quinta-feira, 21 de abril de 2011

INTERLÚDIOS - III


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REGRESSO À ILHA


recebo o poema como quem escuta uma voz perdida que vem dos longes voz de alguém de quem será

não são as palavras que recebo mas somente uma mensagem de presença sinto-a e descubro um sentido que invadiu a paisagem por onde o meu olhar se estende

digo «sim» ao dilema que me bateu à porta abre deixo-o entrar a dividir-me como se dois amigos meus entre si divididos viessem solicitar a minha concordância qual deles a teria

ou fico ou embarco nos sentidos resolvo não tomar uma decisão apressada estendo a mão para melhor sentir de que lado vem esta brisa ténue que está de passagem e torna suave a luz da tarde

altura tão apropriada para um regresso à ilha

se ela me pedir os olhos para aquela imagem que vai por entre as encostas e ravinas tão verdes no imenso verde de minh’alma do miradouro da tronqueira até ao mar eu vou lavar-me em lágrimas nessa tarde iluminada por um resto de sol

se assim for ah! se assim for quem aí poderá impedir-me de assossegar com as lágrimas paz-e-harmonia do verde-azul da ilha esta tristeza da grande dor do mundo
R. V.
Setúbal
21.Abril.2011

2 comentários:

  1. Magnífica foto em que os verdes da ilha foram devidamente captados.
    Abraço.
    onésimo

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  2. Afinal não és apenas «também» um apaixonado fotógrafo pois que vens aqui como admirador de uma excelente fotografia. Não soube dar-lhe o copyright mas depois digo-te a quem podes dar parabéns. «Depois» só porque aqui e agora o que me faz uma certa falta é saber do homem de letras que «também» és se o texto se consegue ler bem assim, sem qualquer pontuação... Haverá quem diga que sim, talvez mais quem diga que não e eu nem sei nem deixo de saber qual a minha própria opinião...
    MM

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