domingo, 4 de setembro de 2011

HENRY MILLER: «DA OBSCENIDADE AO CÂNTICO ELEGÍACO»

CONVITE
*A1*
«Pelo verbo, pela imagem, pelo acto, todas estas abençoadas almas que me fizeram companhia testemunharam a eterna realidade da sua visão» (H. M. em O Sorriso aos Pés da Escada, no Epílogo, já ao fim).
Direi que está provado: é bruxo! Escreveu estas palavras num tal e qual em que posso aqui e agora dedicá-las aos meus amigos.    
*A2*
O nosso generoso Onésimo comentou assim, como se viu, a passagem de Viragem aos Oitenta ou seja o post que intitulei por «Minha Visão das Coisas»:
«Henry Miller era bruxo. Como é que…?». 
É favor abrir o comentário, relê-lo e sublinhar o «bruxo». E já se vai justificar o pedido. 
*A3*
Em seu estilo de PAZ, um dos nossos amigos comuns escreve-nos assim, num comentário por e-mail:
Li a citação de Henri Miller  e fiquei a interrogar-me se se trata mesmo do dos “Trópicos”. É que ‘esta coisa’ que ele escreveu disse-me ‘coisas’.

O PALHAÇO
*B1*
Bruxo?
E vai daí…
É que, de certo modo, pode dizer-se que é de bruxo fazer de si o que fez H. M., como personagem que é, qualquer escritor o é, de um papel nas Letras. No entanto, o que ele disse, me disse de si na primeira leitura que fiz de um livro seu , foi que era um palhaço:
«Meditando (…) dei-me a pensar no palhaço que sou, que sempre fui».
Bruxo quem?! Pois! A vida vai-se dizendo, até que… «disse»…
*B2*
«Da obscenidade ao cântico elegíaco – tal é a viagem de Henry Miller, o outsider permanente»:
isto escreveu Vítor Silva Tavares quando tinha vinte e nove anos e já… (Bom! Não avances! Etc.! Um excêntrico editor, felizmente!). É do Prefácio, que é dele,  na encantadora edição da velha Ulisseia: «tal é viagem (...)».
Ulisseia! E... anos sessenta!
«Este livro foi composto e impresso para a Editora Ulisseia, aos 5 do mês de Dezembro de 1966, na Companhia Editora do Minho – BARCELOS».

«O MESTRE DA INÉPCIA»
*C1*
Lê meu amigo! Lê, sobre a estupidez humana, essa página de O Sorriso aos Pés da Escada  em que (ao menos nesta tradução, mas noutra deve ser igual ou parecido…) vem inserida esta expressão: «o mestre da inépcia»!
É um pequeno-grande livro, este pequeno livro, que entre nós já apareceu em diversas edições e editoras. Vais ter que o ler todo, se leres esta boa página. Até diria que ainda melhores, algumas. Portanto…
*C2*
É pois de ABC o que temos a dizer um ao outro, ó pacífico amigo:
eu surprendido quando depois encontrei o outro, o dos Trópicos, e agora surprendes-te tu quando te aparece o H. M.que primeiro li! Embora este o tenhas agarrado por essa preciosidade que é a Viragem aos Oitenta e eu por essa outra também excelente, O Sorriso aos Pés da Escada, que por sorte apanhei nos tais anos sesssenta. Os tais!...     
É assim: ler tem disto…
Isto de ler!…
Oh! se te pusesses ou me pusesse eu, até eu, a falar e a falar e a falar de «os livros da minha vida»!…
Tu bem sabes, muitos sabem, felizmente, o que tanto falta/faltou ler e, apesar disso, também o muito que...
*C3*
Resta só lembrar esse outro monumento que nos deixou Henry Miller: Os Livros da Minha Vida (Antígona). Embora de algo mais de sua extensa obra haja traduçao entre nós, este livro é realmente…
L. V.

Sem comentários:

Enviar um comentário