terça-feira, 29 de novembro de 2011

«SE TIVER UM NOME»

«O jantar arrefecerá na mesa,
os meus livros desesperarão
e não haverá sentido que os conforte
e o meu nome, se tiver um nome, não me responderá.»
(Pág.28)

Tem nome, nós bem sabemos que o tem, agora também se chama «Prémio Camões 2011», é assim que funcionam as coisas e faz sentido, algum sentido faz. Mas de há muito Manuel António Pina era já um notável da Poesia Portuguesa.
Como já fora anunciado, era para ser no fim do ano e foi, cá está o novo livro, Como se Desenha uma Casa, aproveito este momento de sossego após o pequeno almoço, tenho de o ler antes que o venham comprar ou esgote ou seja pedida a devolução ou simplesmente lhe ponham por cima outros e outros e outros. E não resisti, um poema destes, este poema, tinha que o transcrever para aqui…
OS LIVROS
É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo ‘eu’ entre nós e nós?
(Pág. 21)
Mas não foi por este, embora pudesse ser, não foi ao ler este poema que dei por mim a falar sozinho e a dizer: é mesmo um excelente poeta.
Com ou sem Prémio Camões, Manuel António Pina, um excelente poeta!
L. V.

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