domingo, 7 de agosto de 2011

7* DESORDENS & ABUSOS de ACABA-LÁ-COM-ISSO

ENTRETANTO

Não há que ter ilusões:
nós também somos

o fim da nossa estrada.
Com estas mãos,

com este mesmo coração
é que chegamos

ao cabo do futuro,
à extrema situação

de que partimos.
Mas, entretanto,

escrevamos.

RUI PIRES CABRAL
http://hospedariacamoes.blogspot.com/2011_07_01_archive.html
*7
«ESCREVAMOS»:
«NÃO HÁ QUE TER ILUSÕES»
se me ponho a escrever é porque escrevo e se não escrevo é porque não escrevo entretanto leio isto «nós também somos //o fim da nossa estrada» e fico a ver que todo eu sou decadência embato nas provas constantemente quer de dia quer de noite não sei se  desta experiência por si finalíssima hei-de fazer algo de alguma utilidade para alguém  por um lado é como mexer na porcaria «que mau cheiro» é um forte cheiro a podre volta-se o nariz para o outro lado e por aí parece que poderia vir um testemunho de condição humana ao encará-la diante dos outros pois pois os outros que todos somos até e também para nós próprios  encará-la em tal e qual e desnudadamente encará-la como exorcismo contra o perigoso escondimento é tão fácil ao esconder ir-se cair no isolamento e no engano a  tirania do isolamento que destrói o amor e acaba com o respeito e do engano que o medo e a arrogância inventam para não encararmos de frente o que efectivamente somos e como vamos-e-iremos até desaparecermos vejo e sinto os dois lados e entre «digo» e «não digo» como não ficar entalado porque a voz ora me diz «não incomodes ninguém com as tuas misérias» ora me repreende e ameaça «se te calas não mereces nem ao menos a alegria de recordar as tuas idas e vindas à fajã do calhau por “entre-os-passos” ou pela “rocha-da-fajã-d’ovelha” nem a de fechar os olhos para que voltes em ecrã de imaginação  àquele dia de agosto em que o sol-nascente veio  da embocadura do sado extasiar os teus olhos de arrábida» e estou nisto se digo não devia dizer e se devia dizer não digo e não digo porque pergunto «que interesse é que isso tem» e logo em resposta claramente ouço «nenhum» uma resposta que por mais errada que seja está certíssima e  que sempre terei por super-certíssima mesmo quando porventura…
V. L.

1 comentário:

  1. "mesmo quando porventura" lhe dizem que a resposta está, de facto, errada?... e que tem interesse e que ficamos sempre à espera de mais?

    "não sei se desta experiência por si finalíssima hei-de fazer algo de alguma utilidade para alguém por um lado é como mexer na porcaria «que mau cheiro» é um forte cheiro a podre", posso roubar o LG também? cá vai: "não concordo."


    tenho dito :)

    um beijinho*

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