quarta-feira, 29 de junho de 2011

RIO DA VIDA – Metaforalogia e Naufrágio

                                 Ao meu querido amigo António Cordeiro

em copo de leite
em copo de vinho
a vida é a vida

nem tu é que escolhes
escolhes tão pouco
a vida que (em)bebes

do leite ou do vinho
o copo e a vida
bebidos vazios

o mar não naufraga
vazio dos copos
é rio é um rio
a vida é um rio
que o mar abraçou

R. V.

domingo, 12 de junho de 2011

«À BEIRA DE UM POETA»

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Sempre que se regressa à memória de Sebastião da Gama pode efectivamente nascer uma flor, porque «era uma vez» um rapaz que em Azeitão nasceu para ir povoar a Serra da Arrábida de  poemas e amigos, de  vontade de viver admirando as flores da serra, os bichos, as pedras, a areia, o mar e dedicando um imenso amor a quem encontrava e fazendo desse amor um modo de vida. Como ser humano, como amigo, como professor desse modo viveu a curta-grande vida e sendo por tudo isso e para tudo isso o poeta que mais que tudo era.
«Era uma vez», hoje, 12 de Junho de 2011, mais um dia de regresso à memória  de Sebastião da Gama:
às 10,30h. foi uma «Oficina de Arte na Rua;
às 21,30h será  a sessão de entrega do 13.º Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama – 2011.

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«Na sala do meu avô havia um búzio, havia o mar.
(…)
Na sala do meu avô havia um búzio
que me cabia na concha das duas mãos.
Se o aproximasse do ouvido,
aproximava o mar inteiro».

Nos poemas imediatamente anteriores a presença é da avó, no poema imediatamente anterior…

«Mas ás vezes a minha avó ficava-se muito quieta
a olhar para dentro dela e eu sabia
que estava a contar os dias que teimavam
em cair-lhe por entre os ossos das mãos.
Curioso como o seu olhar
tinha a pureza de uma asa branca aberta,
sendo ela um sábio pássaro negro
rasando o feno por ceifar».

São dois excertos de Retrato a Sépia, a obra que mereceu o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2011.
Mereceu?
Sim, foi mesmo o que quis dizer: mereceu. Não sei se outras obras a concurso teriam igual ou mais elevado nível. Compete unicamente ao júri esse saber.  Este regresso a uma infância de uma aldeia entre mar e terra é poesia de verdade e de nível.
Autor? Paulo Assim – um nome literário.

Paulo Assim, um poeta e prosador desconhecido dos catálogos das editoras  mais conhecidas e, no entanto, reconhecido pelos júris de muitos prémios literários de norte a sul do país e até dos meus Açores: Prémio Gaspar Frutuoso de 2009, com  o romance A Quinta-feira dos Pássaros.

«Daniel de Sá, que também fez parte do júri, considerou ser um “dos mais belos livros escritos em português”, onde a língua é tratada com “carinho e cuidado”. Uma obra que pode ser lida por qualquer pessoa “desde que saiba ler”, afirma Daniel de Sá para concluir que Paulo Assim “prestou um bom serviço à literatura”, uma vez que o livro é um “hino à humanidade, à vida e à esperança” (
http://www.cm-ribeiragrande.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1625%3Aribeira-grande-ganha-espaco-cultural&catid=57%3Anoticias-em-destaque&Itemid=81&lang=pt).

É muito vencer prémios…
Se não fosse uma escrita válida, por mais que se saiba que nestes concursos muitas das obras concorrentes não valem nada, não creio que…

Estou com Retrato a Sépia nas mãos  e estou de acordo com o nosso júri: muito belo(s) poema(s) este(s)!
E  também, pelo prémio Gaspar Frutuoso, Daniel de Sá é para mim grande garantia.
Daniel de Sá é um dos excelentes escritores açorianos da actualidade, obra feita, que a quem não leu recomendo vivamente pois que nos seus livros a língua é tratada com “carinho e cuidado”.

Posso?
Se posso deixar uma proposta para uma 2.ª edição, que bem pode incluir outras obras, numa colecção e editora que  permita a muito mais leitores este prazer que me foi dado…

Por mim, obrigado, dr. João Reis Ribeiro, por me ter posto nas mãos esta edição  da nossa Associação Cultural Sebastião da Gama em parceria com as Juntas de Freguesia de S. Lourenço e de S. Simão (Azeitão).
L. V.

sábado, 11 de junho de 2011

NADA DISTO FAZ FALTA - IV

do outro lado vinham dizer-nos que estava tudo bem e nós acreditávamos e agradecíamos era tranquilizante ouvir que estava tudo bem do lado de lá o que sempre fora o nosso mas aonde não podíamos chegar antes de tudo ter passado acabámos por ter de matar a fome por aqui e de tal modo nos fomos habituando aos estranhos costumes que… tão habituados que embora já ninguém nos venha com notícias do nosso lado isso agora ao menos parece não faz falta porque será porque será porque será 
V. L.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

TUDO É INESPERADO inclusivamente que AS LIVRARIAS SÃO CASAS – Carta que por via dos amigos envio a Sara Figueiredo Costa


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Culsete - Setúbal -  II Encontro Livreiro -  27/ Março/2011.
Um microfone na mão do autor Fernando Bento Gomes, natural de Setúbal. Uma esferográfica na mão de Sara Figueiredo Costa, jornalismo cultural.

Caríssima Sara,
os nossos e os meus amigos ficaram contentes com o que ontem,  no Portugal Ilustradohttp://portugalilustrado.com/ – publicaste como entrevista construída a partir da gravação da longa, desordenada e muito agradável conversa que tivemos, já lá vão uns mesinhos, aqui na Culsete. 
É certo que foi uma conversa a teu pedido, mas a que de modo nenhum poderia ter acedido com formalismos ou reservas: vinhas ao encontro do meu empenho em ir ao encontro do teu interesse pelo Encontro Livreiro desde o início, de quando o
nosso Luís Guerra te falou da iniciativa.
Era para nós importante que desde a primeira hora pelo menos uma pessoa do teu métier estivesse connosco. Não pudeste estar presente, mas participaste e a prova…

Convívio-encontro para criar proximidade entre pessoas: preocupações, ideias, opiniões e acima de tudo sabermos que existimos e nos respeitamos uns aos outros.
Agradável, antes de mais nada, o encontro entre pessoas que têm tanto em comum.
Entre as Gentes do Livro (sobre esta designação há quem saiba da sua origem e é uma autoridade em nossos temas – que interessante seria ler num dos próximos dias em Portugal Ilustrado uma entrevista com Diogo Ramada Curto!) acontecer anualmente um agradável Encontro Livreiro.

Um começar já é alguma coisa, mas começos já muitos houve, no sector livreiro, em tentativas de…
Portanto, não vou dar assim tanta importância a mais esta vez se começar, isto por mim. São os que vão ter que passar ao futuro que já no próximo ano têm de dar sentido ao convívio-encontro do último domingo de Março. As minhas ideias e propostas? Para ultrapassar, por bem de se ir além.

E estou a ver que a carta que vinha pensando escrever a troquei por outra e já não estou a tempo de partir de novo.
O melhor do que queria aqui  dizer-te talvez possa dizê-lo assim. Nota-se no teu texto uma simpatia que é boa. Qualquer um… Obrigado. 
Que, durante o dia de hoje, excelentes amigos, pessoalmente ou por mail, me manifestassem aquele contentamento que referi no início desta carta, foi tocante, naturalmente. Aqui, o «obrigado» diz o que deve também por enviar um abraço a cada um.

Ainda tenho de acrescentar isto: muito mais do que o que ofereces aos leitores com as palavras que foste tirando do muito que conversámos, senti-me vaidoso pelo que no teu Cadeirão Voltaire de tua lavra postaste!!! Vou ler de novo! O que terei dito é menos…
http://cadeiraovoltaire.wordpress.com/
L. V.

P. S.
Vejo as horas e ontem já não é ontem porque o hoje que era do dia 8  foi para amanhã, dia 9. Passaporte para uma pergunta, se…
Não achas que, sobre o que interessa ao mundo livreiro, uma conversa interminável é que seria suficiente, dado o ponto em
que tudo vai?!
L. V.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Dos poemas de Afonso Duarte por um poema possível?

1.
E daí,
Do poço fundo e largo
Onde escreveste : cumpri,
Alma da minha vida,
Canta, ri.
2.
Eu bem sei
Que rodo em muitas esferas,
E não sei
Por onde me levas, poesia.
3.
Ainda crente, ao descair da idade,
Quando o coração já mal se escuta?
É o quanto vos deve, mocidade,
O meu agreste espírito de luta.
4.
A minha sombra é longa como a vela dum navio
Que sai da barra para inóspito clima:
E em vão procurareis o que eu não acho.
5.
Uma, outra onda,
O ritmo das ondas me embalou.

Cinco excertos de cinco poemas de Afonso Duarte.
Volto sempre e
desde há sessenta anos que se cumprem neste,
lá para o Outono.

Volto sempre…
Um clássico!
E só hoje me apercebi de que, sendo ou não reconhecidos por todos como clássicos, temos o direito aos nossos particulares clássicos. 
L. V.

domingo, 5 de junho de 2011

SILVA DUARTE: um poeta setubalense que…(4)

 

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EM LONGA VIDA  A DEDICAÇÃO NOTÁVEL A LETRAS E ARTES

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Uma página de TEMPO BARROCO,
outra obra inédita de Silva Duarte
 
               em nobres salões nas horas brilhantes dos formosos dias do século se encontraram com espelhos luzentes e mobiliário e louças de dourados primores vestidos e máscaras ricos exibindo com branco pó e arrebiques assim no século galante em triviais conversas risadas soantes e graciosos sorrisos assim os ouves com brinquedos gentis e prometidas carícias vozes alegres amor sempre definindo ainda que a morte grande temor lhes traga

Duas páginas de VÁRIAS, título igualmente inédito
*
versailles

               le visiteur qui arrive ne doit pas s’égarer se busca toda a majestática grandeza belas virtuosas passeiam pelos jardins as alegorias ricas a caridade a abundância a prudência a fidelidade le roi en pied revêtu d’un costume militaire amável sorridente á paz simbolizada não é horrível a guerra retratada… pois habitam os vastos jardins tristãos sátiros pescadores amores… le roi donnant à manger à ses animaux favoris

**
                                                             J’étais celui qui se promène
                                                              Le nez en l’air
                                                              Avec un chien le nez par terre
                                                                                                Paul Éluard
               um dia vieste e uma aliança se promoveu entre ti e mim que minhas vozes foram tecendo e teus olhos para mim volvidos acolhendo tempo depois estava a aliança firmada tornámo-nos sombras unidas o mesmo sol a aquecer-nos as vidas eras tu mais eu a aliança perdura mas estamos velhos a morte nos espera a morte animal igual mais cedo tu mais cedo eu

E, se me permitem, por último,
de O LIVRO DAS TUAS NAVEGAÇÕES – 7

estranho é tudo
na surta paisagem
para aquele que
súbito recolhe
o mistério da vida
no fogo disperso
da existência
e justo lhe parece
seu querer
puro e frio
nas vagas súbitas
do alto mar
onde ora vai

Uma homenagem e justa? Sem dúvida, neste dia dos 93 anos de Silva Duarte.
Mas também  uma tentativa da divulgação a que este velho livreiro continua a sentir-se obrigado.
L. V.

SILVA DUARTE: um poeta setubalense que…(3)

O jovem estudante João José Pereira da Silva Duarte começara a estudar Direito quando o pai, militar de carreira, foi mobilizado para os Açores, primeiramente para a Terceira e pouco depois para S. Miguel, onde se demorou.
Eram os anos da II Guerra Mundial na sua fase mais aguda.
Toda a família foi para os Açores e foi em S. Miguel que Silva Duarte se fez para sempre um homem de letras.

Quando volta ao Continente inicia o curso de letras, na tese de licenciatura faz uma opção rara, línguas escandinavas, de seguida vai para a Alemanha como leitor de Português, a Universidade de Wurzburg contracta-o, por lá tem feito até agora a sua vida.
Vida longa, assim tão longa: estes 93 anos que desejaríamos comemorar com ele e sua esposa, aqui na sua natal, como foi possível comemorarmos os 83, em 2001, precisamente há dez anos.

Se gostaria de contar algo mais?
A resposta fica por conta de quem me acompanhou nesta evocação de um filho de Setúbal, a quem o país deve mais do que o pouco que aqui hoje me foi possível referir.
Vou ainda querer ler alguns destes inéditos que tenho diante de mim.
L. V.

SILVA DUARTE: um poeta setubalense que…(2)

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JOÃO JOSÉ PEREIRA DA SILVA DUARTE
SILVA DUARTE: O POETA, O INVESTIGADOR, O TRADUTOR
J. J. DUARTE: O PINTOR
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Caríssimo José Teófilo,
permites-me? 
É que, sem o que foi, ninguém será. 
E, de cada vez que se recupera um momento de história e de elevado nível, inventa-se um degrau.
Um degrau que nos convida a que subamos de nível.
L. V.


http://blogoperatorio.blogspot.com/2005_03_01_archive.html
Terça-feira, 29 de Março de 2005

Hans Christian Andersen

O Bicentenário de Hans Christian Andersen, escritor nascido em Odense, Dinamarca, a 2 de Abril de 1805, será celebrado em Setúbal no sábado, dia 2 de Abril, na livraria Culsete com uma sessão aberta ao público marcada para as 17h.
Fátima Ribeiro de Medeiros, investigadora na área do conto, fará uma palestra sobre os contos de Andersen.
De seguida será relevado o panorama da recepção portuguesa da obra de Andersen. Quantos de nós, dos mais velhos aos mais novos, não trazem da sua infância um conto de Andersen, nesta ou naquela edição?
Finalmente será apresentada a obra HISTÓRIAS E CONTOS COMPLETOS DE HANS CHRISTIAN ANDERSEN, acabada de editar, com tradução de João José Pereira da Silva Duarte e que é desde já o acontecimento português mais relevante deste centenário, pois, pela primeira vez, estão disponíveis em português, e em tradução directa do dinamarquês, todos os contos de Andersen.
Hans Christian Andersen, que passou um mês em Setúbal, de 8 de Junho a 8 de Julho de 1866, e que ali plantou um abeto para símbolo da união entre os povos, é o estrangeiro cuja ligação a Setúbal mais honra a cidade. Ao reconhecê-lo, com esta e outras importantes homenagens, já anunciadas ou ainda em preparação, os setubalenses de hoje vão merecendo o respeito dos setubalenses de amanhã.
(Do convite da organização)
publicada por José Teófilo Duarte

SILVA DUARTE: um poeta setubalense que…(1)

IM001094CULSETE, 19-4-2002: SILVA DUARTE NA SESSÃO DE ENTREGA À EDITORA GAILIVRO REPRESENTADA POR PEDRO REISINHO DOS ORIGINAIS DA TRADUÇÃO DE CONTOS COMPLETOS  DE H. C. ANDERSEN

Se me é permitido, começo por nada contar nem comentar, a não ser que,  longe daqui, Setúbal, onde nasceu a 5 de Junho de 1918, e já muito longe de si – como isto custa… –,  Silva Duarte faz hoje 93 anos e merece maior homenagem do que aquela que aqui sentidamente lhe venho prestar, antes de mais oferecendo a quem os quiser apreciar alguns inéditos que guardo e que guardarei até que…
As páginas indicadas são as do original dactilografado com as páginas numeradas à mão e fotocopiado.

DO LIVRO DAS TUAS NAVEGAÇÕES – I

depois da noite serena perante a afirmação pálida da manhã quase sumidas as estrelas ouves a melodia das vagas nesta primeira hora do dia quando vai o sol brilhar e água serás serás vento serás mar na doce manhã iluminada
(pág. 14)

e quando foi a hora chegada afundou-se o templo com suas colunas sagradas que sustentaram a fé tombadas suas pedras mudas no fundo do mar mais não foram os deuses escutados mergulhados ficaram fundamente para sempre suas divindades no mar perdidas em profundezas silentes
(pág. 16)

olhas e ouves o mar esta noite com seu obscuro rolar de eterno significado e crês-te longe muito longe nesta noite de sortilégios e grandes mistérios quando toda a extensão do mar que percorres se ilumina da tua fantasia sobre as ondas que jamais se sustêm
(pág. 38)

O livreiro velho foi lendo hoje esta poesia ( este Do Livro das Tuas Navegações tem sete partes e há, para além dele,  os outros vários títulos)  fingindo que não sabe a resposta para a seguinte pergunta: como é possível que poesia desta qualidade não esteja publicada?

É, sim. É o mesmo Silva Duarte das traduções de H. C. Andersen e de outros autores de línguas escandinavas. 
E posso contar algo mais,
se…
L. V.

sábado, 4 de junho de 2011

«ROSA DO MUNDO», hoje, 3 de Junho de 2011

imageMANUEL HERMÍNIO MONTEIRO
Escrevia «tu», escrevia «rosa»;
mas nada me pertencia,
dois versos de Manuel António Pina que vim a ler aqui hoje na página 1803 de Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim, Edição 622, Abril 2001.

E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
- dois versos, mais, estes de David Mourão-Ferreira, transcritos da celebrada antologia, página 1663.

SOBRE AS ESCOLHAS DOS POEMAS PORTUGUESES
A responsabilidade da escolha é do editor deste projecto, com excepção dos poemas dos Cancioneiros (…).


Este ano de 2011…
Dez anos, cumpridos em Abril, sobre a edição de Rosa do Mundo.
Hoje, 3 de Junho, dez anos sobre o falecimento de Manuel Hermínio Monteiro, o editor responsável pelo projecto de Rosa do Mundo.

Dez anos!
Já dez anos sobre o desaparecimento de um «jovem editor» com obra feita. Por feita (per-feita), a prometer o valor da que, por causa desse desaparecimento, por fazer ficou  e… não ficou, pois quem deixa aberto um elevado caminho ao futuro participa da autoria de tudo o que nele se constrói.

Rosa do Mundo é um monumento ímpar na história da edição portuguesa na cultura portuguesa e na nossa aproximação à Poesia Universal, universalidade de tempo e espaço.
Não era para ser o seu testamento, quando Manuel Hermínio Monteiro se comprometeu, em 1999, com tão ambicioso projecto? 
A verdade é que foi.

Manuel Hermínio Monteiro:
Um editor a quem o destino pôs nas mãos, nas suas próprias mãos, sem que ele nem ninguém o pudesse adivinhar, a construção do monumento que em sua memória merecia fosse erigido.

Por favor, amigo, se hoje não lhe foi possível fazê-lo, neste fim-de-semana vá à sua estante e deixe-se ficar por um momento com Rosa do Mundo.
Por homenagem.
Dez anos… 
Já dez anos?

«NUM SEGUNGO SE EVOLAM TANTOS ANOS»!…

L. V.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O PRINCÍPIO 7


Ele há coisas que … !
Imagine-se: encontrar ontem, por acaso, 22 anos depois, o folheto que já se vai seguidamente referir.
Dez anos leva um texto a escrever-se e um dia surge a comemoração  dos trinta anos da Declaração dos Direitos da Criança, 1959-1989, e no Dia Mundial da Criança, a 1 de Junho, esse texto é obrigado a sair da sua gaveta, sem ninguém saber de que gaveta sai, e a entrar nessa comemoração como página interior de um folheto.

1.
O texto

«O MELHOR DO MUNDO»

Criança
quanto cuidas de mim quando em ti cuido!

No brilho
dos teus olhos ouvindo o que desejo
sou lançado
ao mar do que serás

E por ti chego ao único futuro
em que a morte é sorriso
ao tempo de viver

Tocou-me a paz de te embalar e ser
por sonhos embalado

Em sementes
trocaste a vida que te dava e me fugia
e foi assim que amar-te se tornou
uma verdade igual a nascimento

Comentário:
se eu não quisesse voltar a ler e a reler este texto, em cada dia que é ainda tempo de viver, teria o direito de o propor à leitura fosse de quem fosse?

2.
O folheto

Lido o interior e fechado o folheto, os olhos ficam na capa e vou aqui copiá-la, sem a «arte gráfica», evidentemente.

culsete
30 anos
Declaração dos Direitos da Criança
1959-1989
1 de Junho
Dia Mundial da Criança
«A criança (…)
deve gozar de um educação
que contribua
para a sua cultura geral (…).
Princípio 7
Setúbal

Comentário:
Quem passou ou passar pela montra da CULSETE e/ou entrar na livraria, nestes dias de 1 a 4 de Junho de 2011, se estiver atento para o presente e para uma longa história, bem pode ficar a pensar que… 
Se estiver atento e respeitar o que «acontece».

Não se deve olhar para trás, mas de vez em quando acontece, além de que não se pode ser velho sem contar, contar, contar até ficar em silêncio.


Não se deve olhar para trás, mas às vezes… 
E o que se revive comove-nos.

Princípio 7, a cultura geral. 
A grande revolução de um povo é a cultura geral e desde criança. Como é indispensável compreender e promover,  COM LIVROS, essa cultura geral.
Indispensável. 
Livros conpetentemente escolhidos.

Desde que existe, uma livraria a fazer o seu melhor por cumprir com o Princípio 7.
Por ser pouco - uma simples gota no oceano, uma pequena livraria –, não deixa de ser muito, sendo, como são, muitos, os anos.

Desculpa, Fátima, este excesso de em público dizer o que acabo de dizer da história da Culsete e isto que acrecento, referido ti, por justiça:
que competência em  literatura infanto-juvenil e que dedicação à animação de leitura, digo, aproximação infalível das crianças e jovens aos livros e ao «poder da leitura»!
L. V.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

NADA DISTO FAZ FALTA - III

1
como é que se faz para encarar as coisas como deve ser  se a vida sem a bebedeira das ocupações habituais e normais fica num nível de ilusão muito baixo e  a esse nível custa que é fogo manter o frágil equilíbrio quão frágil equilíbrio que é o que agora é possível e absolutamente indispensável para se viver em positivo na continuidade sendo que é nesta continuidade que a vida se define e se afirma 

2
«a vida continua» é uma conversa de «olha para o que te deu» quando se põe uma pessoa a perguntar quem a diz e quando

3
«encarar» pode ser para quando acontece um dar de caras com o que  ou com quem se encontra de surpresa  mas também para quando com simplicidade e firmeza se levanta a cabeça  de olhos abertos ou fechados muitas vezes para ver melhor vale a pena fechá-los perante a verdade nua e crua da vida em continuidade de fragilidades irreversíveis

4
um dois três do princípio outra vez e de novo em última linha o outro na sua  rotina de «vira o disco e toca o mesmo» a dizer-te que «nada disto faz falta»
V.L.