em cima de mim
e por isso era a mãe no jogo do alho.
Onde actualmente é o Estádio do Bonfim.

Os caminhos eram quatro, fiquei parado
no meio anos a fio, a mirrar, a mirrar.
Às vezes distraía-me e era atropelado.

Não vou dizer tudo tintim por tintim,
mas digo que gostava de ser Cláudio Corallo,
a fazer chocolate em S. Tomé e Prín-
cipe.

Como não posso vou ficar aqui parado,
a marcar passo no mesmo lugar.
Tenho mais que tempo para fazer um bordado.

Helder Moura Peraira
Se as Coisas não Fossem o que São
Assírio & Alvim, 2010

É amanhã, portanto: 
21 de Fevereiro de 2011 – 21h.
II GALA DO PRÉMIO AUTOR 2011
Parceria SPA com a RTP
Centro Cultural de Belém
Transmissão em directo

Nomeados para
MELHOR LIVRO DE POESIA DE 2010

Depois de Dezembro,
António Carlos Cortez

Se as Coisas não Fossem o que São,
Helder Moura Pereira

Escarpas,

Gastão Cruz

Depois falamos. Prometo. 
L. V.

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