sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Amanhã na Culsete com MIGUEL REAL

«Sábado, 26 de Novembro de 2011, às 16h.». A anunciada tertúlia com Miguel Real é já amanhã à tarde.
Tertúlia à volta especialmente dos três muito recentes títulos da sua já vasta obra, estes, cujas capas de novo aqui vão reproduzidas:

image  image  image.

Há uma razão evidente para não me dispensar de participar nesta tarde de convívio com um dos autores mais em evidência, e já de alguns anos para cá, no panorama editorial português:
é que a mobília da livraria é a mesma de há quarenta anos e este velho livreiro continua a fazer parte dela.

Tenho outras boas razões, melhores e específicas. Não vou esperar para amanhã, expresso-as já aqui. Pelo gosto de as partilhar com os amigos que não poderão participar e igualmente pelo empenho em dizer aos que tiverem possibilidade de aparecer que não deixem de vir enriquecer a troca de ideias que se vai estabelecer e que promete ser muito rica.

Cada um poderá ter uma razão sua, particular, para participar num qualquer evento. Razões comuns para reunir pessoas, essas sempre tem que haver, de outro modo…

Particulares ou comuns, vamos a encurtar as minhas razões. E devo anotar que não é casual a disposição que faço aqui das imagens das capas dos três livros.
1
No centro está O Pensamento Português Contemporâneo 1890-2010 – O Labirinto da Razão e a Fome de Deus, de ora avante um livro indispensável na biblioteca de qualquer pessoa que se tenha na conta de um português com razoável nível de cultura geral.
Não é livro para ler, mas para ir lendo.
Por mim, ainda pouco mais alcancei do que as seguintes páginas:
86 a 98 – Teófilo Braga;
116 – 137 – Antero de Quental;
583 – 599 – José  Enes;
966 – 1003 – Onésimo Teotónio Almeida.
Dirá alguém: «é o seu orgulho açoriano» Terei de concordar e ainda lhe acrescentarei uma das tais razões particulares. José Enes e Onésimo Teotónio Almeida, este o último dos pensadores que o volume detidamente estuda...
Pois! Seria longo…
Não sei se amanhã… Só se vier a propósito. Se, por exemplo, aparecer mais alguém que, como eu fui e mais tarde foi o muito amigo Onésimo, igualmente tenha sido aluno de José Enes, «o mais importante pensador açoriano posterior a Antero de Quental e Teófilo Braga e um dos mais importantes filósofos portugueses do século XX», diz Miguel Real.
Que extensão da leitura de uma só pessoa, a que se admira no levar a bom termo uma obra destas!
Podemos discutir interpretações, inclusão ou não inclusão de pensadores, mas não podemos deixar de curvar-nos perante tanto trabalho e tão necessário para combater a nossa ignorância de nós mesmos.

2
É estranho!… Escrevi «combater a nossa ignorância de nós mesmos» e ponto final. De seguida levantar os olhos para as imagens das três capas e eles logo de vez a cairem-me sobre o título Introdução à Cultura Portuguesa.
Confesso que fiquei parado… E não me parece que deva acrescentar mais do que isto: quem tanto leu o pensamento português, talvez tivesse mesmo a obrigação de escrever este livro. É que não é informação apenas, há tomada de posição própria.

3
O romance para o fim. Talvez porque tem sido, dos três livros, aquele que, em meus forçados ócios, me andou, nestes últimos dias, mais próximo da mão : A Guerra dos Mascates.
Nesta tertúlia não vão faltar os bons leitores de romances. E este romance permite que venham à conversa abordagens que me interessam muito. Uma delas… 
Recordo ( e emociono-me…) o lançamento na Culsete, com um discurso admirável que Urbano Tavares Rodrigues leu, trazia escrito e foi publicado no JL do romance O Reino Encantado de Mário Ventura, o seu último romance… ( Quem diria!…. Desculpem…)
Razão para esta recordo?
A Guerra dos Mascates é título de um romance do escritor brasileiro José de Alencar. O mesmo título? Sobre isso de certo vamos  conversar amanhã. O que já com o romance de Mário Ventura me esteve diante dos olhos foi o Brasil em sua/nossa História, como riquíssimo tesouro a explorar, por gosto e obrigação, pelos criadores do actual romance histórico português. Miguel Real é justamente um dos premiados escritores que encontrou esse tesouro e que aqui, em A Guerra dos Mascates, vem mais uma vez trazê-lo à leitura portuguesa e é de crer que também à brasileira.

E agora, amigos?!
Que acham destas minhas razões para estar muito interessado em participar amanhã à tarde na tertúlia da Culsete com Miguel Real?
Na vossa companhia, se for possível.
Com muito prazer, obviamente!
Livreiro Velho

2 comentários:

  1. Meu caro Manuel,

    Sou suspeito. Nem deveria aparecer aqui neste contexto. Mas venho para dizer que o Miguel Real pode não ter lido tudo para incluir todos os que merecem, mas o que ele leu é de envergonhar muita gente da vida intelectual que tem a obrigação de ler o que em Portugal se escreve e não o faz porque.... sei lá! chove-me uma catadupa de razões.
    Todos as vezes que li, ou ouvi, o Miguel Real discorrer sobre um livro fiquei sempre com a sensação de que ele o agarrara pelos fundilhos esquartejando-o, dissecando-o e explicando-o. Quem faz isso com a desenvoltura dele só merece o meu respeito.
    Parabéns pela ideia de o levares aí (creio que a Fátima tem também culpas). E dá por mim um abraço ao Miguel.
    Outro para ti.
    onésimo

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  2. Acabar de lançar no blogue este post, ir até à livraria para alguma colaboração no arrumar da casa para amanhã, voltar agora ao mesmo computador e encontrar este comentário...
    Isso obriga-me a recordar o lançamento na Casa dos Açores (a última vez que vi e ouvi o «mestre») do livrinho «José Enes», de Miguel Real. A minha gratidão a ampliar-se conjuntamente, aqui e agora, npara com o seu autor e o seu impulsionador, onésimo Teotónio Almeida.
    Obrigado!
    MM

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