terça-feira, 5 de abril de 2011

«EM TI HAVIA A AVENTURA DA VIDA»: a Sebastião da Gama disse Matilde Rosa Araújo

            Dedico este post aos alunos de Sebastião da Gama das três
           escolas onde foi professor,
grato por tudo quanto eles,
           há 25 anos, me fizeram olhar.
Em Azeitão, a 10 de Abril de 1924, nasceu Sebastião da Gama.
10 de Abril:
DIA DA ARRÁBIDA E DE SEBASTIÃO DA GAMA.
João Reis Ribeiro insistiu, honra lhe seja; a Câmara Municipal decidiu, apoiemos e realcemos.
Muito bem!

10 de Abril de 1986. O primeiro 10 de Abril destes 25 anos. 
«Eu vi!»
À noite, no Coro Alto do Convento de Jesus em Setúbal, sessão inaugural da Evocação de Sebastião da Gama que se prolongou até 10 de Maio.
A oradora é Matilde Rosa Araújo. Traz  a sua oração escrita em folhas A4 dactilografadas por sua mão. No fim vai oferecê-las a este vosso criado que finalmente lhas devolveu publicadas, como sempre entre os dois estivera previsto, em Papel a Mais, para mútua alegria e poucos meses antes da última conversa:
era ainda 2009.
Ah! Abril, Abril!:
«Não sei do alfa, nunca saberei do ómega», dissera-me a Matilde em 20 de Abril desse ano já tão distante…

Traz a sua oração escrita, ia eu a dizer,  e começa a lê-la…
Que extraordinário começo! E como lê-lo, neste 25.º aniversário de o ter ouvido na voz de Matilde Rosa Araújo, sem lhe encontrar os múltiplos sentidos e corresponder com fundas emoções?
Dói tanto! Por pouco…  
Sem mais comentários:

«É tão difícil começar, Sebastião. Que posso eu vir dizer de ti?
Olho para trás no tempo e tudo parece tão presente num tempo e num espaço que, naturalmente, já não são os mesmos de então. Mas isso não recusa a imagem.
A nossa vida só é nossa vida porque os outros existem. Com a sua dimensão cristalizam o que somos, reinventam a essência do nosso ser. E percebe-se melhor esta importância vital dos outros quando escalámos já a montanha de décadas longas vividas, já estamos a ver o lento (será lento ou rápido?) adormecer do Sol.
Tudo, então, tem a nitidez não da luz deslumbrada, mas da luz que se pensa e mede porque a noite vem próxima. E, nessa luz,  estão singularmente os amigos na envolvência fraterna que, se é de uma saudade que dói, é, também, de um grato entendimento de tudo quanto nos fizeram olhar».

(«SEBASTIÃO, A QUE É QUE SABE A VIDA?» in Papel a Mais, R. V., p. 201)
L. V.

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