segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO. 2011 - DIA 27

II ENCONTRO LIVREIRO ANUAL EM SETÚBAL
contagem decrescente
FALTAM 27 DIAS
ACOMPANHE NO encontrolivreiro.blogspot.com

 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

«ACENDESTE A LUZ/ PARA ME VERES A CARA»

Não é fácil!… 
É que não foi mesmo assim tão fácil, vir a cumprir uma promessa.
Isso porque…
Não é que fiquei preso, como nunca dantes, por gosto e curiosidade, à leitura e releitura da poesia de Helder Moura Pereira?
E sem largar para escrever a propósito! 

«Vi estrelas quando a cabeça/ embateu com estrondo na trave/ da realidade, mas não fiquei com cara/ de poucos amigos, até gostei./ (…) E mesmo que eu escapasse dessa/ logo depois não escaparia à cova/ no chão, disfarçada com ramos, e terra,/ e folhas espalhadas. Acendeste a luz/ para me veres a cara e viste/ um lugar obscuro e todo vazio.»

Ora, perante isto!...: «O computador que espere!».

Assento-me «numa cadeira/ final, com vista para o silêncio» e volto a ler o mesmo poema, o último de Se as Coisas não Fossem o que São.
Que não começa com estrelas e estrondo, começa com quê?, não sou eu que tentarei explicar, ora essa!, a poesia não se explica, lê-se e… diz-nos o que tem a dizer-nos ou nada nos diz, se nada tem para  nos dizer, é falsa, ou se não estamos capacitados para a sua linguagem.

Volto, pois, e é assim o que leio:
«Do frio e da indiferença para o jogo/ ao rubro, de uma noite para a outra/ o grito de Ipiranga, a minha revolução/ de Outubro».
Com este último poema reinicio o balanço às minhas impressões da repetida leitura do livro e ponho-me a compará-las com a de outros livros, ao menos esta meia dúzia deles que espalhei no sofá, de uma obra que já ronda os trinta. Com o sofá ocupado, a um deles é que fui buscar a «cadeira/ final com vista para o silêncio». O que diz «uma cadeira final com vista para o silêncio»?
Comparar o que Helder Moura Pereira em tempos me disse com o que me diz agora. E concluir:
«UM MESTRE EM SUA ARTE!».
Um mestre nos vários intentos a que, com ou sem intento do próprio  poeta, este poetar me prende.
Não, não entendo bem o que pretendeu o simpático premiado António Carlos Cortez. Como? Que poesia é uma linguagem?!
A poesia é uma arte que tem uma linguagem. Sem ela - essa sua linguagem, a linguagem poética - outra seria a conversa.
Uma qualquer arte tem sempre a sua linguagem. É a obrigação do artista: criar, com uma linguagem, a obra de arte. Que o é pela revelação da beleza.
A beleza da obra de arte!
Que está para além da linguagem, creio entender...
Tal como a beleza de um pôr-do sol, essa «obra de arte» anterior, está para além do movimento de rotação do planeta que somos, a nossa Terra.
( Era inevitável… Já cá está a tal pergunta: «Excedi-me?».)
L. V.

P. S.
«Não é fácil!…» e posso provar, creio bem:
«Tristonho por causa de uma solidão/ que está longe de ser única. Agravou-se/ a condição dos nossos dias, há o deserto/ para explicar ao que isto chegou». 
E no entanto vai sendo tempo de se estudar a fundo a poesia de Helder Moura Pereira.
António Carlos Cortez, precisamente o « jovem» poeta que recebeu o Prémio SPA no passado dia 22, como vimos, sendo como também é um conhecido estudioso da nossa poesia, propôs, a quem se quis inscrever no seu Curso de Poesia Portuguesa Contemporânea na Faculdade de Letras, debruçar-se, no dia 7 de Abril p.f., sobre a poesia de Helder Moura Pereira. Achei interessante dizê-lo aqui.
L. V.

A CONTAGEM DECRESCENTE: CÁ ESTAMOS!

II ENCONTRO LIVREIRO ANUAL EM SETÚBAL
2011 - ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO - DIA 27

27 de Fevereiro               FALTAM                 28 dias

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Livros? Escritores Livreiros Editores Leitores Investigadores Comentaristas Tradutores Bibliotecários Etc.: GENTES DO LIVRO

II ENCONTRO LIVREIRO ANUAL EM SETÚBAL
2011 - ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO - DIA 27
 
A   CONTAGEM   DECRESCENTE
26 de Fevereiro: faltam 29 dias!

GENTES DO LIVRO: 
CÁ ESTAMOS! 
CÁ ESTAMOS!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

F A L T A M 3 0 D I A S


II ENCONTRO LIVREIRO ANUAL EM SETÚBAL
2011 - ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO - DIA 27

GENTES DO LIVRO:
E CÁ ESTAMOS!
O Livreiro Velho inicia aqui a contagem decrescente

25 de Fevereiro: faltam 30 dias!

UM CIGARRO PARA DESANUVIAR

Queiram não se preocupar, amigos. Embora com este grande desgosto de andar afastado de um grande companheiro de anos e anos de vida guerrilheira, desde aquela manhã de 14 de Setembro que…
Portanto…
Então?
«Um cigarro para desanuviar», embora possa não parecer, é título para pedir uma leitura do poema que vem a seguir e que, tal como outros do mesmo livro, muito me interroga sobre as antigas e novas afirmações da poética de Helder Moura Pereira.

O pássaro que passa na ponte
sobre o Tejo, mesmo defronte
da minha janela escancarada,
não tem penas, não tem nada.

É um míssil, é uma linha
que desenha um arco de emoções. 
A roupa no estendal da vizinha
adquire súbitas conotações.

Lembra-me o tempo em que eu
tinha esperança, não havia esta gente
medieval, medonha e demente.
Isto está escuro como breu.

Não é que o pássaro me traga
boas novas, para dizer a verdade,
por sinal uma verdade bem amarga,
há coisas para que não tenho idade.

O impossível aproximava-se devagar
da realidade, o corpo que se abria
e num instante desatava a arfar
nesse instante era boa companhia.

O pássaro só eu é que o via.
Para onde olhava a minha companhia?
Enchia os pulmões de ar
e fumava um cigarro para desanuviar.

(Helder Moura Pereira,
Se as Coisas não Fossem como São,
pág.40)

L. V.

PROMETER E… AO DEPOIS…

«Depois falamos. Prometo».
Não sei se fiz bem em prometer…

Porque é que uma pessoa não aplica a concisão com a mesma diligência e naturalidade com que tira o bocado de carne que se meteu entre os dentes? 
Talvez porque…
Não há dúvida de que se lá entrou foi porque havia espaço. E diz-se, sempre ouvi isto: «o que já está, já está!».
Diz-se, mas não concordo. Embora seja o que faço e torno a fazer: deixo-me sempre levar pelo vício das palavras…
Mas não concordo nem me defendo. O que defendo é a importância da concisão. 

«Prometo»! Este «prometo» para quê? Não bastava dizer «depois falamos»? Ao ser já um agora, esse depois, se não me  apetecesse falar ou pensasse que ou já que… 
O  Prémio SPA de Melhor Livro de Poesia de 2010 foi, dos três nomeados, para o mais jovem, ainda com a obra a começar. Arranjava facilmente desculpa com um qualquer «se». Falaria, mas se… 
«Se» isto ou «se» aquilo! Como, por exemplo, se o premiado fosse Helder Moura Pereira…

Teoricamente, sou de facto um adepto incondicional da concisão, praticamente  já é discutível… 
Mas neste caso, desculpem, é só conversa. Este  puxar-me as orelhas é a fingir.
Com ou sem prémio, desejava de há muito escrever aqui duas palavras sobre o livro do nosso Helder Moura Pereira.
Por todas as razões que me dá o grande nível artístico do poeta. Mas também e muito porque…

Sou ou não sou um livreiro setubalense? Já velho, sim, está à vista, mas não menos dedicado aos valores desta terra que adoptei e me adoptou.
Setúbal tem de ler melhor este poeta ilustre que é um seu ilustre filho. E, evidentemente, não apenas Setúbal. Helder Moura Pereira é um dos maiores poetas portugueses da sua geração e não são os prémios mas os seus livros que o demonstram.
Continuaremos, portanto.E sem ser necessário prometer. 
L. V.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

«SE AS COISAS NÃO FOSSEM O QUE SÃO»

Cheguei à chamada encruzilhada,
esse ponto em que só há caminhos
que não fazem parte do mapa.

Cheguei lá um pouco tristonho,
com pouco na cabeça e muito no coração.
Para onde parto, que cara ponho?

Meti-me numa grande alhada,
tal como daquela vez em que fui aos ninhos
com o amigo João Manuel dos Santos Lapa.

Foi, pode dizer-se, uma tarde de sonho.
Anedotas picantes, marmelada no pão –
e o haxixe daquela época chamava-se medronho.

Tinha medo que caíssem em cima de mim
e por isso era a mãe no jogo do alho.
Onde actualmente é o Estádio do Bonfim.

Os caminhos eram quatro, fiquei parado
no meio anos a fio, a mirrar, a mirrar.
Às vezes distraía-me e era atropelado.

Não vou dizer tudo tintim por tintim,
mas digo que gostava de ser Cláudio Corallo,
a fazer chocolate em S. Tomé e Prín-
cipe.

Como não posso vou ficar aqui parado,
a marcar passo no mesmo lugar.
Tenho mais que tempo para fazer um bordado.

Helder Moura Peraira
Se as Coisas não Fossem o que São
Assírio & Alvim, 2010

É amanhã, portanto: 
21 de Fevereiro de 2011 – 21h.
II GALA DO PRÉMIO AUTOR 2011
Parceria SPA com a RTP
Centro Cultural de Belém
Transmissão em directo

Nomeados para
MELHOR LIVRO DE POESIA DE 2010

Depois de Dezembro,
António Carlos Cortez

Se as Coisas não Fossem o que São,
Helder Moura Pereira

Escarpas,

Gastão Cruz

Depois falamos. Prometo. 
L. V.

APRENDER… E TAMBÉM A/AO LER

A verdade impõe-se.
Não é conquistável.
Não deve então ser procurada?
Pergunta tão ignorante quão errada!...

Precisamente o contrário:
a felicidade do encontro é quando a verdade procurada se impõe. Só sabes dizer:
«é verdade!».
Ou nem chegas a dizer nada…
E aprendes!

Só quando e se procurada? Não, também muito de surpresa.
Por vezes.
Sabemos que sim.
Quer a dolorosa verdade, nunca, porventura, verdadeiramente procurada. 
Quer a verdade feliz, de uma felicidade precisamente acrescida pela surpresa.
Mas tens de lá estar, não é? E para lá estares não terá de haver sempre um para lá ir, mesmo que não intencional ou conscientemente dirigido?

Alguém a perguntar que leitura me fez pensar e escrever isto que…
Podemos deixar esse ponto para depois?
L. V.

A 50% do Verdadeiro ou do Falso

1.
A INTRODUZIR
«A nossa singularidade, a vida psíquica e interior, os sentimentos, as aspirações, desejos, as frustrações, angústias, prazeres, alegrias e tristezas pessoais são análogas em todos os homens. Há uma experiência comum do mundo radical na subjectividade.
(…)
A nossa dimensão única é incontornável na referência ao que somos, o não-partilhável é comum em todos os homens.»
(João Maurício Brás, A Importância de Desconfiar, págs. 67 e 68, Vega, 2010).

2.
MENTIR  A  50%
O texto que se encontrará a seguir pode parecer que é meu, mas não é.
Como se verá.
Apareceu.
Li-o, surpreendido, e o meu amigo que a seguir também o leu interpelou-me assim:
«Bonito texto.
Queres escrever algo a apresentá-lo?»
E eu, que não!

É depois que venho a um trecho destes,
o que acima transcrevi de A Importância de Desconfiar,
que só por si não me obriga a partilhar o não-partilhável.
Mas… E ao ter por detrás aquela pergunta de amigo?…
Porque  é um trecho de apresentação quase propositadamente escrito para um meu 50% de verdade e um outro tanto  de falsidade, com que sempre devo olhar-me, quer ao ver-me em espelho quer ao individualizar-me em Humanidade.  Em meu espelho, eu sou eu?  

3.
O DITO TEXTO

NUM FERIADO DE 2008,
O SILÊNCIO

Não incomodar ninguém e que ninguém se incomode comigo é o desejo impossível que estou experimentando neste momento e num dia bom para o solitário silêncio em que posso e devo medir-me com o meu Resto-restinho. Tomar-lhe o pulso para ver o ponto em que vai. Procurar despir-me de mais algumas das inevitáveis ilusões com que se vai suprindo a incapacidade de atingir a harmonia entre o viver e a realidade.
Levantei-me cedo, tomei o pequeno almoço, tomei banho, fechei-me no quarto, já sozinho, e voltei para a cama, de olhos fechados e imóvel, dedicando o corpo exclusivamente ao trabalho de respirar e a atenção ao sentir como o cérebro correspondia a esse exercício de oxigenação e quietude.
 Não há que enganar: a Vida em mim já deu o que tinha a dar. Há muito tempo que assim é e que o sinto. Como entender, então, que tenha vindo em continuação o meu viver e tanto o tenha vivido? Que respostas encontro?
Por si própria a Vida resiste à Morte.
O Amor é uma grande força e sobretudo quando junto com um entranhado sentido de Responsabilidade. Enquanto há alguma coisa para dar, alguém a quem o dar, algo ou alguém por quem ainda possamos fazer o que é preciso e por quem nos sintamos responsáveis, a generosidade e a consciência do dever multiplicam-nos.
O tabaco e o modo como em o fumando me faz companhia, por menos que toda a gente o possa e queira compreender e aceitar, dá-me um precioso complemento à coragem de viver, até certo ponto superior ao que à partida me vem das pessoas em sua boa vontade e de tantas outras coisas que não podem dar totalmente na medida em que precisam de si para si. O tabaco vai-me consumindo, mas é ao anular-se a si próprio. Tal como , a algo ou alguém, o meu também o não é, por mais que tente e deseje, o seu dar não vem puro ou perfeito, mas é do mais total que encontro e, por verdade e simbolismo, muito me enriquece.
Tanto que eu preferia, perante o perigo de o meu Amor se transformar na sua negação, que se transformasse em cinza! Estou cansado do perigo de que o Amor dê lixo. Que seja ainda, já tão ao fim do dia, a imbecilidade do querer-me para mim, sabendo, como sei, quanto a sua Verdade é querer-me para o outro. Já me basta a Inutilidade que lhe aceito, quer ao dar o que faço quer sobretudo o que sou. É tão fácil, por ilusão, dar importância quer ao que somos quer ao que fazemos! É tão difícil viver em simples harmonia do que somos e fazemos com o Universo em que somos e nos movemos!
Como viver em harmonia simples, com o Resto-restinho de mim, este resto-restinho de Tempo que ainda a Vida me vai dando?
R. V.
4.
50% DE VERDADE 
E agora?  
Se, por um lado, cada um é como todos e se, por outro, cada um é único, sou convidado pela leitura do que escreveu para nós João Maurício Brás a ir ainda mais longe. Arriscar-me pelo entendimento do «entre-eu-e-nós».  
Um convite que a um texto que é não-partilhável permite apresentar-se às hipóteses de  leitura em comum.

Foi por acaso - tão diferente o que procurava no momento! – que encontrei este texto esquecido.
Somos o que somos. Mas… 
E ainda somos quem fomos?
Podemos dizer que a vida que já vivemos é a que estamos vivendo?
Um texto do qual perdera a memória…
Com verdade o disse: «não é meu». Já não o tinha. Em nenhuma forma de lembrança.
E por mais que o reconheça, já nele só em parte me reconheço. Meu, só porque «foi» meu.
Foi?  
Fui!
5.
NÃO TENHA EU DESTA  VEZ
Isto faz-se?
Não sei.
Talvez seja melhor ir compreendendo,
em vez de querer compreender.
«(…) a sucessão do tempo e dos acontecimentos escapa a qualquer lógica que dirija e justifique os nossos interesses e motivos .» (Idem, ibidem, pág. 75).
L. V.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

SEBASTIÃO DA GAMA: COMOVIDAMENTE ABRO O “DIÁRIO”, OBRAS COMPLETAS, VOL.I

Ontem mesmo, quando na nossa Culsete pusemos à venda a anunciada e tão esperada nova edição de Diário, volume I da coleção Obras Completas de Sebastião da Gama, um grande prazer foi termos como primeiro comprador o dedicadíssimo bibliófilo António Cunha Bento. Inevitável, a todos os títulos, o seu interesse na aquisição desta nova edição, apesar de ter em casa as anteriores. Apesar e, afinal, também por isso, além da sua proximidade com João Reis Ribeiro. A vasta biblioteca setubalense de Cunha Bento é já uma referência, para muitos de nós. Tão empenhada dedicação em recolher e preservar um  património tão importante, augura que ali está a desenvolver--se um riquíssimo tesouro para a cidade de Setúbal.

E nós também, cá em casa:
também já cá temos, para o juntarmos, na nossa estante, às outras edições, um exemplar de o novo Diário.
Mas, antes, reler. Por ler de novo e para ler o novo.
Abrindo já, nesta manhã de ainda-Inverno em 2011, o livro cujo lançamento está anunciado para já- Primavera.
Comovidamente!
Comovidamente por muitos motivos.
Porque João Reis Ribeiro, só por este primeiro cair dos olhos sobre as páginas, faz aqui um acto de minuciosa atenção à Vida, Obra e Memória Viva de Sebastião da Gama, que…
Porque, de repente, cai diante dos olhos uma referência que faz voltar imagens de uma manhã de ainda-Inverno em 1986, e…

É que, mesmo sem darmos por isso e sem pretendermos que…, as coisas acontecem e impõem-se ao sentir: são os 25 anos de uma vivida manhã de  Inverno que se multiplicou por uma primeira e mais todas as seguintes Primaveras e assim se anuncia também pela de este 2011.

Peço:
Não deixem de adquirir, se possível…
Leiam, por favor, o Diário, ou releiam… Mas leiam também a Introdução e Notas de João Reis Ribeiro. Leitura indispensável, muitos o sentirão.

Um obrigado ao João. Um obrigado à Editorial Presença. E uma pergunta, que é um pedido urgente, a dirigirmos a um e a outra, autor e editora:
PARA QUANDO A EDIÇÃO DA FOTOBIOGRAFIA DE SEBASTIÃO DA GAMA?
Sem que nos esqueçamos das Cartas.  Mas, neste ponto, é só para anotar, sem qualquer mal-querer, mas também sem circunlóquios, que a situação é intolerável e indigna das pessoas e entidades envolvidas.

Tomem nota, por favor:
Sebastião da Gama,
Obras Completas, volume I,
Coordenação de João Reis Ribeiro,
Editorial Presença,
Lisboa, Fevereiro de 2011.

Comovidamente!
L. V.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

SIM, ESTOU! QUEM CHAMA?

Tenho que ir a uma consulta.  Tantas ultimamente, já agora... mais uma menos uma!
É que preciso de um diagnóstico acerca do meu problema com a provocação.
Ao que se chega… Deixei-me apanhar! Alguns amigos já me têm de tal modo na conta de provocador, que as pessoas que me conhecem bem não conseguirão, por mais provas que aduzam, convencê-los do contrário.

-Está lá?
-Sim, estou! Quem chama?

Ah! O assunto eram as provocações. Se a chamada veio interromper? Pelo contrário, pôs em cima da mesa, como inadiável de ser tratado, ainda mais o caso do que o assunto.
Pelo «caso» não me perguntem, como perguntaram pela chamada, porque…
Antes de continuarmos, se não leram, leiam p.f. ,  os comentários ao post anterior:
«Émile Cioran: 1911-1995» – Onésimo Teotónio Almeida e o próprio João Maurício Brás. Em princípio, tenho se supor que toda a gente sabe que são os dois Professores Doutores de Filosofia. Portanto, os seus comentários sabem aqui a uma chamada para que os provoque. Ou será que ainda mais do que provocar, aprecio ser provocado? A tal necessidade de um diagnóstico… E talvez que eu não seja caso único para um consultório que se dedique à provocação como especialidade.
Por mim, consulta marcada.
Para respeitar a normalidade fica em lista de espera, com um pedido de desculpas a quem não apreciar este «inter-lúdico».
L. V.

P. S.
Talvez alguém ache que é  insistir de mais no P. S.. Mas como evitar? Não me censurem p.f. …
Li hoje, estou a ler, porque hoje dei com um exemplar na estante.  A Importância de Desconfiar, João Maurício Brás (Vega, 2010). Afinal ainda não tinha sido vendido. Espero que…

Seja como for, o que mais interessa de momento é o sustento do vício de pensar:
«São propostas e atitudes mas também uma exortação à clarividência e ao alcançar a mestria de ver e viver, em que cada um faz o que diz, diz o que pensa, pensa como vive e pensa o que é, sem distinção entre ser, fazer e estar».

Vês, amigo Onésimo?
Como podes preocupar-te com a hipótese da má influência das leituras na falência da minha saúde?
Falências por cá, nestes tempos, são tão comuns que, como todas as coisas que se tornam comuns, parecem já não preocupar. Estão até transformadas em fonte de emprego: imensa gente ganha a vida a tomar conta delas. Isto, o que é preciso é imaginação e emprego…
E vai-se escapando!
Pensar? Pensar é que… Pelo menos é de «desconfiar»!!!
L. V.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

ÉMILE CIORAN: 1911-1995

O livreiro a escrever sobre Cioran? De modo algum! A tanto não se atreve. A única coisa que conta, para aqui, é que o livreiro não foge a pensar a partir do que e de quem o faz pensar. E Cioran foi/é um provocador muito poderoso para quem sofre da tendência para pensar, muitas vezes dolorosa, outras não.

O centenário do nascimento do escritor romeno-francês Émile Cioran ocorre neste ano de 2011.
Quatro dos seus livros, que conste, traduzidos entre nós: dois antes de 1995, ano da morte do pensador, e outros dois recentemente: 2009 e 2010.
A Tentação de Existir, Relógio D’Água, 1988.
História e Utopia, Bertrand, 1994.
Silogismos da Amargura, Letra Livre, 2009.
Do Inconveniente de Ter Nascido, Letra Livre, 2010.
Não é muito abonatório da nossa leitura colectiva, pois não? Décadas depois de a obra já se ter tornado marcante.
Mas é preciso pensar no atraso em que o universo editorial português se encontrava no início dos anos oitenta, em relação a obras de pensamento.
Melhorámos muito, o que não quer dizer que…

E sobre Cioran, entre nós e nosso?
Fernando Gil, uma colecção, o n.º 5 da colecção,
o título,o autor:
de João Maurício Barreiros Brás, O Pensamento Insuportável de Émile Cioran, coleção Zétesis, dirigida por Fernando Gil, na Campo das Letras, 2006.
Uma palavra sobre cada pormenor? «A tanto não me atrevo»! Agora para não me alongar. Mas posso dizer, também eu e também neste caso da minha aproximação ao pensamento de Cioran, que as coisas acontecem de modos que ultrapassam a fantasia.

E por agora só mais uma palavra.
Seria bom que  O Pensamento Insuportável de Émile Cioran não fosse neste momento um livro difícil de encontrar nas livrarias. Não o encontrando, não me consta de outro, nosso, que possamos ler.
E, seja como for, o profundo mergulho no pensamento de Émile Cioran que nos permite este livro de João Maurício Brás é notável e não é substituível por um qualquer.
L. V.

P. S. 
Gostaria de voltar, agora com transcrições de O Pensamento Insuportável de Émile Cioran.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

MAIS UMA FESTA DA LIBERDADE

Tantas vezes impotente,  o esforço, pessoal ou colectivo, contra as baias do poder, rigidamente mantidas pelas forças que a este são obedientes! 
É tão difícil alcançarmos a Liberdade de sermos responsáveis pela nossa dignidade e nosso destino, que, sempre que acontece um 11 de Fevereiro, temos de exultar, quer lhe chamemos 25 de Abril ou outro dia qualquer,antes indistinto e, depois, dito histórico.

Podemos não saber muito mais do que aquilo que nos dizem e nos mostram na televisão. E não é mais do que suficiente?
Suficiente  para acordar em nós o sentimento de total solidariedade  com os egípcios, em sua vontade de serem livres.

Viveram hoje a sublime alegria de terem feito ouvir ao poder que a ilusão de conduzir os seres humanos como seu gado, nunca há-de ter outro desfecho.
Nunca teve! Autoridade tem-na quem tem. Poder legítimo é poder que ninguém deve ter como seu, sobre ninguém.
Mas, infelizmente, não bastou proclamar que o poder é do Povo.
L. V.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

«E SE COMEÇÁSSEMOS POR NÓS?»

Nos Açores as tradições relacionadas com o Carnaval começam hoje, na quarta Quinta-feira antes do Entrudo ocorre a Quinta-feira de Amigos, as próximas serão respectivamente Quinta-feira de Amigas, Quinta-feira de Compadres e Quinta-feira de Comadres.
Sem dúvida, que as duas primeiras são actualmente as mais pujantes por estas ilhas, hoje, Quinta-feira de Amigos, ocorrerão em restaurantes, colectividades e casas particulares magníficos jantares onde o prato principal será o convívio entre amigos homens, excepcionalmente alguns permitirão a entrada de mulheres, na próxima, Quinta-feira de Amigas será o inverso. (Ler em: geocrusoe.blogspot.com).

Não é que precisasse, pessoalmente, desta mensagem, para hoje me lembrar de que já estamos em Quinta-feira de Amigos.
Um mail de hora de almoço, de um lídimo amigo açoriano, para uma roda de seus amigos também açorianos na qual tenho a felicidade de participar, dizia isto:

Caríssimos AMIGOS,
Salvo erro (não tenho pachorra de ir verificar), foi o Max Jacob, num
dos seus poemas em prosa, que sugeriu que todos os amigos do Mundo se
dessem as mãos e fizessem uma roda à roda do Mundo. E se começássemos
por nós?

Não foi por isso (Não devo? Deveria?): para nomear quem a lançou…
«Colar» e «copiar» para aqui a pergunta com o declarado intento de alargar o desafio.
Faz sentido?
Por alguma razão algumas pessoas frequentam este blogue.
Portanto… 
L. V.
 
 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

QUANDO SE ENCONTRA UM DIZER MELHOR

Muito melhor!
Chesterton a exprimir muito bem o que queria eu dizer com esta
das minhas trivialidades ou disparates: «detesto inocentes!».

Ora veja-se:
«A virtude não é a ausência de vícios ou o evitar perigos morais»( in Tremendas Trivialidades, Aletheia Editores, 2010).
Acabo de o ler.
E salta-me em comentário:
«O vício de ler não é inocente! De modo algum!»
L. V.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

LENDO A SERRA, LENDO O MAR


Caríssimo Dr. João Reis Ribeiro,

Quando a lembrança deste 7 de Fevereiro de 2011 hoje entre nós se trocou, ao telefone, não se falou em blogues. Mas naturalmente lá fui, ao da nossa Associação Cultural Sebastião da Gama e aqui estou agora a pedir a quem venha a este meu: 
abra «sebastiaodagama-acsg.blogspot.com».
Porque…

Pedi-lo por tudo o mais, o muito mais.
Só que em especial porque muito me tocou a transcrição das palavras de Matilde Rosa Araújo. 
Além de aqui e assim serem agora fáceis de encontrar, quão preciosas são!

OS QUE TE QUISEREM CANTAR
QUE VÃO À ARRÁBIDA
E QUE LEIAM OS TEUS VERSOS,
LENDO A SERRA,
LENDO O MAR.

Que todos queiramos,
que todos lá vamos,
que todos leiamos!

Oh! E como não lembrar, lendo e anotando estas suas palavras precisamente neste dia,  as vezes do ir à Arrábida com a Matilde?
Porque…

Posso evitar que doa a  ausência da Matilde, ao lê-la no muito sentir a ausência de Sebastião da Gama?
Este é o primeiro 7 de Fevereiro em que Matilde Rosa Araújo também já não está connosco.
E no entanto, escolhidas por si, amigo João Reis Ribeiro, ela, precisamente ela, a vir-nos com estas palavras para nos lembrarmos do Sebastião:
AINDA NOS PARECE QUE NÃO…
PODE LÁ MORRER ALGUMA VEZ…

Obrigado, amigo!
L. V.

PARA TUDO?

Ouvi dizer: «há tempo para tudo».
Esta e outras tive que aprender a traduzi-las para um falar menos afirmativo . Por isso estou repetindo todo o dia e algumas vezes durante a noite: «vamos com calma». Assim, já posso entender que« tudo» é somente a soma do que chega a acontecer, sem qualquer contemplação com o mais que era bom  que também acontecesse, como era possível, se…

O melhor talvez seja deixarmos as coisas neste ponto. Cada um é que sabe da sua vida. Mas há muitíssimo de comum no nosso destino individual. E muito do que nos rouba preciosas parcelas de vida livre e natural devia ser posto em causa e discutido até à limpeza do caminho.
Falta inteligência, não é? Já sei. E vistas largas… E vistas mais largas…
Como se alguém se pudesse abrigar da pancada fechando os olhos. É institivo.
L. V.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

POR OCASO. Em domingo.

                    Para Urbano Bettencourt ler
                   entre amigos certos

Por acaso é domingo. Como sabes?
Este silêncio
nenhum outro dia mo traz
de lá de fora
para dentro de casa.

Silêncio, pequeno almoço, voltar para a cama, não dar importância ao mundo, para que quereria ele a importância miserável que tu poderias dar-lhe, também não esperes que alguma te dê, sabes muito bem qual é o teu lugar, a tua sorte é teres aprendido a conviver em mundo e natureza.

Um amor lúcido e paciente, se o souberes cultivar, poderá iluminar-te o dia, mesmo que não deixem de circular as correntes frias.
Os invernos já tinham dito à tua infância que eram muito rigorosos, mal sabias, então, quanto na velhice te iam ser deste modo rigorosíssimos.

Um domingo de inverno, uma manhã silenciosa, tu a imaginar a luz e o amor, em teu ocaso, aquecendo o dia por inteiro. Um dia iluminado.
E…

O Espaço Infinito, 
aquém e além de tudo.

De tudo
e quanto te é dado por lugar, teu pequeno exíguo lugar sem importância, a inútil importância que em ocaso sempre assim se revela à verdade de quem se vê.

O Espaço Infinito
que te é oferecido na aprendizagem da lição do eremita.
L V.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

«A PUREZA DE NÃO SER COISA NENHUMA EXACTAMENTE»

Coisa nenhuma, a Poesia? Ou…?
É uma conversa com Eduíno de Jesus que fica  adiada. Porque chegou-me aqui um momento de preciosa leitura.

Lembras-te, amigo Eduíno, daquele verso de Ossadas, para mim incontornável livro do mestre também teu, de modo tão especial do teu amicíssimo Jacinto Soares de Albergaria, mestre de tantos outros moços de então, de João José Cachofel e Carlos de Oliveira - os que mais o acompanharam na fase final –, o nosso Afonso Duarte?

É este, o verso:
«Vive-se de olhar uma flor». 

Para deixar que o teu-meu momento de beleza passe a quem veio ler o blogue, não vou fazer comentários,  não acrescento mais que isto:
Lembrei-me deste verso do mestre ao reler um teu precioso poema, que te peço licença para trancrever.   Que poema, este poema!
A FLOR NA ÁGUA
A imagem da flor na água
não tem dentro:
É como

o amor a dor a fome o gume
do canto. E,
no entanto,

ondula na água como
uma flor real
ao vento.

E assim como a flor
que lhe empresta a forma,
o vento, por fim, destrói: assim

sem ser tocada
de nenhum
vento real

(senão aquém
onde ondulava
o seu suporte),

a imagem morre
na água
e tudo acaba

como se a morte
tocasse também
realmente

aquela flor de nada.

(Os Silos do Silêncio, pág. 232)

Comentários?
Hum!
«A poesia, não se sabe o que é./Nem é preciso/(…) O que ninguém sabe/ é que tem o mistério e a pureza de não ser/ coisa nenhuma exactamente»

(Eduíno de Jesus, Os Silos do Silêncio, pág. 149).

Depois deste comentário do próprio Eduíno, posso pedir o cuidado de voltarmos a ler «aquela flor de nada»? Com cuidado!… É uma «flor de nada»!
L. V.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

«O DIÁLOGO PRECEDE O MONÓLOGO»

Manuel Gusmão, Tatuagem & Palimpsesto – da poesia em alguns poetas e poemas, Assírio &Alvim, colecção Peninsulares, 98:

«O diálogo precede o monólogo e é, ao mesmo tempo, o seu horizonte» ( Pág. 24).

Nada acrescento. Vou dedicar o tempo disponível a reler e a voltar a reler esta citação.
L. V.