quinta-feira, 22 de setembro de 2011

«até morrer ou fechar (o que acontecer primeiro)»: esta é de responder com um sorriso sereno!

Não se deve responder a quem se esconde no anonimato para fazer um comentário como o que aparece aqui, neste meu blogue, feito ao post imediatamente anterior, em que comecei por pedir um comum aplauso para o facto de no blogue da livraria Fonte das Letras se poder ler uma reacção vivíssima a uma desagradável notícia sobre uma decisão atribuída a uma editora.

«Não se deve». Certo. Mas eu podia ter evitado que este comentário viesse ao blogue. Portanto… E sobretudo…
Pois! Por isto sobretudo:
porque tenho a clara e serena compreensão de que este já não é propriamente o meu tempo. O que vier a acontecer não sou capaz de lhe chamar o meu futuro. Mas o futuro de livreiros como os há e um deles na Fonte das Letras…  
 
Um melhor futuro!
«Gostava de ver, de (…)ainda ver».
Alguém acha mal que o L. V. tenha este desejo?
Assinei o meu post com o habitual L. V. – Livreiro Velho.  Que dizer do velho que não se apercebe de que já viveu o seu futuro? Ainda resta este pouco que me resta? Chamar a isso futuro? Só me resta é o presente! No meu trabalho livreiro das últimas quatro décadas podia ter feito mais e melhor. Mas tomara que então o mundo fosse o que é hoje e tivesse eu a idade e capacidades que tinha então e que desbaratei em…
Não havia remédio. 
Que hoje é mais difícil?
Pergunto: 
Para quem?
Para fazer o quê?
Podemos discutir possíveis respostas, mas depois, para que possa dizer agora o que vou em dizer, após voltar a dar uma vista de olhos ao que me diz o nosso comentarista anónimo. 

1
«Porque não monta a sua própria editora e vai vender na Fnac, como fez o livreiro independente que montou a editora em causa?»

Para quê contar que houve um momento em que alguém da escrita e com dinheiro até quis que eu passasse a editor? Confesso que hoje me rio de mim mesmo, por ter sido tão radical: «eu sou livreiro»…
Não tenho nada contra as opções legítimas de cada um. Acho legítimo, e muito mais na presente situação, que um livreiro se queira passar a editor, sem deixar de ser livreiro ou deixando de o ser.
Também acho que um editor está no seu direito de negociar com quem lhe oferece melhor escoamento das suas edições.
Portanto o meu comentarista estando habilitado a ler o meu post, não o leu, reagiu. Sendo anónimo, é lá com ele. 
O que, apesar de tudo, me parece que continua a valer a pena, é pensar e repensar a profissão de livreiro e a persistência das chamadas livrarias independentes em procurar o seu público, aquele que não pode ser bem servido onde os editores preferem que ele tenha de ir e para onde tantas vezes inconscientemente se deixa levar.
Ou o meu anónimo comentarista julgava que eu estava a acusar os editores daquilo que sempre os livreiros consentiram e tiveram de consentir por falta do peso que só teriam se falassem a uma só voz?

2
Como é possível criar um equilíbrio entre editores e livrarias independentes que torne casos destes ou impossíveis ou determinantes de limpeza geral de confusões?

Alguém me explica ou me pede que tente explicar o sentido ou sentidos desta pergunta que fiz no post que talvez possa dizer-se ter sido atacado não só anonimamente, mas também com despropositada «fúria»?

3
«Se se continua a editar é porque vale a pena».

Mais uma, e com esta me fico: também estou a concordar.
Quanto mais se editar, melhor. Quanto mais palha, mais grão. É preciso mais cuidado para encontrar o grão? Responder com uma melhor crítica e melhores livreiros. Acima de tudo com os melhores leitores, os que sabem o que querem.

O meu cumprimento:
Passar bem, mesmo aí, no avesso do seu B. I.!
Só esse avesso me impede, depois deste encontro no meu, de lhe propor um encontro amigável no seu campo.
L. V.

2 comentários:

  1. Até morreres, Manuel, pode demorar muuuuuuiiiiiiiiiito tempo.
    E espero bem que sim.
    Que nunca te falte oxigénio.
    Gandabraço.
    onésimo

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  2. De manhã levo com um Anónimo, à noite com um Onésimo! Melhor, com um Anónimo Onésimo!!!
    E viva o Oxigénio e ainda mais o Oxigenado! Viva! Viva! Viva!
    Abraços, muitos e com amizade, deste Anónimo cidadão que pacificamente assina
    Luís Guerra

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