quinta-feira, 19 de maio de 2011

«OS POETAS TÊM UMA VANTAGEM EM RELAÇÃO AOS SEUS COLEGAS FILÓSOFOS»


FONTE DA PALAVRA - DA FILOSOFIA INUTIL - 10€

Gostava de falar com algum vizinho sobre este novo livro de João Maurício Brás, Da Filosofia Inútil, Editora Fonte da Palavra, Fevereiro 2011. Mas acho que nenhum… Nem sequer pergunto  a quem quer que seja, mesmo aqui…
Sou eu a exagerar em não querer afrontar as pessoas que não apreciam ler o que, por mim, não dispenso. 
Evidentemente! Rejubilaria se um leitor do livro comunicasse comigo e me propusesse  um irmos-por-aí de conversa sobre este caso não assim tão comum entre nós de vir um profissional do ensino das filosofias apresentar-se-nos neste modo de filosofar, talvez o mais atrevido e o mais arriscado dos modos mas que, se depurado, produz as obras magistrais  denominadas aqui e agora, se mo permitem, obras-de-pascal-pensamentos, isto para não ir a pensadores mais recentes, muitos deles também de escrita francesa e que João Maurício Brás conhece bem.

Rejubilaria…
E se, entretanto, eu fosse esta tarde à Buchholz participar na apresentação deste livro por Onésimo Teotónio Almeida?
Pois, é isso: «se fosse»…
Está diante de mim este muro alto e era preciso, além de braços e pernas, uma escada. Portanto…

Quando chego a um livro por regra também dou atenção às dedicatórias. De vez em quando são preciosas, por arte, por informação, por sentimento. Neste caso parece-me por e por e por. Peço a vossa opinião:
«Para os meus amigos
Eduardo, mestre de generosidade e Onésimo, mestre da vida».

Trancrevo a dedicatória, volto a página e obrigo-me a  trancrever também o título deste primeiro conjunto de aforismo que me atrapalhou logo no primeiros dia e momento em que sopesei o livro:
«O QUE NOS SALVA É A NOSSA PERDA».

Atrapalhou-me, porquê? Gostaria de não responder sem uma prévia conversa a três, o Onésimo Teotónio Almeida, o João Maurício Brás e este vosso criado e velho livreiro.
Talvez seja possível que este ponto de conversa, como o proporei aquando…, nos ponha a sorrir!

Sorrir?
Porquê?
Além de outras razões também propícias, porque JMB admite uma hipótese:
«Talvez alguns consigam concretizar o sonho de não morrer mas de deixar apenas de viver».

Um comentário? 
Hum! 
Talvez este, em seu pouco bom senso:
«como é que me escapou inventar uma destas?»

Um «pouco bom senso» a merecer do nosso filósofo este comentário:
«A profusão do comentário e comentadores é o signo visível da paralisia do pensar e do nosso abandono desse hábito. Nada de grave se aniquilássemos esses comentários e comentadores».

Hum! Esta sensação de ter assim, ao parar neste aforismo, uma chave para entender a escrita e publicação de Da Filosofia Inútil, «caso não assim tão comum entre nós de…».
Uma
coerência que obriga a atrever-se contra  uma «paralisia»?
Bem visto?
L. V.

2 comentários:

  1. não há muro nenhum, o Manuel Medeiros pelo que vejo chega a todo o lado.
    A minha divida para consigo aumenta, o almoço da próxima semana não passa. É o minimo por tanta atençao

    ResponderEliminar
  2. Caro Manuel Medeiros:

    Desfasada no tempo, eu sei. Mas nunca atrasada para uma palavra de apreço para com esta obra, que me tem acompanhado nas últimas semanas. Já a li uma vez, mas carece de uma segunda leitura, certamente.
    E partilho da sua opinião quanto à dedicatória, é de uma enorme ternura.
    Na senda da transcrição que fez, não resisto a salientar a seguinte:
    "Se queremos degradar um problema, liquidar qualquer possibilidade de sensatez e profundidade, basta politizá-lo ou transformá-lo em tema jornalístico."
    Ou ainda:
    " Vivemos numa nova era da ignorância e um estranho culto da especialização do desconhecimento do essencial. ...O cérebro trabalha como nunca mas sempre sobre a permanência do irrelevante."
    Tem sido um enorme prazer a descoberta deste livro.
    Cumprimentos
    Ana Bernardo

    ResponderEliminar