sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ATAQUES EM CURSO E EM FORÇA ÀS LIVRARIAS

A REVOLTA DAS FONTES
Nesta Época de Natal/2011 o ataque em força «dos mercados» à sobrevivência das livrarias independentes é um repolho que não se acaba de «desembrulhar». Tantas são as fitas e os laços! 

Que os coelhos, as galinhas e os porcos se alegrem, que há-de haver uma folhinha de couve para cada um, apesar da crise. 
O pior não está, portanto, do lado dos animais domésticos, mas dos domésticos dos animais.
Se ao menos acordassem!

As livrarias independentes  nunca mais serão interessantes, em termos de rentabilidade financeira, num plano de concorrência com aquilo que fazem, e  com sucesso, os grandes espaços comerciais, estações do correio ou bombas de gasolina.
Ainda bem ou ainda mal? Ainda mal, mas só por uma razão: há em Portugal um problema dramático de baixos níveis de cultura geral dos cidadãos instruídos. Em Portugal somente? Com o bem dos outros alegro-me. Com os seus males posso eu bem.

As livrarias precisam de concorrer com esses que são pontos de venda de livros para leitores de ocasião ou de níveis com pouco mais exigência do que curiosidade ou distracção. Perdem e perderão, porém, essa guerra, como aconteceu e acontece com outros ramos de comércio. Para esse nível de leitura, muito respeitável, respeito-o muito, é muito natural, os grandes espaços servem muito bem. 
A guerra perdida, sabem-no,  e mesmo assim obrigam-se a concorrer? Porquê?
Porque enquanto esbracejam afirmam a sobrevivência e enquanto adiam a desistência pode ser que amanheça…

Sabemos ou não sabemos todos que os grandes e pequenos espaços que concorrem com as livrarias independentes, mesmo nos casos em que há a preocupação de apresentar alguma imagem de bom trabalho livreiro, não satisfazem as exigências dos leitores que são «os leitores»?
Sabemos, sim. Pus-me à escuta e ouvi tanta e tão diversa gente a dizê-lo que posso ser categórico.

A real satisfação do leitor exigente fora da livraria encontrei-a apenas nas encomendas por internet. Mas note-se: «nas encomendas». Quando me for possível talvez volte a este ponto: leitor exigente, ele e a livraria, ele e as encomendas por internet.

Esta é a verdade:
muitas das pessoas que são leitores de muito nível, das pessoas que têm muito a peito que as livrarias não se extingam, que muitas vezes dizem aos seus livreiros o que ainda julgam que é um elogio: «olhe que só aqui vim encontrar este livro, nem lá no-espaço-do-paraíso-das-vendas-dos-livros o encontrei»… 


Se não temos um pensamento influente, como podemos ter políticos competentes?
Ia dizendo que esta é a irónica verdade:
são eles, esses que devem ser quem pensa e faz pensar o país, os primeiros responsáveis pelo sucesso dos ataques à sobrevivência das livrarias independentes. Muitas vezes por falta de consciência desta, também sua, responsabilidade cidadã.
- Isto a propósito?

- Abram por favor e há mais..., mas para o que vim a dizer...
http://cavacosdascaldas.blogspot.com/2011/12/desabafo.html
«E isto depois de assistir a movimentos de pesar pelo fecho da minha Livraria. Que veracidade existirá nessas atitudes?»
Pois é, valente D. Isabel!, contar com quem?
L. V.

P. S.
Posso pedir que acompanhem as acções e reacções que cá chegaram pelo blogue livreiro «ISTO NÃO FICA ASSIM» e tudo a partir do blogue de Isabel Castanheira??
http://encontrolivreiro.blogspot.com/
Quanto a mim, eu volto. Pelo menos desejo voltar. Porque, se a revolta partir das fontes, pode confiantemente dizer-se que isto não fica assim.
L. V.

1 comentário:

  1. Leio isto e fico com um nó no estômago.
    Abraço.
    onésimo

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