domingo, 10 de abril de 2011

«PRA QUE O DIA FOSSE ENORME, / BASTAVA…»

Por favor, não desistas só porque…
Nem mesmo quando…
Assim, poderemos deixar que o invada, o silêncio, uma música de fundo apropriada para procurarmos e relermos, no Serra-Mãe, o poema de Sebastião da Gama que lembra o seu primeiro 10 de Abril, o de 1924:

PEQUENO POEMA
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
(…)
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
(…)
P’ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…

Ficar-me por aqui?
Nem me consinto nem consigo, acredites ou não!
Vou além do Serra Mãe, na leitura de hoje, mas, mesmo que não fosse, é como podes ver, em mais esta página:

ROMÂNTICO
(…)
Chorem os outros, Morte!, a dolorida
minha hora final.
P’ra mim, que bom saber até ao fim
a que é que sabe a Vida!…

Juras que és tu quem está aí, a atender esta conversa?
Quero crer.
Tu mesmo, sem as camuflagens com que tanto  nos desentendemos do que somos para estarmos à vontade a dizer grandes coisas sobre os outros, sobre a sociedade, sobre a salvação do mundo e o futuro de tudo isto que vai acontecendo e «desacontecendo»… Ou, talvez, em mais curtinho, a julgar que… A julgar!, sabes como é…
Quero crer que és tu e em contigo mesmo. 
Portanto, posso dizer, pois que tu, ao menos tu…

Porquê o 10 de Abril?
Para que se esquecesse o 7 de Fevereiro?
De modo nenhum!
O  dia 7 de Fevereiro de 1952  foi o «quando» para o  beijo que justifica o título de «romântico» do poema supra citado: «chorem os outros», consente Sebastião da Gama.
Faz-me impressão, grande impressão, este consentimento. Foi um ter a consciência de que era inevitável que o chorassem os outros, de tão querido e admirado que era por quantos ia tocando com sua alegria de viver?

«SEBASTIÃO, A QUE É QUE SABE A VIDA?»
«É tão difícil começar, Sebastião.»
Este voltar à «oração» de Matilde Rosa Araújo no Coro Alto do Convento de Jesus em Setúbal, faz hoje 25 anos, é porque tudo por aí, por essa oração,  fica explicado. Escrita para a oralidade da dita sessão inaugural da «Evocação», até à publicação em livro não tinha título. Foi numa conversa de amizade da Matilde com Fátima Ribeiro de Medeiros, organizadora da edição de Papel a Mais, que o título apareceu. Uma referência extraordinariamente feliz e condizente ao sentir do poema «ROMÂNTICO».

Em vida e obra de Sebastião da Gama o amor à Vida e o canto da Vida são tão visíveis e audíveis que era indispensável concentrar nisso as nossas atenções: celebrar o dia do seu nascimento!

Pois! O título do meu post anterior: «em ti havia a aventura da vida».  
Hoje é devido transcrever da oração de Matilde Rosa Araújo o parágrafo inteiro:
«Eras moço não pela idade mas porque em ti havia a aventura da vida, uma aventura feita de ventura que caminhava sobre o abismo, era essa a tua alegria. Porque a alegria pode ter os acordes de Beethoven em ode luminosa irmã de heróica, trágica e sagrada».

Amor à Vida!
Que grande testemunho de Amor à Vida deu e nos deixou Sebastião da Gama! E desde tão novinho a ter consciência da sua precariedade… «Chorem os outros, Morte!».

É por isso que «hoje» é Dia da Arrábida, por menos que se faça por ela «hoje» (é assim que se demonstra o empenho na proclamação de património Mundial pela Unesco?):
porque Sebastião da Gama nasceu a 10 de Abril.  Dia que se celebra este desde há 25 anos (1986-2011).
Este ano também, em Setúbal e Azeitão. Um compromisso bom entre a Câmara Municipal e a Associação Cultural Sebastião da Gama.

«Juras que és tu?
Quero crer.»
L. V.

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