quarta-feira, 30 de novembro de 2011

SE AO MENOS POR MIM…

A Serenidade tenho de a escrever com maiúscula porque, de entre todos os muitos remédios que as regras da longevidade nos vieram a impor, é aquele de que já de muito antigamente trazia receita passada por meu avô e de que menos quero separar-me, por hoje e por cada dia e sobretudo por aquele em que desde lhe peço que de modo nenhum me falhe.
-Isto vens dizer aqui porque…?
-Porque às tantas não se aguenta…

Por volta dos dezanove-vinte anos sofri os primeiros graves ataques de gralhas. Comparem com mosquitos, pulgas ou gafanhotos. Num dos casos…
Sempre que me lembro, sinto incomodado: Ariel Quílon/Abdel Kader ou seja Ruy Galvão de Carvalho a confiar no jovem para uma boa correcção de provas da edição dos seus poemas na colecção Cadernos do Pensamento (Angra do Heroísmo, anos cinquenta). Corrigi as provas, mas era um ingénuo principiante. Que ganhei experiência e calo, disso não há dúvida: última prova é aquela em que já não há nada a corrigir.

Enquanto o corrector mandar seja o que for para correcção, tem de exigir mais uma prova.
Era ainda aquele o tempo da tipografia. Apesar de tudo, o chumbo parece que se corrigia melhor. O que se passa actualmente na correcção é desesperante, envergonha. Devia envergonhar.

Mas há pior: gralhas são gralhas, não são erros de escrita.
Gente que escreve com erros daqueles que…
Aparecem na escrita de muita gente da escrita tantos erros que é vergonhoso… 
Alguém nos diga, por favor, que o rei vai nu!…

-E tu, que aqui vens e vais neste escrevinhar de livreiro velho?
-Pois! O desespero de passos que dou a cair no buraco… Se ao menos por mim começasse a sentir-me menos impaciente por não ter que dar com gralhas e com erros meus, acima de tudo com os erros…

É por cobardia ou simplesmente porque não paga a pena que não penduro em estendal uns quantos erros de escrita de gente cotadíssima nas nossas letrinhas?
L. V.

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