terça-feira, 20 de dezembro de 2011

DESORDENS & ABUSOS–hoje em 15

«IMÓVEL NA SOMBRA»
 
                               os dedos da voz / rolam / em marés
  
                               ainda o pulsar da luz / no coração do silêncio
  
                               ainda esta mão / imóvel na sombra / de escrever
 
                               tempo / donde sopra / polifónica / a palavra 

(De um poema de Carmo Sousa Lima em Paisagem Branca)
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primitiva a voz
primitiva a luz
primitivo o silêncio

as marés acodem ao vaivém de respirar e uma garganta acorda as lágrimas ao dizer silêncios guardados no sal dos teus mares de água e segredos diz-me só quem foste e sentirei donde vens tu que vais 

no início era tudo como se a voz ao mesmo tempo te acolhesse em si e te enviasse para longe «vem vai» «vai vem» e aqui assim vens tu que vais 

voltas sempre as origens são luz a mão que estendeste ao romper da sombra concorda mas nenhuma palavra dirá sozinha o que diz entre voz e silêncio

quando a voz pronuncia o silêncio revela e esconde sentidos e aqui vens voltas sempre tu que vais ao que foste em que vens
R. V.

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