quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

DESORDENS & ABUSOS… com número 14

UMA PANCADA NO TECTO

se te digo que não vou não é para dizer que não venhas e não te passe pela cabeça que estou fugindo de ti ou vou fugir se cá vieres talvez até esteja a precisar do abanão de um amigo daqueles amigos que sempre tentei ser para ti e que para mim sempre foste um amigo incapaz de se calar quando preciso de que alguém me faça cair na conta de que estou a ser burro

se te digo simplesmente que não vou é porque isto de mensagens electrónicas tem as suas diferenças em relação ao telefone

dantes era assim tu ou eu a chamar se te dissesse «não vou» tu insistias «não vens porquê» com o correio electrónico
dar ou não dar justificação depende só de mim não a dou e não levas a indelicadeza percebes directamente que qualquer pancada no tecto me pôs os parafusos a chocalhar e ou me engano muito ou a 9.ª de Beethoven vai arrancar no meu telemóvel

já enviei a mensagem e estou mesmo a ver a reacção «que pedra lhe terá caído hoje em cima da cabeça» sei lá como vai correr a conversa porque é um bom amigo e é certo e seguro que só se não puder é que não vai telefonar vou gaguejar talvez mas para este não vou ser capaz de inventar uma treta qualquer junta com imediata mudança de assunto e um cá-comigo assim «tratas de ti que eu trato de mim» 

agora me lembro tenho o telemóvel desligado e não faz sentido ligá-lo depois de recusar-me ao encontro  no fundo no fundo estaria porventura a desejá-lo depois duma pancada não apetece ver ninguém e muito menos conversar mas a maldição é o isolamento
não será melhor telefonar eu é isso mesmo que vou fazer antes que me arrependa «disse-te que não ia e confirmo mas se vieres tu até cá agradeço-te»  
V. L.

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