II ENCONTRO LIVREIRO ANUAL EM SETÚBAL
contagem decrescente
FALTAM 27 DIAS
ACOMPANHE NO encontrolivreiro.blogspot.com
II ENCONTRO LIVREIRO ANUAL EM SETÚBAL
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II ENCONTRO LIVREIRO ANUAL EM SETÚBAL
2011 - ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO - DIA 27
A CONTAGEM DECRESCENTE
26 de Fevereiro: faltam 29 dias!
GENTES DO LIVRO:
CÁ ESTAMOS!
CÁ ESTAMOS!
II ENCONTRO LIVREIRO ANUAL EM SETÚBAL
2011 - ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO - DIA 27
GENTES DO LIVRO:
E CÁ ESTAMOS!
O Livreiro Velho inicia aqui a contagem decrescente
25 de Fevereiro: faltam 30 dias!
Queiram não se preocupar, amigos. Embora com este grande desgosto de andar afastado de um grande companheiro de anos e anos de vida guerrilheira, desde aquela manhã de 14 de Setembro que…
Portanto…
Então?
«Um cigarro para desanuviar», embora possa não parecer, é título para pedir uma leitura do poema que vem a seguir e que, tal como outros do mesmo livro, muito me interroga sobre as antigas e novas afirmações da poética de Helder Moura Pereira.
O pássaro que passa na ponte
sobre o Tejo, mesmo defronte
da minha janela escancarada,
não tem penas, não tem nada.
É um míssil, é uma linha
que desenha um arco de emoções.
A roupa no estendal da vizinha
adquire súbitas conotações.
Lembra-me o tempo em que eu
tinha esperança, não havia esta gente
medieval, medonha e demente.
Isto está escuro como breu.
Não é que o pássaro me traga
boas novas, para dizer a verdade,
por sinal uma verdade bem amarga,
há coisas para que não tenho idade.
O impossível aproximava-se devagar
da realidade, o corpo que se abria
e num instante desatava a arfar
nesse instante era boa companhia.
O pássaro só eu é que o via.
Para onde olhava a minha companhia?
Enchia os pulmões de ar
e fumava um cigarro para desanuviar.
(Helder Moura Pereira,
Se as Coisas não Fossem como São,
pág.40)
L. V.
«Depois falamos. Prometo».
Não sei se fiz bem em prometer…
Porque é que uma pessoa não aplica a concisão com a mesma diligência e naturalidade com que tira o bocado de carne que se meteu entre os dentes?
Talvez porque…
Não há dúvida de que se lá entrou foi porque havia espaço. E diz-se, sempre ouvi isto: «o que já está, já está!».
Diz-se, mas não concordo. Embora seja o que faço e torno a fazer: deixo-me sempre levar pelo vício das palavras…
Mas não concordo nem me defendo. O que defendo é a importância da concisão.
«Prometo»! Este «prometo» para quê? Não bastava dizer «depois falamos»? Ao ser já um agora, esse depois, se não me apetecesse falar ou pensasse que ou já que…
O Prémio SPA de Melhor Livro de Poesia de 2010 foi, dos três nomeados, para o mais jovem, ainda com a obra a começar. Arranjava facilmente desculpa com um qualquer «se». Falaria, mas se…
«Se» isto ou «se» aquilo! Como, por exemplo, se o premiado fosse Helder Moura Pereira…
Teoricamente, sou de facto um adepto incondicional da concisão, praticamente já é discutível…
Mas neste caso, desculpem, é só conversa. Este puxar-me as orelhas é a fingir.
Com ou sem prémio, desejava de há muito escrever aqui duas palavras sobre o livro do nosso Helder Moura Pereira.
Por todas as razões que me dá o grande nível artístico do poeta. Mas também e muito porque…
Sou ou não sou um livreiro setubalense? Já velho, sim, está à vista, mas não menos dedicado aos valores desta terra que adoptei e me adoptou.
Setúbal tem de ler melhor este poeta ilustre que é um seu ilustre filho. E, evidentemente, não apenas Setúbal. Helder Moura Pereira é um dos maiores poetas portugueses da sua geração e não são os prémios mas os seus livros que o demonstram.
Continuaremos, portanto.E sem ser necessário prometer.
L. V.
Cheguei à chamada encruzilhada,
esse ponto em que só há caminhos
que não fazem parte do mapa.
Cheguei lá um pouco tristonho,
com pouco na cabeça e muito no coração.
Para onde parto, que cara ponho?
Meti-me numa grande alhada,
tal como daquela vez em que fui aos ninhos
com o amigo João Manuel dos Santos Lapa.
Foi, pode dizer-se, uma tarde de sonho.
Anedotas picantes, marmelada no pão –
e o haxixe daquela época chamava-se medronho.
Tinha medo que caíssem em cima de mim
e por isso era a mãe no jogo do alho.
Onde actualmente é o Estádio do Bonfim.
Os caminhos eram quatro, fiquei parado
no meio anos a fio, a mirrar, a mirrar.
Às vezes distraía-me e era atropelado.
Não vou dizer tudo tintim por tintim,
mas digo que gostava de ser Cláudio Corallo,
a fazer chocolate em S. Tomé e Prín-
cipe.
Como não posso vou ficar aqui parado,
a marcar passo no mesmo lugar.
Tenho mais que tempo para fazer um bordado.
Helder Moura Peraira
Se as Coisas não Fossem o que São
Assírio & Alvim, 2010
É amanhã, portanto:
21 de Fevereiro de 2011 – 21h.
II GALA DO PRÉMIO AUTOR 2011
Parceria SPA com a RTP
Centro Cultural de Belém
Transmissão em directo
Nomeados para
MELHOR LIVRO DE POESIA DE 2010
Depois de Dezembro,
António Carlos Cortez
Se as Coisas não Fossem o que São,
Helder Moura Pereira
Escarpas,
Gastão Cruz
Depois falamos. Prometo.
L. V.
A verdade impõe-se.
Não é conquistável.
Não deve então ser procurada?
Pergunta tão ignorante quão errada!...
Precisamente o contrário:
a felicidade do encontro é quando a verdade procurada se impõe. Só sabes dizer:
«é verdade!».
Ou nem chegas a dizer nada…
E aprendes!
Só quando e se procurada? Não, também muito de surpresa.
Por vezes.
Sabemos que sim.
Quer a dolorosa verdade, nunca, porventura, verdadeiramente procurada.
Quer a verdade feliz, de uma felicidade precisamente acrescida pela surpresa.
Mas tens de lá estar, não é? E para lá estares não terá de haver sempre um para lá ir, mesmo que não intencional ou conscientemente dirigido?
Alguém a perguntar que leitura me fez pensar e escrever isto que…
Podemos deixar esse ponto para depois?
L. V.
O livreiro a escrever sobre Cioran? De modo algum! A tanto não se atreve. A única coisa que conta, para aqui, é que o livreiro não foge a pensar a partir do que e de quem o faz pensar. E Cioran foi/é um provocador muito poderoso para quem sofre da tendência para pensar, muitas vezes dolorosa, outras não.
O centenário do nascimento do escritor romeno-francês Émile Cioran ocorre neste ano de 2011.
Quatro dos seus livros, que conste, traduzidos entre nós: dois antes de 1995, ano da morte do pensador, e outros dois recentemente: 2009 e 2010.
A Tentação de Existir, Relógio D’Água, 1988.
História e Utopia, Bertrand, 1994.
Silogismos da Amargura, Letra Livre, 2009.
Do Inconveniente de Ter Nascido, Letra Livre, 2010.
Não é muito abonatório da nossa leitura colectiva, pois não? Décadas depois de a obra já se ter tornado marcante.
Mas é preciso pensar no atraso em que o universo editorial português se encontrava no início dos anos oitenta, em relação a obras de pensamento.
Melhorámos muito, o que não quer dizer que…
E sobre Cioran, entre nós e nosso?
Fernando Gil, uma colecção, o n.º 5 da colecção,
o título,o autor:
de João Maurício Barreiros Brás, O Pensamento Insuportável de Émile Cioran, coleção Zétesis, dirigida por Fernando Gil, na Campo das Letras, 2006.
Uma palavra sobre cada pormenor? «A tanto não me atrevo»! Agora para não me alongar. Mas posso dizer, também eu e também neste caso da minha aproximação ao pensamento de Cioran, que as coisas acontecem de modos que ultrapassam a fantasia.
E por agora só mais uma palavra.
Seria bom que O Pensamento Insuportável de Émile Cioran não fosse neste momento um livro difícil de encontrar nas livrarias. Não o encontrando, não me consta de outro, nosso, que possamos ler.
E, seja como for, o profundo mergulho no pensamento de Émile Cioran que nos permite este livro de João Maurício Brás é notável e não é substituível por um qualquer.
L. V.
P. S.
Gostaria de voltar, agora com transcrições de O Pensamento Insuportável de Émile Cioran.
Caríssimo Dr. João Reis Ribeiro,
Quando a lembrança deste 7 de Fevereiro de 2011 hoje entre nós se trocou, ao telefone, não se falou em blogues. Mas naturalmente lá fui, ao da nossa Associação Cultural Sebastião da Gama e aqui estou agora a pedir a quem venha a este meu:
abra «sebastiaodagama-acsg.blogspot.com».
Porque…
Pedi-lo por tudo o mais, o muito mais.
Só que em especial porque muito me tocou a transcrição das palavras de Matilde Rosa Araújo.
Além de aqui e assim serem agora fáceis de encontrar, quão preciosas são!
OS QUE TE QUISEREM CANTAR
QUE VÃO À ARRÁBIDA
E QUE LEIAM OS TEUS VERSOS,
LENDO A SERRA,
LENDO O MAR.
Que todos queiramos,
que todos lá vamos,
que todos leiamos!
Oh! E como não lembrar, lendo e anotando estas suas palavras precisamente neste dia, as vezes do ir à Arrábida com a Matilde?
Porque…
Posso evitar que doa a ausência da Matilde, ao lê-la no muito sentir a ausência de Sebastião da Gama?
Este é o primeiro 7 de Fevereiro em que Matilde Rosa Araújo também já não está connosco.
E no entanto, escolhidas por si, amigo João Reis Ribeiro, ela, precisamente ela, a vir-nos com estas palavras para nos lembrarmos do Sebastião:
AINDA NOS PARECE QUE NÃO…
PODE LÁ MORRER ALGUMA VEZ…
Obrigado, amigo!
L. V.
Para Urbano Bettencourt ler
entre amigos certos
Por acaso é domingo. Como sabes?
Este silêncio
nenhum outro dia mo traz
de lá de fora
para dentro de casa.
Silêncio, pequeno almoço, voltar para a cama, não dar importância ao mundo, para que quereria ele a importância miserável que tu poderias dar-lhe, também não esperes que alguma te dê, sabes muito bem qual é o teu lugar, a tua sorte é teres aprendido a conviver em mundo e natureza.
Um amor lúcido e paciente, se o souberes cultivar, poderá iluminar-te o dia, mesmo que não deixem de circular as correntes frias.
Os invernos já tinham dito à tua infância que eram muito rigorosos, mal sabias, então, quanto na velhice te iam ser deste modo rigorosíssimos.
Um domingo de inverno, uma manhã silenciosa, tu a imaginar a luz e o amor, em teu ocaso, aquecendo o dia por inteiro. Um dia iluminado.
E…
O Espaço Infinito,
aquém e além de tudo.
De tudo
e quanto te é dado por lugar, teu pequeno exíguo lugar sem importância, a inútil importância que em ocaso sempre assim se revela à verdade de quem se vê.
O Espaço Infinito
que te é oferecido na aprendizagem da lição do eremita.
L V.
Manuel Gusmão, Tatuagem & Palimpsesto – da poesia em alguns poetas e poemas, Assírio &Alvim, colecção Peninsulares, 98:
«O diálogo precede o monólogo e é, ao mesmo tempo, o seu horizonte» ( Pág. 24).
Nada acrescento. Vou dedicar o tempo disponível a reler e a voltar a reler esta citação.
L. V.