terça-feira, 22 de novembro de 2011

A MONTE E À TOA - III

TERRENO PERIGOSO
Pode chegar, até chega, o momento em que te vês sem alternativa: ou não vais mais além ou para avançares tens mesmo de arriscar-te por terreno perigoso. Não vejo que outra justificação possa ter assistido ao Manuel José, um rapaz tão acertado, como se pôde comprovar pelo anos fora de uma vida bem aproveitada até uma bonita velhice de quase ao fim dos oitentas.
No que ele se meteu! E não me contou tudo, não, não contou! Eu percebi…

A certa altura não lhe restou outra solução que não fosse a de atravessar o pântano, de roupa à cabeça. Secar, secou-se como pôde. Arrancar as sanguessugas, isso é que se pôs feio. Foi vestir a camisa por cima delas e quando fartinhas de sangue lá iam caindo.

Pisar terreno perigoso está neste momento cada vez mais obrigatório por lei de sobrevivência. E não é caso pessoal, como se fosse o de um qualquer José Manuel levado a arriscar-se por sua vontade de chegar aonde chegou.

O caso é de qualquer um, porque é o caso de todos.
De todos! Não houve nunca outro caso tão de todos, os de cima e os de baixo, os que ganham e os que perdem, os que branqueiam e os que escurecem, os que comem bem e os que passam fome.

Aonde se chegou nem sequer já dá para um «vamos aguentar».
- E daí?
- Não será melhor pisar terreno perigoso de revolução, do que terreno fatal de guerra mundial?

Não é que as guerras mundiais não tenham acontecido. A última é que me iniciou na leitura de jornais. So-le-tra-va. Apesar delas, a beleza deste nosso mundo lá sobreviveu.
O que é pena é não terem servido de lição nem para os milhões que elas sacrificaram, nem para os actuais comandos da cena e da gangrena.

Manso como um cordeiro! O que eu queria era ouvir falar um homem sábio e manso como um cordeiro sobre as semelhanças entre os presságios actuais e os que antecederam as outras guerras mundiais. Pode ser que tenha sorte…
V. L.

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