quarta-feira, 18 de maio de 2011

NADA DISTO FAZ FALTA - II

1
a mesma chuva da noite fui à janela vê-la e continuo aqui a ouvir a sua música a mesma chuva lavando a manhã uma daquelas manhãs nevoentas em que tudo se torna assim tão próximo de si
2
aqui para nós que se isto ouvir quem está a apanhar uma molha não vai poder respeitar mas aqui só para nós podemos encontrar-nos por dentro na memória indelével dos dias antigos dias ilhéus brumosos marítimos que bem que faz um dia assim a quem encontra pela manhã este bocadinho do que para toda a vida ficou a ser
3
aí vai ele o dia e vem por dentro de mim à minha vida ou serei  eu pergunto  a ir em minha vida  a entranhá-la na sucessão e sendo que por sucessão é que o próprio dia é este novo dia compenetrando-se tempo e movimento e existência
4
e o que é devido é que não vá além da pergunta por ter clara consciência de que não percebo o suficiente de em que mundo estou nem do que sou e até saber quem sou é só até certo ponto
5
perceber-me em pergunta é já muito bom o que não quero deixar de apontar recuando um pouco para a distância que permita que veja o que aqui vai e então mo aponte da distância indispensável

e em definitivo o que aponto é a inutilidade deste modo de vida-agora-aqui não é triste não é isso tem aspectos muito bons mas é que não vale a pena fingir está à vista  que nada disto faz falta
V. L.

1 comentário:

  1. Olha para o que te havia de dar!
    Não faz falta o quê?!
    Imagina Setúbal sem o Manuel Medeiros!
    Abraço.
    onésimo

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