domingo, 24 de julho de 2011

SERÁ QUE AINDA VAI A TEMPO?

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As novas gerações vão chegando finalmente à noção de livraria. É preciso que cheguem a tempo de travar o pessimismo e o desânimo dos livreiros. Contar com quem, a não ser com os mais novos, a quem já se proporcionou alguma familiaridade com os livros, a partir das bibliotecas públicas e das bibliotecas escolares?

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«As novas gerações vão chegando…», posso contar muitos episódios que o provam. Mas muito mais lentamente do que era bom, possível e urgente. Porque quem está a fazer o seu melhor para que os mais novos desenvolvam o gosto pelos livros  não teve livros nem em casa, nem na escola, já foi muito bom ter aprendido a ler e a escrever e acabado por tirar um curso no secundário ou no universitário. Temos de ser compreensivos com as pessoas que têm a responsabilidade de promover a leitura. Se pensarmos no atraso imenso em que foram educadas… Como consequência, os níveis de leitura das camadas sociais que a si mesmas se consideram cultas não chegam para justificar um trabalho livreiro bom e suficientemente compensador.

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Muita gente chega ao topo do estatuto de pessoa com alto nível social sem ter lido quase nada. Não me interessa culpar essas pessoas. Façam a sua vida. A culpa da extensão da nossa falta de nível é colectiva. E dos menos inocentes foram e são os editores e os livreiros do meu país, não considerados individualmente mas como grupo ou grupos profissionais, porque nunca acreditaram em que o desenvolvimento da leitura era sua obrigação e até por uma primeira razão evidente: ganhar para o seu produto a clientela mais vasta e da melhor qualidade possíveis. Nem sequer se entenderam nunca, as Gentes do Livro… 

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Não são possíveis saltos muito grandes em pouco tempo. Mas já são vinte e quatro anos de investimentos continuados no sector do livro e da leitura!… Não são três dias! Acho que deviam ter produzido  muito melhores resultados. Eu acho… Estarei a ver mal e a ser injusto para quem fez o que devia e mais um bom bocado? Isso não quero!
Para se resistir já é muito bom podermos olhar para o que está feito. Dar valor a quem o tem, é justo.
Em termos de leitura colectiva já se fez mesmo muito, com deficiências imperdoáveis embora. Recordar as críticas de Francisco José Viegas ao PNL. Etc., etc..

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Contar com quem, até que desapareçam da sociedade as grandes camadas de néscios? Por mais que se julguem e os tenhamos como sábios, são néscios que sabem tudo sem ter aprendido quase nada…
Uma grande pobreza de cultura geral, em tanta gente que se julga alguém…
- Não digas isso… 
-Já disse!

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Quem tem fome vai à comida. Quem tem nível procura a melhor comida. Quem é culto tem necessidade de boas livrarias e frequenta-as e convive com os livros, alguns que lê e muitos que não chega a ler, mas que fica conhecendo. Até porque acaba por haver encontro e convívio com quem leu o que não se chega a ler. Ninguém consegue, felizmente…, ler tudo.
Prometo que vou reler o que, por estes dias, alguns livreiros nos vieram dizer e que qualquer um pode ler em http://encontrolivreiro.blogspot.com/ .
Apetece-me muitas vezes perguntar a muita gente: há quanto tempo não entra numa livraria? Ou até fazer esta pergunta tão inocente: ainda sabe ler? Gostava que aparecesse uma que me respondesse: já não sei ler, mas sei ensinar a ler.
1, 2, 3, 4, 5, 6 e… 7
Será que ainda chegamos a tempo?
Será que aqueles pais, os da prancha tão simpática de mestre José Ruy, aqui reproduzida com a devida vénia, resolvem mesmo dar uma alegria ao filho e à livreira emérita da «Loja-107-Livraria», Isabel Castanheira?
Em Fevereiro p. p. com muita alegria se viu Isabel Castanheira ser distinguida com o Prémio Especial Livreiro Ler/Booktaillors 2010. Aqueles pais terão mesmo de entrar. E… e… e… dar-lhe com os bons dias os dias bons que merece!
L. V.

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