sexta-feira, 6 de maio de 2011

INTERLÚDIOS -IV

O NATURAL INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA
                 (...) - PRESSIONA SEM – (…)

«Não me empenharei em estabelecer a necessária diferença entre redundância e rotina porque me basta que esta vá prestando àquela bons serviços.

Viver exige alimento. A Vida na sua redundância traz-nos o pão quotidiano e com ele, tão renovadas quanto ele, a nossa verdade e a verdade do Nosso Mundo. Quem não nasceu à beira–mar e não aprendeu a ver a Vida e o Mundo à luz das ondas, talvez o mesmo tenha aprendido à luz das estações. Se teve tão pouca sorte que nem isso e não se quis matar, terá sido porque Vida e Mundo, com outras de suas infinitas formas de redundância, lhe vieram sustentando o natural instinto de sobrevivência.

Tudo já foi dito. Para respeitar a ressonância desta sentença através dos tempos, releio as «palavras de Coélet, filho de David, rei de Jerusalém» o Eclesiastes. Impressiona sempre. «Nada de novo». Serás, pois, necessariamente redundante. Se, porém, não deres tréguas ao teu esforço de concisão e sempre te mantiveres aberto a quanto, da Verdade, te escondem as certezas necessárias para que, apesar da tua grande ignorância, sobrevivas, o novo irromperá no acontecer, como dádiva da força criadora que traz uma mesma árvore das folhas caídas do Outono aos novos rebentos, verdes de Primavera. Melhora a tua leitura do que escreveu o Poeta: «Todo o mundo é composto de mudança / tomando sempre novas qualidades». O abraço em que, inseparáveis, o mesmo e o novo se revelam. Sempre que nasce uma criança aprendo que nem tudo já foi dito e que o já dito é chão propício onde o futuro se cultiva».
R.V.
In P. a M.,
Págs. 218-219

P. S.
Não era para ser, talvez nem devia ser, mas é o post que entrou.
Tem muita força, o que é! Muita mais do que o que tem que ser, pelo menos enquanto não for. E há a outra razão: a blogosfera tem isso. Faz pensar em «parar é morrer» e em «quem não aparece esquece». E também em que… 
Depois é assim: quem não leu, se quiser ler, vai ter a sua opinião;  quem se dispuser a reler, vai confirmar ou mudar a que tinha. Limitei-me ao vício das reticências por enfeite e efeito. Espero chegar ao dia de a ele, a esse vício, lhe agradecer uns favores… Se bem que vícios sempre são vícios, bem entendido. Uns melhores, outros piores… Mas disso… 
L. V.

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