terça-feira, 1 de novembro de 2011

QUANTAS HORAS REAIS TÊEM OS TEUS DIAS?

Houve um longo tempo em que os meus dias para além de me darem entre doze e dezoito horas de trabalho («E comer»? Sempre deu para os mínimos quotidianos da minha magreza e os máximos excepcionais da mesma, bem aproveitados para uns «vamos a isso»)…
Houve esse tempo em que os dias até me permitiam, nas boas suficientes horas de sono reparador, descobrir as soluções certas e acertadas para aplicar aos problemas que ia ter pela frente no meu trabalho…
As minhas horas foram minguando. Cada vez mais longe daquela ilusão de os dias se deixarem dividir em vinte e quatro horas...
Nos primeiros tempos do meu tempo antigo tinha já percebido que o tempo das galinhas a esgaravatar não era igual todos os dias. As estações do sol-a-fugir davam-lhe descanso às unhas. «Deitar com as galinhas» vem daí, penso eu.
Quantas horas reais têm os teus dias? Às minhas não são as estações que as devoram como julgo que ainda fazem às galinhas do campo… 
Não, pois não? Não vais querer, estou em crer, que te conte donde me vem que actualmente me fiquem para mim tão poucas horas de cada dia, quando até parece que finalmente tenho algum e muito  tempo só por minha conta como já não tinha desde que entrei para a primeira classe…
Nem contigo nem comigo, como sempre fiz, posso agora comprometer-me em chegar a isto ou aquilo. Com tanto que queria ainda fazer, ver, talvez até dizer…
O que me vale? Tu e os nossos muitos amigos!
Vale-me esta onda de maravilhas e/ou desafios que me animam a deixar andar as horas que o diabo me vai levando e a aproveitar com euforia, galhardia e alegria as que vão ficando. Vais ver!
É para veres tu, e todos quantos aqui vêm, como os amigos podem compensar este desgosto de sentirmos as horas tão minguadas para o que se sonhava e sonha fazer… 
Uma prenda que acabo de receber do lado de lá. Talvez prefiras que não diga que veio, sim, do lado de lá, mas através do teu sul…
http://blogdoims.uol.com.br/ims/consideracao-do-poema-leituras-de-drummond/
R. V.

3 comentários:

  1. Não foi só o tempo climático que mudou, meu caro. Antigamente os dias eram maiores, os dias mais lentos e os anos não se acumulavam uns sobre os outros, respeitavam democraticamente o espaço de cada um e deixavam o ano reinante durar o seu tempo todo. Agora é isso que se vê. Um ano entra e já está o outro a empurrá-lo para fora de cena a toda a força. O dia começa e já é noite.
    E o pior é que é como o tempo climático: parece que nada há a fazer.
    Abraço.
    onésimo

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  2. Amigo Onésimo,
    sabes tu e sabemos nós que poucas pessoas haverá por esse mundo com tantas «horas reais» como tu consegues ter em dia a dia...Um exemplo de trabalho, organização, generosidade e resistência... Sim, há algo a fazer:
    ir aprendendo que ao tempo ninguém o ganha e portanto...
    Portanto o quê? Talvez sorrir.E ir moderando quanto possível, para afrontar a surpreza. Será?
    MM

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  3. Meu caríssimo Manuel,

    Como eu entendo perfeitamente isso que dizes. Na luta contra ele, o tempo, ninguém ganhou. Mas a gente bem que tenta porque também cruzar os braços contra esse tirano torna inútil a nossa passagem por ele.

    Um grande abraço do

    onésimo

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