sábado, 12 de março de 2011

«TODA A GENTE NOS OUVE»

Que grande manifestação!
Sábado, 12 de Março de 2011.
 
A repórter interpela-os:
«um que quer ser médico,
outro que quer ser músico,
e um outro que quer ser gestor».
Jovens,
os jovens,
em nome dos jovens.

As televisões, todos os canais, os canais com toda a importância?
Mesmo sem a força toda, dá para do meu canto ver e perguntar:
quem não quer perceber isto?

Se aos jovens, a estes jovens, se pergunta:
«e quem é que esperam que vos ouça?» -  ouvi perguntar! –,
eles não respondem do modo que talvez ainda se esperasse.
Não se confiam aos presidentes, aos ministros, aos deputados, aos directores, aos ensinantes, aos patrões, aos financeiros, aos  fabricantes de opinião encartados. Estes e quaisquer outros donos de poder, que entre si criaram e vão legitimando uma situação insustentável, serão ainda quem se espera que ouça? Também, mas devem apressar-se, ao menos aqueles que saibam ouvir. Porque o que ouvi é profundamente significativo.

Bela surpresa, esta resposta!
Dada com uma simplicidade, autenticidade e autoridade admiráveis: 
«TODA A GENTE NOS OUVE»!

«Mas isto é comigo?
Toda a gente?
Também é comigo!» 
Senti. E foi muito bom senti-lo.

Um jovem, quando diz isto, é muito mais do que um reclamante. Se fosse tunisino, egípcio ou líbio, o que significaria o seu protesto?
Que estava contra as ditaduras.

Era, não era?
E o que é que significa, no caso do nosso jovem?
Que quem governa em democracia pode afinal governar com a mesma falta de respeito pelo poder democrático, como qualquer ditador ou por aí perto?

-« Fui eleito, quem manda sou eu!»
- Muita calma! Nenhum poder, ao ser eleito, é teu, senhor eleito! Tu próprio és um eleitor e esse é que é o teu poder próprio. Democracia, por favor, no teu modo de pensar!

Se toda a gente é agora quem ouve e aprova o protesto, não será uma sociedade inteira que está a sentir, pelo menos começando a sentir, que o poder, embora ainda dito democrático, já não é assim tão democrático?
Os políticos e os tachistas de uma maneira governam para si e  de outra, bem diferente, para toda a gente». Esta é uma característica não democrata, quer em democracia quer em ditadura.

-«Mas nestes políticos é que os cidadãos votaram e votarão.»
- E que remédio?!  Uma alternativa a acontecer sem gravíssimas perturbações?
Um ditador é muito difícil de apear. Porquê? Porque tem os seus apoios bem montados.
Uma classe política tem apoios muito fortes. Os políticos disputam o poder entre si, mas não contra si. Os apoios, por isso…
O que torna muito difícil uma profunda mudança.  

Vitorino, o cantor:
«Faz-me lembrar o 25 de Abril» – acabo de ouvir na RTPN!!!
Posso ficar por aqui? É chave de oiro!

Embora pense:
«Foi a grande oportunidade oferecida aos políticos por «toda a gente». A «toda a gente» que apoiou os Capitães de Abril e que foi fundamental na revolução. 
E depois aconteceu que…
E que…»

Espero muito,  de há bastante tempo a esta parte, de gentes novas que andam a ler o que o livreiro sabe.
Admiram-se, incrédulos, os da minha geração: « Os jovens? Mas isso são poucos!».
São mais do que se pensa. Os donos do presente não lhes merecem confiança. 
Não os vêem nem os ouvem.
Desta vez, porém…
Vamos a ver! Vamos a ver!
E era bom!
L. V.

2 comentários:

  1. Obrigado por tão belo texto. Acabei de chegar de lá com a minha mulher e os meus filhos. Não consegui ficar em casa. Bela mistura de gentes, de idades, de condições, de credos, de opções ideológicas... muitas famílias inteiras, à rasca, mas confiantes num futuro diferente. Abraço, LG

    ResponderEliminar
  2. Não é para dizer mais nada. Só isto: que me surpreendeu em comoção o seu comentário, mas não a notícia da vossa participação, porque sem nada saber até sabia e pensei que.
    A coerência é qualquer coisa!
    Gdr. Abr.
    MM

    ResponderEliminar