sexta-feira, 30 de setembro de 2011

«OS MONTES DA CIDADE / FESTEJAM o seu tempo HOJE»

A. Cunha de Oliveira:
Não lhe tendo sido possível ficar perto de nós por mais uma semana, de nós, este nosso grupo de antigos alunos e seus admiradores muito amigos, nem por isso queremos que não possa sentir o carinho com que neste último de Setembro de 2011 o queremos homenagear pelo que de abertura de espírito lhe devemos.
Este sentimento de gratidão e carinho e respeitosa admiração,
cada um, de mais perto ou de mais longe,
não deixará de o aconchegar em memórias da sua própria juventude e dos longos e bem diversos percursos de ilhéus que por todos os mares se foram atrevendo.

Aqui de Setúbal, confirmo esta atenção em que sempre vim, porque há marcas que ficam, que nos marcam, que nunca se apagam.


De
Silva Grêlo
em a Cidade e a Sombra



                POSSE

O que não digo (porque o digo)
              é como o fogo.

O que não tenho (porque o tenho)
              é como o fogo.

O que não amo (porque o amo)
              é como o fogo.

Fogo, fogo, fogo!

Se eu fora o anjo que tem,
entre as mãos, a cabeça adormecida,
saberia a fonte da palavra.

Até dos céus me chovem rosas,
             brancas e vermelhas
            (Encarnadas),
que me afogam de perfumes.

Com as flechas do amor
              cravei o sol no peito.
E rubras de calor,
              com elas morro.

Fogo, que te quero, fogo!   


(
Angra do Heroísmo, Cadernos do Pensamento 2, Maio de 1954, pág.35),
Do prefácio:
«apresentando Silva Grêlo, nesta editorial, cremos oferecer, à poesia portuguesa, algo de novo e de real valor».

Quem não se orgulharia de ser autor deste poema?
Tão maior, este orgulho, porém!
Este que sinto de na altura certa ter tido um mestre que o escreveu e teve a coragem, direi que talvez contra si, de o publicar, a este e aos outros do Silva Grêlo, para nosso intemporal benefício.
R. V.

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