sexta-feira, 19 de agosto de 2011

«A MINHA FRÁGIL PRESENÇA»

Resposta a um comentário:
«viagens apenas do olhar, tudo envolto na nostalgia que o tempo deixa »http://chapeuebengala.blogspot.com/2011/08/ca-stamos-iii.html#comments,
com uma dedicatória ao seu autor, Urbano Bettencourt, (cf. http://chapeuebengala.blogspot.com/2011_05_01_archive.html)
o notável poeta, ensaísta e algo mais em que a literatura é pura originalidade criativa e intertextualidade exigente.
Chamar a este post uma resposta?
É apenas uma citação.  E daí…, talvez mais qualquer intencional aproximação à conversa de que «nada disto faz falta». Uma aproximação em lá muito longe, bem entendido…
L. V.

O livro: Texto do Tempo.
Capítulo: «A Cópia e o Original».
Página: (optou-se por não indicar, por respeito quer a quem vai quer a quem não vai ir ao livro).
Edição em Portugal: Edições 70, Lx., 1995.

«O que buscámos foi sempre o mesmo: buscámos as coisas mais diversas e buscámo-las por toda a parte, sabemo-lo agora, mas grande parte da nossa vida não sabíamos de facto que buscávamos sempre o mesmo. É penoso andar para trás com a memória, reevocando o matizado  e multiforme acervo de coisas inúteis que buscáramos. Porque a verdade que efectivamente é a única verdade, que é a única espectral verdade, é que buscávamos uma coisa  só e que tudo o mais era a imensa dispersão das nossas energias, extravasadas lá onde na realidade jamais estivemos, lá onde não sabíamos sequer se existiria algo que apenas tivesse aparência do nosso interesse. Cobrámos vigor com o tempo, é certo, sem cedências a banais lisonjas, para erguer a cabeça  e verificar que o nosso passado, todo o nosso passado, fora uma agitação não se diga vã ou inútil mas o completo mal-entendido da nossa vida, porque julgávamos que éramos ora isto ora aquilo e, no entanto, sempre procurámos a mesma coisa, que não imaginávamos sequer que fosse a mesma coisa e que todavia era a mesma coisa, ou seja, a dobra do desejo amoroso da beleza que finalmente aparece  como o mesmo constante espectro de luz lunar que se encontrava por trás da diversidade de todas as nossas procuras.»
Aldo Gargani 
(Génova, 1933 – Pisa, 2009)

Notas:
1
Não me é fácil ler «este» Aldo Gargani, não sei se «outro» me obrigaria menos vezes a voltar atrás a ver se entendo. Mas… que é inteligente por meio e permeio de palavras, isso…
2
Quando se está a ler este Texto e o Tempo e se tem de interromper, custa…
3
Bom!, do que consegui ler, não digo que esta seja a passagem que mais me disse, nem digo que acolho tudo de qualquer uma: a complexidade dificulta esse modo de compromisso total deste leitor incipiente de um pensador, aliás professor de Filosofia, que onde foi mais conhecido muito foi respeitado ao que consta.
L. V.

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