sábado, 30 de abril de 2011

A OITENTA E UM (III) «Sem as luzes aluadas do Parque, of course.» http://adasartes.blogspot.com/


 http://encontrolivreiro.blogspot.com/
Vou em ver!… 
A ver se acompanho e espero que como eu…
Porque se há uma altura de encontro das GENTES DO LIVRO, quer pelo lado da lua quer pelo da estrela polar, é esta das Feiras do Livro Lisboa-Porto.
Está provado, não está?
- Ainda que guiados por setas, todos vão lá ter!
São de facto o melhor destas feiras: encontros.
Que haja festa, encontro, debate à volta do livro e da leitura!
Pague quem pagar e viva quem ganha!

ALFAS:
«em bom, em social, assim às primeiras disse olá à berta ao guerra ao nuno ao vasco ao valter ao araújo à ana maria à cecília à rosário ao paulo à maria joão ao nuno (outro) ao luis ao samuel à marta à cláudia à rute, enfim, vai mas é trabalhar, seria o recado da troika aqui para o je,»
http://irmaolucia.blogs.sapo.pt/2061067.html
«Começou ontem a Feira do Livro de Lisboa. Ouço falar de inovações acerca do espaço que atualmente ocupa no Parque Eduardo VII, e que terão lugar em 2013. Pessoalmente, gosto da feira assim e já lhe vejo demasiadas inovações mas provavelmente estarei sozinho, porque as pessoas, em geral,» http://fjv-cronicas.blogspot.com/

«Será conservadorismo da minha parte,  (…) mas substituir a sensação de subir e descer as alamedas em passeio livresco pela necessidade de entrar e sair de sítios não me alegra os dias de Feira.» http://cadeiraovoltaire.wordpress.com/2011/04/29/feira-do-livro-de-lisboa-2011-primeiras-impressoes/

BETAS:
«Uma pergunta, somente, e depois se verá.:
- O que significaram e o que significam as Feiras do Livro da Apel (não esquecer: são oitenta e um anos de influência!) para o desenvolvimento do comércio livreiro e para o desenvolvimento da leitura no Portugal que somos?»
(chapéu, 81.ª-I)

«Os novos tempos, as novas técnicas, as promessas de mais e melhor divulgação das artes e das ciências propõem que tudo se repense.
A nova civilização, tão sensivelmente emergente e já demasiado necessária, exige!
Já não se limita a propor.»
(bengala , 81.ª-II)

SETAS:
Acaba hoje o mês das petas para dar lugar a um mês que nos promete abundância de tretas e tempos de escravidão propícios aos profetas.
Março é que foi um grande mês com Steiner na Ler 100!

MEGAS:
«Ora, o problema do colapso económico, da provável redução dos nossos luxos, pode ter consequências muito boas.
Quando as coisas estão mal, muito mal, as pessoas começam a ler com seriedade, a ler melhor.»
(Steiner, Ler 100, pág. 31).

IPSAS:
Ó mega-feiras, mega-feiras baseadas no falso sinónimo!
Embora Santo António não possa estar contente com o vosso calendário e ninguém, portanto, lhe possa atribuir responsabilidades pelo granizo sobre Lisboa, há-de vir bom tempo! 
O primeiro fim-de-semana não conta! 
Até faz sentido:
respeita-se um velho ditado e fica crédito para se voltar a decidir o prolongamento.
L. V.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A OITENTA E UMA (II)

Era preferível intitular como ontem: «A 81.ª»? Ou então: «A Octogésima Primeira»?
Talvez.

Era preferível entrar hoje aqui pela crónica do ir esta manhã a exames respiratórios no Hospital de São Bernardo?  Por me saber livreiro, a  simpatiquíssima técnica de saúde a  trazer à conversa a inauguração da Feira do Livro e, já que o assunto era comigo, o quanto foi bonito ver compreendida uma história mal contada!
Depois, talvez.
Vamos a ver se é oportuna essa crónica sem que lhe passe por cima um lápis vermelho de auto-censura…

Do que apanhei na rede, entretanto, a cópia ilegal foi assunto ontem sublinhado  na sessão de abertura da 81.ª Feira do Livro de Lisboa: 
(«O presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Paulo Teixeira Pinto, anunciou na abertura da Feira do Livro, na presença do procurador-geral, que a entidade pediu para ser constituída assistente em crimes contra a cópia ilegal.» (Site TVI24)

Cópia ilegal:
um conceito que decorre, à partida, dos conhecidos e reconhecidos e respeitáveis direitos de autor, legislados, não em todo, mas em quase todo o globo, à maneira de fazer do livro, antes de mais, uma mina de dinheiro e só depois,  por uma generosa  condescendência dos benfeitores da dignidade humana,  uma nascente de inteligência, conhecimento e arte.

Quem tem sido livreiro desde que a Feira do Livro de Lisboa ainda nem tinha metade da idade actual, recusando, embora deva reconhecer que parvamente ou ingenuamente ou utopicamente ou tudo junto, ser autor ou editor, livreiro só livreiro, portanto, e vivendo disso com a comum dificuldade deste ramo de comércio, não tem, não pode nem podia ter, nada contra uma forte rentabilidade económico-financeira do livro. Não é por aí…

De certeza que ninguém vai ignorar que aqui ficou dito: «não vou por aí».
É pela razão das coisas submetida à razão do dinheiro.

O meu pensamento não sabe como encontrar resposta. Não tanto ao olhar para os editores e livreiros quanto para os intelectuais, os que escrevem, os que são publicados, os que são os autores.
Alguma vez eu ia aceitar que após a minha morte se pretendesse com setenta anos apenas  compensar justamente  uma obra imortal («os que se vão da lei da morte libertando»)!
Ainda se os direitos assim reduzidos a um prematuro crepúsculo, mos pagassem à cabeça!
Domínio público! Domínio público a partir do dia da morte do autor! Isso é que era! Era o que devia exigir qualquer autor que acredita na sua obra e na daqueles que conheceu e não são reeditados porque…
Cinquenta ou, pior agora, setenta anos! Dá tempo de desaparecer! Pode sempre ser recuperado? Já pensei nisso e pode sempre acontecer. Está a acontecer com Raul Brandão. E o empobrecimento que foram, para a leitura portuguesa, aqueles doze anos (confirmou-mo Victor Viçoso) em que a obra de um tão indispensável autor andou desaparecida? Recuperar é sempre possível, seja o desaparecimento devido às heranças ou a «deslembramentos». Mas recuperar gerações de leitores, isso não é. Lugar aos novos!

Há respeitos que são vergonhosos. E muito menos vergonhosos para quem é respeitado do que talvez para quem respeita. Um triste modo de respeito, acho eu e não vou teimar, é o admitido em propagandistas e «lucradores» com a necessidade ou imbecilidade dos outros. Aplica-se ao caso dos direitos de autor? Talvez fosse preciso ver melhor alguns aspectos. Talvez. Pensando numa harmonia com o futuro. Mas «não é por aí»…

«De certeza que ninguém vai…», já ficou escrito.
A cópia ilegal é para combater devidamente.
Mas, dentro da legalidade, não deve haver quem combata o excesso de protecção aos direitos de autor? Neste preciso momento há casos de obras que …

Os novos tempos, as novas técnicas, as promessas de mais e melhor divulgação das artes e das ciências propõem que tudo se repense. A nova civilização, tão sensivelmente emergente e já demasiado necessária, exige! Já não se limita a propor.
L. V.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A 81.ª

Começou hoje, toda a gente sabe, a Feira do Livro de Lisboa deste ano de 2011.
Não consegui saber o suficiente sobre o que este ano se disse na inauguração. Tenho sempre curiosidade e até sinto que é meu dever dar atenção aos discursos inaugurais.

Já que nada consegui ouvir nem ainda li nada, também não deixarei aqui nenhum comentário sobre «o grande acontecimento livreiro português do ano».
Todos lá, para não perderem as…! 
Parabéns a quem lá encontra, só lá, o que durante o ano não encontra em parte nenhuma, que não encontra mesmo! Etc..

Uma pergunta, somente, e depois se verá.:
- O que significaram e o que significam as Feiras do Livro da Apel (não esquecer: são oitenta e um anos de influência!) para o desenvolvimento do comércio livreiro e para o desenvolvimento da leitura no Portugal que somos?
L. V.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

«QUE ACHAM?» E ERA UMA VEZ UMA NOITE DE PASSAGEM, COM LUA CHEIA, DE 24 PARA 25 DE ABRIL…

Perguntar, bem que perguntei.
Respondeste?
Talvez! Talvez!

Há muita coisa que não é preciso dizer.
Agora corrigido:
Há muita coisa que é preciso dizer.
Em que ficamos?

Às vezes é possível acreditar. Outras, porém, é tão pesada a incerteza que para acreditar se tornaria necessária uma  inteligência pelo menos um bocadinho mais cultivada e menos assustada.
L. V.

terça-feira, 26 de abril de 2011

CONTAS-ME AS MENSAGENS DE ABRIL?

Escrevo-te esta carta à flor de Abril
destinando o meu sonho ao teu futuro
sem palavras heróicas só cuidosas
De um sentimento delicado e puro.
………….

Oh! Como é bom à flor de Abril pensar
que a Vida se transmite renovada
mesmo quando nos sobram desenganos
entre a vida vivida e a sonhada!

Para o longe em que vejo o teu destino
já não irá o meu que acaba aqui.
Ao dar-te a flor de Abril e seu ensino
tu dás-me o belo Mundo que não vi.
R.V.

P. S.
Contas-me, também tu, o Abril que é teu? 
Não contei as mensagens de Abril que ontem e hoje recebi e diferentes e despertando o desejo de responder e comentar, mas…
E foi por isso…  e já que, no sábado, Dia Mundial do Livro, Américo Pereira me ofereceu uma sua leitura do poema À FLOR DE ABRIL.  A ele fui por este excerto a que venho juntar um abraço para quem me exprimiu, pela positiva ou pela negativa, o seu sentir o Dia da Liberdade.
L. V.

domingo, 24 de abril de 2011

LIBER (O LIVRO), LIBER-TAÇÃO (A PÁSCOA), LIBER-DADE (OUTRA VEZ ABRIL)

1
LIVRO e LIBERDADE - Que bela prenda nos dá o calendário: o DIA MUNDIAL DO LIVRO e o DIA DA LIBERDADE quase a coincidirem! Dias que não podem ser apenas um dia por ano. Quando todos os dias forem, em todo o mundo, dias do Livro e da Liberdade, o Homem será, simultaneamente, mais Homem e mais Livre. http://encontrolivreiro.blogspot.com/
BOM DIA DO LIVRO!
BOA PÁSCOA!
BOM DIA DA LIBERDADE!
Luís Guerra
2
Perdoará o nosso amigo Luís Guerra, confio, este copiar para aqui sem prévia licença a sua exultação e cumprimento .
E creio que sorrirá por lhe traduzir a BOA PÁSCOA que nos deseja em mais um «liber», deste modo elevando para tripla a coincidência.
E também espero que aqui  todos fiquem bem comigo ao trazer para a nossa mesa em Domingo de Páscoa este breve mas precioso texto.
Um outro é que era para entrar, mas há destes acidentes… (tentarei recompor…) e, para ser franco, também neste caso aceitei como bom o «há males que vêm por bem».
3
«DIAS DO LIVRO E DA LIBERDADE, O HOMEM SERÁ…»: perguntar aqui à volta da minha mesa se isto, dito assim, …
Ai! Oih! Estão a ver isto?
Qual era a pergunta que ia a fazer?
Estou, de repente, baralhado!
É verdade que trazia uma pergunta para entre nós lançar, mas, quando ia em teclá-la, uma catadupa de outras a acudir à cabeça, querendo também ser jogadas neste desafio e aqui está: os dedos, olha, já não atinam com a que tinham entre mãos!…
4
E é isto! Ele há tanta coisa para perguntar, pensar, discutir, entender, sugerir, etc., etc.!… Como é que fazemos?
Talvez uma festa, mas era se fossemos outra vez escuteiros: à volta da fogueira. Talvez, digo eu, mas era se houvesse chefes que ou diriam alguma coisa que valesse a pena ouvir ou iriam servindo para alimentar a fogueira.
Que acham? Isto, queimando os que querem ser, talvez fique o lugar para os que devem ser. Aí, seria ou não, outra vez, a alegria de Abril? Que acham?
L. V.  

sexta-feira, 22 de abril de 2011

«ESTE NOVO DIA DO LIVRO»

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CULSETE-23 de Abril–DIA MUNDIAL DO LIVRO-2006
Mensagem do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor

Autoria de Urbano Tavares Rodrigues

Dia 23 de Abril de 2011

Dos mais antigos e preciosos manuscritos, por vezes maravilhosamente iluminados, ou seja cobertos de ricas ilustrações, à descoberta da imprensa, que inicia um processo de democratização da leitura, ao aparecimento dos primeiros jornais, ainda de reduzida circulação, ao surto da imprensa moderna, o livro, de começo destinado a um escol de leitores, não tarda a chegar às massas devido ao ruído social e até ao escândalo de obras como as de Victor Hugo, que trazem ao público o milagre, o mistério, a aventura prodigiosa.

O Germinal e outras obras de Zola foram extremamente motivadoras para a conquista de um círculo muito abrangente de leitores. Só tarde se vulgarizou o subproduto romanesco, a partir de obras com certa qualidade, que foram imitadas, vulgarizadas, estereotipadas.

O livro, que às vezes provinha do folhetim, ganhou cor, beleza, tornou-se umas vezes discreto, outras vezes berrante para chamar a atenção do público mais simplório. Suportou a concorrência do cinema e da televisão, com os quais estabeleceu relações íntimas de interpenetração.

Já muito mais tarde sofreu a concorrência da Internet e resistiu-lhe. O modelo de globalização neo-liberal, que não afecta a grande literatura, marcou profundamente os subprodutos muito vendáveis, contendo lixo literário. Há por vezes o que parece ser uma concessão a processos um pouco fáceis de sedução do leitor. Mas continua a fazer-se muito boa literatura. A digitalização dos livros lançados na Internet preocupa alguns puristas, mas a verdade é que o livro em papel resiste. É com ele que se adormece à noite e por fim nos cai das mãos ou é enfiado debaixo do travesseiro, companheiro querido, onde por vezes se escrevem anotações, juízos, comentários, críticas ou pequenos elogios, que o valorizam aos olhos dos bibliófilos.

O livro tornou-se um amigo, foi nele que em muitos casos, nos descobrimos, com ele crescemos e nos transformamos, permanecendo fiéis ao mais profundo da nossa natureza. Lembro-me sempre do que foi para mim, como descoberta íntima do meu ser, a leitura de L’exile et le royaume, de Albert Camus. Camus, de quem vim a tornar-me amigo, morreu cedo, abruptamente, num acidente de automóvel. Restam-me dele retratos e os seus livros, palpitantes de vida, anotados por mim, desde O mito de Sísifo, que traduzi para português, aos outros, tão vivos, alguns cobertos de gatafunhos como La chute, que me inspirou o comportamento de um mentiroso compulsivo numa curta novela.

A terminar esta breve série de considerandos sobre o livro, a sua trajectória no tempo, a sua magia glorificada como resistência do espírito, que é e será contra a barbárie economicista, que reduz tudo a dinheiro. Desejo que brilhe com a suprema luz da paz e da fraternidade universal este novo dia do livro.

Urbano Tavares Rodrigues

Retirada de http://www.spautores.pt/destaques

É JÁ AMANHÃ!



Não se esqueça! DIA MUNDIAL DO LIVRO
É já amanhã que acontecerá, a partir das 16:30 h., a Tertúlia de Leitura na livraria Culsete, comemorando o Dia Mundial do Livro.

Serão lidos textos de Resendes Ventura, Carlos de Oliveira, José Régio, Eduardo Bettencourt Pinto, Brissos Lino, Catarina Coelho, Sebastião da Gama, Miguel Torga, Manuel Alegre, Fernando Bento Gomes, Fernando Gandra, Mia Couto, João Carlos Silva, André Moa, Sophia de Mello Breyner Andresen, Margarida Fonseca Santos, Rita Vilela, Teolinda Gersão, Irene Lisboa, Maria Ondina Braga, José Henrique Borges Martins, Luís de Sttau Monteiro, Rui Garcia.
Os leitores serão Américo Pereira, Anita Vilar, António Chitas, Artur Goulart, Brissos Lino, Catarina Coelho, Carlos Almeida Santos, Eduardo Dias, Fernando Bento Gomes, Fernando Gandra, Fernando Guerreiro, Isabel Fernandes, João Carlos Silva, José Guilherme Macedo Fernandes, Luís Filipe Estrela, Maria João Trindade, Margarida Braga Neves, Natércia Fraga, Olegário Paz, Nuno Fonseca, Rui Garcia.
Apareça e traga os seus amigos. Nada mais é preciso para que seja perfeita a Tertúlia de Leitura da Culsete.
[Culsete, Av. 22 de Dezembro, n.º 23 A, Setúbal; Tlf.: 265526698]

quinta-feira, 21 de abril de 2011

INTERLÚDIOS - III


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REGRESSO À ILHA


recebo o poema como quem escuta uma voz perdida que vem dos longes voz de alguém de quem será

não são as palavras que recebo mas somente uma mensagem de presença sinto-a e descubro um sentido que invadiu a paisagem por onde o meu olhar se estende

digo «sim» ao dilema que me bateu à porta abre deixo-o entrar a dividir-me como se dois amigos meus entre si divididos viessem solicitar a minha concordância qual deles a teria

ou fico ou embarco nos sentidos resolvo não tomar uma decisão apressada estendo a mão para melhor sentir de que lado vem esta brisa ténue que está de passagem e torna suave a luz da tarde

altura tão apropriada para um regresso à ilha

se ela me pedir os olhos para aquela imagem que vai por entre as encostas e ravinas tão verdes no imenso verde de minh’alma do miradouro da tronqueira até ao mar eu vou lavar-me em lágrimas nessa tarde iluminada por um resto de sol

se assim for ah! se assim for quem aí poderá impedir-me de assossegar com as lágrimas paz-e-harmonia do verde-azul da ilha esta tristeza da grande dor do mundo
R. V.
Setúbal
21.Abril.2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

VER HOJE NA MONTRA

 

O Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Escritores, foi atribuído a  Manuel Gusmão, pela publicação da obra Tatuagem & Palimpsesto - da poesia em alguns poetas e poemas (Assírio & Alvim, 2010). http://assirioealvim.blogspot.com/

terça-feira, 19 de abril de 2011

Por HOMENAGEM AO LIVRO, a tarde NA CULSETE: sábado próximo, 23 de Abril

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I – VER O CARTAZ NA MONTRA DA CULSETE
«Todos os anos, a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas assinala este dia com a publicação de um cartaz que distribui por bibliotecas, livrarias e outros espaços culturais. Com este cartaz, pretende-se chamar a atenção para a importância do livro e da leitura como forma de melhorar os índices de literacia das diferentes camadas da população.

O cartaz deste ano é da autoria do artista plástico e ilustrador João Vaz de Carvalho. Premiado nacional e internacionalmente, editado em vários países, é hoje reconhecido como um dos mais prestigiados artistas do sector.»
http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/DiaMundialdoLivro2011.aspx


II – PASSAR NA CULSETE A TARDE DO PRÓXIMO SÁBADO:
O NOSSO CONVITE AMPLAMENTE DIVULGADO
PELA IMPRENSA E PELA INTERNETE
«No próximo sábado, 23 de Abril, a partir das 16: 30 horas, a Livraria Culsete (Setúbal: Avenida 22 de Dezembro) vai realizar, a exemplo de anos anteriores, uma tertúlia de leitura, comemorando assim o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.

Serão perto de duas dezenas os leitores, escritores e não só, frequentadores habituais da livraria, que irão ler vários tipos de textos, numa partilha democrática sem outro limite que não seja o do tempo de leitura.

Para além disso, durante todo o dia 23, a partir das 10 horas, a Culsete vai disponibilizar uma selecção de títulos, de grande qualidade, a preços bonificados, sendo a bonificação de 20%. Os restantes livros à venda na livraria terão uma bonificação de 10%. Passe pela Culsete e veja a nossa escolha. E, se tiver de honrar a tradição pascal de oferecer amêndoas, permita-se este ano dizer como nós: as minhas amêndoas são livros.

Prevê-se, pois, uma muito animada tarde de tertúlia de leitura na Culsete. A entrada é livre, como é habitual. Apareça! Contamos consigo e com os seus amigos.» 
http://nestahora.blogspot.com/


III – «PERMITA-SE ESTE ANO DIZER COMO NÓS:
          AS MINHAS AMÊNDOAS SÃO LIVROS»
Não fazer as coisas por menos.
Sem dúvida que chamar a atenção para a importância do livro, promovê-lo numa sociedade que está muito longe de níveis aceitáveis nos seus hábitos de leitura, discutir a preservação do livro perante  a crescente invasão do seu espaço pelas novas tecnologias, tudo isso está bem, é apropriado para o dia Mundial do Livro.
E se juntamente com isso, acima disso e exactamente como boa maneira  de conseguir isso, quisermos, à nossa celebração do Dia Mundial do Livro, imprimir um sentido e sentimento de GRATA HOMENAGEM?
Cremos, nós por cá, que é com esse sentido e sentimento que virão no próximo sábado à Culsete as pessoas que virão.

Porque somos nós, os apaixonados do livro e da leitura, que vamos celebrar o Dia Mundial do Livro.
Alguém duvida?
Não! Não são os que o não respeitam, quer por não o terem descoberto quer por terem descoberto que o livro serve para fins que lhe são alheios, desde manipulações de ideias a assaltos a carteiras.
Somos nós! Cada dia mais conscientes de que, muito do que somos e do melhor que somos, ao livro o devemos.
L. V.

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23 de Abril de 2006

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23 de Abril de 2010

segunda-feira, 18 de abril de 2011

POSSO perguntar SÓ PARA perguntar? (2)

«Três hipóteses, para depois me responderem, se valer a pena».

Ninguém me respondeu à primeira jogada de hipóteses.
Desisto ou não?
Nem que me arricem os cães!
Agora desistir!
Duma sobremesa tão boa para os dentes?

Qual das três me aconselhariam, se fosse eu a….
1.ª
«Só que não é possível contar tudo o resto e deixar de fora a história»
2.ª
Só que não é possível contar todo o resto…
3.ª
Só que não é possível… não é possível… não é possível…
( Pois claro que não! Não é possível! «Escritores» que riscam assim, são escritores? Apesar de riscado, porém,  o disco talvez não seja o grande culpado, mas sim a agulha, isto é, a crítica. Se é que o que por aí se escreve chega a ser crítica, quero crer que sim, em alguns casos, pelo menos…).
L. V.

domingo, 17 de abril de 2011

FICAR ASSIM? É IMPOSSÍVEL! (1)

«Os dias correm»
e as citações decorrem...
I. Francisco José Viegas
«Os últimos dias foram, naturalmente, agitados. Por isso, uma explicação aos leitores do blog.
1. Três, quatro dias em «formação a livreiros», Lisboa, Coimbra e Porto. Uma tarefa agradável, entusiasmante — e até comovente. Cerca de 150 livreiros, aproximadamente, com quem se falou de livros. Aprender muito, bastante; ouvir relatos de experiências «do outro lado da barreira», de gente que manuseia livros, arruma livros, vende livros, devolve (com tristeza) livros não vendidos. Acho que a formação foi, realmente, para mim.»: http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/

II. Francisco José Viegas
«A culpa é do livro digital? Não apenas. É sobretudo de uma gestão virada para o “capital financeiro”, que acreditava que podia vender livros da mesma forma que venderia produtos de limpeza, e que poderia impingir eternamente subprodutos infames. Como estava escrito há muito, o livro vingar-se-ia dos seus algozes ignorantes – mas, infelizmente, é um mundo que, tal como se anunciava, termina os seus dias deixando um rasto de desemprego, de desolação e de culpa. É assim.»:
http://fjv-cronicas.blogspot.com/2011/02/blog-798.html

III. Francisco José Viegas
«O debate, vai-não-vai, centra-se(…).
Acontece que a crise das livrarias (…) não começou com (…)
Começou com (…) a imbecilização (…), enfim, uma série de factores que com facilidade nos arrastariam para o ainda mais fácil (e mais perigoso) discurso sobre a decadência da Humanidade. Não é preciso ir tão longe; mas cada um de nós (…).
Talvez se consiga que estes assuntos entrem no debate (…).»:
Ler 101 – Abril de 2011.

IV. Francisco José Viegas
(Fiquemos por aqui, podendo sempre voltar, naturalmente! Por agora baste o convite para ir às fontes: blogues e LER. Por favor, não me peçam é para ser, aqui, mais académico do que…).

V. Luís Filipe Cristóvão
«Deixem-se de merdas, somos todos culpados .
(…)
O problema da Trama somos todos nós. Não sabemos o que andamos aqui a fazer.»: http://luisfilipecristovao.blogspot.com/2011/04/deixem-se-de-merdas-somos-todos.html?spref=fb.

E?...
É natural: exigir que «isto não fique assim».
L. V.

ESTOU MENENTE!

Gostava de saber onde a expressão «estar menente» é usada para além das minhas ilhas açorianas. Hei-de perguntar ao nosso mestre Eduíno de Jesus.

É que penei para conseguir, mas, agora ao serão, lá consegui, mesmo:
Ver e ouvir a conversa de Francisco José Viegas com três livreiros, no seu programa Nada de Cultura (TVI24) do dia 13 do mês corrente, desta semana, portanto. Consegui e agora estou menente pelo que ouvi e pelo resto.
Foi bom abrir o blogue da Pó dos Livros que me levou ao Nada de Cultura: Francisco José Viegas a conversar sobre isto das livrarias com os seus convidados Caroline Tyssen da Livraria Galileu, Marta Serra das Livrarias Bertrand e Jaime Bulhosa da Livraria Pó dos Livros.

Ora, pergunte-se, o que tinha estado a ler depois da sestazinha do almoço, a reler, melhor dito, e porque já há dias andava a ver se o assunto livrarias me voltava aos dedos nesta nova hora certa para
mais umas trocas de ideias e impressões sobre o tema?
Exactissimamente! O editorial de Francisco José Viegas no n.º101 da sua revista LER!

Estou menente, não é para menos, e por isso vou deixar assentar a poeira das impressões do momento, para então depois…
É que«isto não fica assim»,
se ficasse mal seria,
mas como ficará?
Ouçam e leiam, por favor, o que vai por aí e vamos ver se temos ideias para trocarmos sobre o momento livreiro, na realidade e na discussão.
L. V.

sábado, 16 de abril de 2011

POSSO PERGUNTAR SÓ PARA PERGUNTAR?

Três hipóteses para depois me responderem, se valer a pena falarmos do que mais interessa.

O verbo, neste caso é «exalar». Mas o meu assunto são as regências, um assunto que dá para desconfiar, cada vez mais, de que muita gente, nobilitada embora pela sua escrita, nunca ouviu falar. Um assunto, parece-me, incomensuravelmente mais importante, no respeito pela língua, do que qualquer legislação ortográfica. «Da minha língua vê-se o mar» (Vergílio Ferreira).

1.ª
«Daquele improvável vácuo exalava uma estranha aura, e atemorizadora, por certo».
2.ª
Daquele improvável vácuo exalava-se uma estranha aura.
3.ª
Aquele improvável vácuo exalava uma estranha aura.

Qual das três me aconselhariam, se fosse eu a imaginá-la ou a lançar ao mar a suposta exalação?
«Da minha língua vê-se o mar» (Vergílio Ferreira). Aprendi-a na ilha com gente simples, tão simples que se lhe notava a proximidade das nascentes. De algum modo, depois, vim a um grande respeito pelas regências que assim aprendera e a um grande cuidado em não ignorá-las.
L. V. 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

COMEMORAR O DIA MUNDIAL DO LIVRO: COMO É?

I
Vamos a isso!
Quem quiser pode participar na Tertúlia de Leitura da Culsete,
no sábado, 23 de Abril p.f., Dia Mundial do Livro.
Quem participou na do ano passado, certamente se lembra do bom ambiente de um bom serão. Foi agradável, muito agradável.E…

II
Portanto,
na tarde do sábado, 23 de Abril p. f., a partir das 16,30h., os leitores tomam conta da livraria, pelo menos aqui da nossa: mais alguma?

III
As coisas estão um bocado…  Estão mesmo um bocado negras…Mas nem por isso…
É dia Mundial do Livro e temos de ser nós os que somos «Gentes do Livro», a…
Sem que se deixe de compreender e sentir que já antigamente havia a nossa crise, mas agora também a deles é nossa e a nossa ainda não a conseguimos emprestar nem descendo as taxas de juro a níveis mínimos!
É crise a mais, não haja dúvida!

IV
Quem nos quer dizer alguma coisa sobre as comemorações, neste ano, do Dia Mundial do Livro?
Nós vamos voltar, que «isto não fica assim»… 
L. V.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

INTERLÚDIOS - II

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REPETE ABRIL, AMOR!

 

DIGA EU QUE SIM

DIGA EU QUE NÃO

SEMPRE SEI QUE AS COISAS

SÃO O QUE SÃO.

 

E SE ME CALASSE?

NATURAL SERIA.

TÃO BOM O SILÊNCIO

            AO FIM DO DIA!

 

CALAR-ME POR MIM!

QUE A TI NÃO TE ESQUEÇO.

DIZES QUE ME ENTENDES?

            NADA MAIS PEÇO.

 

DIZES E NÃO DIZES!

QUE ONTEM JÁ PASSOU.

HOJE O DIA NOVO

            NÃO TE ESCUTOU.

 

TUDO O QUE VIVERES

NO TEMPO SE PASSA.

NINGUÉM “É” NO “FOI”

            POR MAIS QUE FAÇA.

 

O QUE SÃO AS COISAS

DIZ-SE NO PRESENTE.

SÓ PELO QUE FORAM

            NINGUÉM AS SENTE.

 

SE CREIO QUE A VIDA

SÓ SE VIVE ASSIM

O AMOR DIGA ABRIL

            ATÉ AO FIM.

R.V.

terça-feira, 12 de abril de 2011

INTERLÚDIOS - I

TUDO É SONHO
QUANDO EM SILÊNCIO A VIDA
SE NOS DIZ COMO É
PELO QUE SERIA ESTAR VIVENDO O MOMENTO PERFEITO
DE SER QUEM SOMOS

NÃO LAMENTES NADA
SE PUDESTE VIVER
A PERFEIÇÃO DO SONHO

COMPREENDE DE VEZ QUE OS FACTOS
PASSANDO
SÃO MUITO MAIS ILUSÃO
TU PRÓPRIO
TEUS OUTROS
DO QUE OS SONHOS SEM QUEBRA
EM SEU NÃO-SER

VIVE EM SONHO O TEU SONHO
E APRENDE ATÉ AO ÚLTIMO MOMENTO
A RESPEITAR A OUTRA REALIDADE QUE É SUPORTE
DESSA DOR QUE SEMPRE HÁ A VENCER

DESILUSÃO LHE CHAMES
OU CONDIÇÃO HUMANA SIMPLESMENTE
R.V.

domingo, 10 de abril de 2011

«PRA QUE O DIA FOSSE ENORME, / BASTAVA…»

Por favor, não desistas só porque…
Nem mesmo quando…
Assim, poderemos deixar que o invada, o silêncio, uma música de fundo apropriada para procurarmos e relermos, no Serra-Mãe, o poema de Sebastião da Gama que lembra o seu primeiro 10 de Abril, o de 1924:

PEQUENO POEMA
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
(…)
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
(…)
P’ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…

Ficar-me por aqui?
Nem me consinto nem consigo, acredites ou não!
Vou além do Serra Mãe, na leitura de hoje, mas, mesmo que não fosse, é como podes ver, em mais esta página:

ROMÂNTICO
(…)
Chorem os outros, Morte!, a dolorida
minha hora final.
P’ra mim, que bom saber até ao fim
a que é que sabe a Vida!…

Juras que és tu quem está aí, a atender esta conversa?
Quero crer.
Tu mesmo, sem as camuflagens com que tanto  nos desentendemos do que somos para estarmos à vontade a dizer grandes coisas sobre os outros, sobre a sociedade, sobre a salvação do mundo e o futuro de tudo isto que vai acontecendo e «desacontecendo»… Ou, talvez, em mais curtinho, a julgar que… A julgar!, sabes como é…
Quero crer que és tu e em contigo mesmo. 
Portanto, posso dizer, pois que tu, ao menos tu…

Porquê o 10 de Abril?
Para que se esquecesse o 7 de Fevereiro?
De modo nenhum!
O  dia 7 de Fevereiro de 1952  foi o «quando» para o  beijo que justifica o título de «romântico» do poema supra citado: «chorem os outros», consente Sebastião da Gama.
Faz-me impressão, grande impressão, este consentimento. Foi um ter a consciência de que era inevitável que o chorassem os outros, de tão querido e admirado que era por quantos ia tocando com sua alegria de viver?

«SEBASTIÃO, A QUE É QUE SABE A VIDA?»
«É tão difícil começar, Sebastião.»
Este voltar à «oração» de Matilde Rosa Araújo no Coro Alto do Convento de Jesus em Setúbal, faz hoje 25 anos, é porque tudo por aí, por essa oração,  fica explicado. Escrita para a oralidade da dita sessão inaugural da «Evocação», até à publicação em livro não tinha título. Foi numa conversa de amizade da Matilde com Fátima Ribeiro de Medeiros, organizadora da edição de Papel a Mais, que o título apareceu. Uma referência extraordinariamente feliz e condizente ao sentir do poema «ROMÂNTICO».

Em vida e obra de Sebastião da Gama o amor à Vida e o canto da Vida são tão visíveis e audíveis que era indispensável concentrar nisso as nossas atenções: celebrar o dia do seu nascimento!

Pois! O título do meu post anterior: «em ti havia a aventura da vida».  
Hoje é devido transcrever da oração de Matilde Rosa Araújo o parágrafo inteiro:
«Eras moço não pela idade mas porque em ti havia a aventura da vida, uma aventura feita de ventura que caminhava sobre o abismo, era essa a tua alegria. Porque a alegria pode ter os acordes de Beethoven em ode luminosa irmã de heróica, trágica e sagrada».

Amor à Vida!
Que grande testemunho de Amor à Vida deu e nos deixou Sebastião da Gama! E desde tão novinho a ter consciência da sua precariedade… «Chorem os outros, Morte!».

É por isso que «hoje» é Dia da Arrábida, por menos que se faça por ela «hoje» (é assim que se demonstra o empenho na proclamação de património Mundial pela Unesco?):
porque Sebastião da Gama nasceu a 10 de Abril.  Dia que se celebra este desde há 25 anos (1986-2011).
Este ano também, em Setúbal e Azeitão. Um compromisso bom entre a Câmara Municipal e a Associação Cultural Sebastião da Gama.

«Juras que és tu?
Quero crer.»
L. V.

terça-feira, 5 de abril de 2011

«EM TI HAVIA A AVENTURA DA VIDA»: a Sebastião da Gama disse Matilde Rosa Araújo

            Dedico este post aos alunos de Sebastião da Gama das três
           escolas onde foi professor,
grato por tudo quanto eles,
           há 25 anos, me fizeram olhar.
Em Azeitão, a 10 de Abril de 1924, nasceu Sebastião da Gama.
10 de Abril:
DIA DA ARRÁBIDA E DE SEBASTIÃO DA GAMA.
João Reis Ribeiro insistiu, honra lhe seja; a Câmara Municipal decidiu, apoiemos e realcemos.
Muito bem!

10 de Abril de 1986. O primeiro 10 de Abril destes 25 anos. 
«Eu vi!»
À noite, no Coro Alto do Convento de Jesus em Setúbal, sessão inaugural da Evocação de Sebastião da Gama que se prolongou até 10 de Maio.
A oradora é Matilde Rosa Araújo. Traz  a sua oração escrita em folhas A4 dactilografadas por sua mão. No fim vai oferecê-las a este vosso criado que finalmente lhas devolveu publicadas, como sempre entre os dois estivera previsto, em Papel a Mais, para mútua alegria e poucos meses antes da última conversa:
era ainda 2009.
Ah! Abril, Abril!:
«Não sei do alfa, nunca saberei do ómega», dissera-me a Matilde em 20 de Abril desse ano já tão distante…

Traz a sua oração escrita, ia eu a dizer,  e começa a lê-la…
Que extraordinário começo! E como lê-lo, neste 25.º aniversário de o ter ouvido na voz de Matilde Rosa Araújo, sem lhe encontrar os múltiplos sentidos e corresponder com fundas emoções?
Dói tanto! Por pouco…  
Sem mais comentários:

«É tão difícil começar, Sebastião. Que posso eu vir dizer de ti?
Olho para trás no tempo e tudo parece tão presente num tempo e num espaço que, naturalmente, já não são os mesmos de então. Mas isso não recusa a imagem.
A nossa vida só é nossa vida porque os outros existem. Com a sua dimensão cristalizam o que somos, reinventam a essência do nosso ser. E percebe-se melhor esta importância vital dos outros quando escalámos já a montanha de décadas longas vividas, já estamos a ver o lento (será lento ou rápido?) adormecer do Sol.
Tudo, então, tem a nitidez não da luz deslumbrada, mas da luz que se pensa e mede porque a noite vem próxima. E, nessa luz,  estão singularmente os amigos na envolvência fraterna que, se é de uma saudade que dói, é, também, de um grato entendimento de tudo quanto nos fizeram olhar».

(«SEBASTIÃO, A QUE É QUE SABE A VIDA?» in Papel a Mais, R. V., p. 201)
L. V.

domingo, 3 de abril de 2011

“NUNCA DISSESTE TÃO BEM O QUE ME VAI NO FUNDO DA ALMA” (HOLDERLIN)

ABRIR os livros
Vieram ter comigo por esta ordem:
-com o Diário, Sebastião da Gama;
-com o Hipérion, F. Holderlin;
-com A Estrada Fascinante, Matilde Rosa Araújo;
-com A Educação do Sentimento Poético, Jacinto do Prado Coelho.
No prazo de…?
Faz impressão!
Fazem sempre impressão, quando acontecem assim, as coisas:
um prazo não superior a dez dias.
1
« O Poeta beija tudo, graças a Deus… (…) E diz assim: “É preciso saber olhar…” (…) E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor…».

Por favor, nestes dias de começar Abril releiam o Diário e levem-no até à Arrábida, no próximo domingo, dia 10.
Porquê no dia 10?
Desculpem… Respondo depois,se recuperar a fala. Não é fácil…
2
«Deixai, desde o berço, o homem à vontade! não expulseis o seu botão fortemente unido, não o expulseis do refúgio da sua infância!
(… )
O homem é um deus, logo que é homem. E ao ser um deus, é belo.
(…)
A primeira filha da beleza é a arte».


Por favor…
Um obra que levou duzentos anos a ser traduzida e editada entre nós! Se ainda não deu por ela, por favor… Talvez conclua com Diotima: «nunca disseste tão bem…».

Pela estética é que o futuro será ético?
«O homem, recomecei, que não tiver sentido, pelo menos uma vez na vida, a beleza em toda a sua plenitude (…), o seu espírito não foi feito sequer para a destruição, para não falar de construção.»
3
A citação, por ontem ser o dia que era,de A Estrada Fascinante de Matilde Rosa Araújo (também na Trofa ontem, 2 de Abril, a ser homenageada!!!), volto hoje a lê-la: 
«Sei, (…) que não posso separar a literatura infanto-juvenil da existência da criança (…)».  

E também Antero aqui a chegar-nos em citação de Matilde:
«Para uns entezinhos para quem tudo é movimento e imaginação, a escola, se não for jardim, será só prisão, a doutrina, se não for encanto, será tortura»
4
Matilde Rosa Araújo dedicou A Estrada Fascinante a Jacinto Prado Coelho. Quem me emprestou, quando esgotada, esta obra do eminente professor de literatura, foi a Matilde. Talvez por isso de ontem para hoje a lembrança e o desejo de juntar às anteriores esta releitura de A Educação do Sentimento Poético.
«Quem possui alguma intuição poética, (…) pode compreender como as coisas belas são morais e são verdadeiras (…).
(…)
Agora podemos concluir: se a arte é uma revelação da vida, e se a educação é uma preparação para a vida, não se compreende uma educação que não seja estética».
FECHAR o post
Comentar estas ideias sobre arte, beleza, poesia, estética? 
Não me atrevo, sobretudo aqui e agora. Entendo que me compete fechar sem o mínimo ruído, para não distrair quem porventura tenha já nas mãos algum destes livros que…
L. V. 

2 de Abril! CRIANÇAS LIVROS LEITURA! Hoje!DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL porque H. C. ANDERSEN… e MATILDE ROSA ARAÚJO… e… e… e…

I
O Dia Internacional do Livro Infantil 
comemorado mais uma vez aqui, em Setúbal, na Culsete, apenas uma simples livraria. Um 2 de Abril preparado com muita paixão, para ser vivido em paixão e tudo por causa de uma paixão («alguma paixão reconheço»).
E que beleza que foi!
Obrigado a todos: pais e outros familiares, professores e demais pessoas a quem as crianças devem a sua numerosa presença. Obrigado também às crianças, para quando lhes pudermos fazer compreender quanto a sua adesão e alegria visíveis autenticam e valorizam o que aqui se faz na nossa livraria.
Obrigado à DGLB. Preciosa a colaboração!
Obrigado a quantos de algum modo nos ajudaram.

II

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“A ESTRADA FASCINANTE”

No prefácio do seu livro A Estrada Fascinante escreve Matilde Rosa Araújo (sublinhado nosso):

«Sei, pelo que tenho vivido nas escolas junto das crianças e adolescentes, que não posso separar a literatura infanto-juvenil da existência da criança como um ser inteiro que respeitamos, escutamos, com o qual dialogamos.
(…)
Esta “reflexão” trouxe-me o entrecruzado dialéctico mundo infância/adulto, encontro na aventura apaixonante que é estar com a Criança: a nossa memória acorda e sabemos que a escrita para adultos não está longe do que fomos, do que amámos ou repelimos enquanto crianças. E de tudo quanto quisemos exigir no futuro».
E termina assim esse prefácio (sublinhemos bem a primeira pessoa em «reconheço» e «não enjeito»):
«Alguma paixão reconheço nestas folhas, reconheço-a mas não a enjeito. Para mim, abriu-se uma “ estrada fascinante” e só lamento os pés menos firmes de quem foi, apesar de tudo, deslumbrada caminheira».

III
Co-mo-ven-te!
Muito comovente, encontrar, por pesquisa no «google», a notícia do evento e o cartaz que a seguir aqui se vão «colar».
Muito comovente para nós, que lemos as palavras do prefácio de A Estrada Fascinante acima transcritas não apenas neste livro, mas no livro aberto dos olhos da autora, em muitos momentos felizes do seu conviver com os leitores privilegiados da sua escrita.
A felicidade de Matilde Rosa Araújo expressa no olhar que a fotografia utilizada no cartaz documenta tão perfeitamente! Impossível não ficarmos comovidos! A surpresa de,  pelas capas dos livros em fundo, percebermos em que dia e local e localidade Matilde Rosa Araújo para sempre nos deixou este olhar! Dia Internacional do Livro Infantil de 2006, Livraria Culsete, Setúbal. 
E esta homenagem hoje, data tão excelente?! Quanto condiz!
Parabéns à Biblioteca Arquitecto Cosmelli Sant’Ana e à Junta de Freguesia de São Mamede. Estamos todos, por certo, agradecidos, os amigos e admiradores de Matilde Rosa Araújo. E para Márcio Barcelos um agradecimento nosso, a juntar ao dos promotores desta homenagem que tanto nos tocou, insistimos,  por tudo e por ser em dia tão a condizer. 
Permitam-nos:
«Homenagem da Biblioteca Arquitecto Cosmelli Sant'Anna a Matilde Rosa Araújo - descerramento da placa de homenagem no prédio onde viveu grande parte da sua vida.

Dia 2 de Abril, pelas 11 horas, na Rua Rodrigo da Fonseca, nº 72. Estão todos convidados.

A BACS agradece a Márcio Barcelos o cartaz.»

IV

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Outra fotografia desse 2 de Abril de 2006. Um documento!
Matilde Rosa Araújo e Maria Isabel de Mendonça Soares, outro grande, muito grande nome da nossa Literatura Infanto-juvenil, conversam, minutos antes de abrirmos a porta da livraria às crianças, as muitas crianças que vieram estar com elas.  
No mesmo cantinho da Culsete as crianças vieram hoje encontrar Luísa Ducla Soares, José Ruy e Fernando Bento Gomes.
Que grande tarde! Que grande tarde novamente!
Obrigado, muito obrigado aos três.  Pela vossa amizade e pela vossa preciosa colaboração.
Reconhecimento! 
Reconhecer a vossa generosidade.
Reconhecer e admirar o vosso talento que nunca nos cansámos nem nos queremos  cansar nunca de apontar para admiração de crianças e educadores.

V
A fotografia de Matilde Rosa Araújo e Fátima Ribeiro de Medeiros foi encaixada acima para confirmar o que depois se vê em capas de livros no cartaz que a seguir é referido. Só por isso e tudo bem. E não é de voltar a copiá-la antes de fechar este longo post que vai já tão longo?
Pois, muito longo! Mas como é destinado a ser lido em domingo, perdoem-me ainda mais uma linha… Dispensar-me dela? Prefiro ser mal entendido a ser injusto.
Se, por causa de vir para aqui com mais esta conversa, até à Fátima reconheço o direito a indignar-se, é evidente que se muita gente me quiser insultar não deixarei de compreender. Não serão propriamente os meus amigos, por isso compreenderei, sem ofensa!
Um 2 de Abril com paixão e por uma paixão: mais um trabalho perfeito de Fátima Ribeiro de Medeiros!
É paixão, é saber, muito saber, muita imaginação e criatividade, muita entrega!
Calar-me? Sejamos justos, amigos! Permitam-me ser justo. E objectivo.
L. V.