sábado, 20 de agosto de 2011

CÁ ‘STAMOS - IV

A INÚTIL AMEIXIEIRA DE MEU PAI

Com uma dedicatória em hoje bem justificada para os três amigos «nossos»
Olegário Paz
Onésimo Teotónio Almeida
Urbano Bettencourt

       
Anos e anos vi florir a maior ameixeira* que vi em dias de minha vida. Linda! No melhor recanto do quintal da loja de meu pai: abrigado dos ventos pelos tapumes e bem exposto à luz do meio dia.

Uma bela árvore! Mas nunca, nunca uma ameixa, uma que fosse,
aquela ameixoeira nos deu em dias de sua longa vida. E foi a minha dúvida: seria devido a não haver outras ameixeiras na aldeia que nunca deu ou, pelo contrário, não havia ameixeiras porque naquele micro-clima não frutificavam, mas meu pai não queria acreditar?
Ficou-me de pequenino esta pergunta entre as muitas que para procurar uma resposta nunca me deu .

O que colhi de fruto bom da nossa ameixieira, para além de sombra e poleiro para horas de «sonhar acordado», como depois, com os seus três anos, um dia se exprimiu o meu sobrinho em parecida circunstância, foi em seu desgosto a persistência de meu pai que durante anos tentou e quis
que nos desse frutos, a nossa ameixeira,
por ele com tanto empenho trazida das Furnas
para se firmar em Água Retorta.
   
A tentativa mais sensacional foi a dos defumadouros.
Que exótico a meus olhos de criança!
Os adultos com fumos de manchos de palha, ervas e ramos
a defumar os ramos-em-copa da nossa ameixieira! Até parecia que era ela a deitar fumo. Fruto? Isso é que nunca por nunca! Nem com defumadouros!

- E não foi cortada?
- Não. Nem mesmo assim foi cortada.
O que também teve para mim um marcante significado: apesar de um espaço excelente estar assim infrutífero, em tempos de meu pai a nossa ameixoeira sempre lá se viu, inutilmente frondosa, no «Quintal da Loja»

R. V.
Setúbal
20 de Agosto
2011/apl & l. er.

*Quão inútil, difícil e prejudicial, a aceitação das falsas unicidades!…
E foi por isso. 
Foi muito viva a surpresa quando, ao baralharem-me os ouvidos, soube que nem os outros nem eu estávamos errados.
Ainda assim talvez deva aqui pedir desculpa de não me limitar a uma só das três formas do nome de uma árvore.

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