quarta-feira, 31 de agosto de 2011

«MINHA VISÃO DAS COISAS»

Fim de Agosto. Balanço a leituras. Férias do Verão com os livros de Verão em jornais, revistas e talvez mais fontes de bons conselhos e sugestões.

Alguém mais terá lido a página de Henry Miller (Viragem aos Oitenta)
que…?
Diz assim:

«Quando era novo, preocupava-me muitíssimo com o estado do mundo, hoje, embora ainda barafuste e delire, contento-me com deplorar o estado das coisas. Pode parecer presunçoso dizê-lo, mas isto significa, na realidade, que me tornei mais humilde, mais consciente quer das minhas limitações quer das das outras pessoas. Já não tento converter ninguém à minha visão das coisas, nem tão pouco curá-las. Nem me sinto superior quando me parecem falhas de inteligência. Podemos combater o mal mas contra a estupidez somos totalmente impotentes»

Se  alguém mais leu, era para perguntar se lhe ocorreu algum comentário…
L. V.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

DESORDENS & ABUSOS de ACABA-LÁ-COM-ISSO *8*

*8*
imagina que um teu amigo te enviou uma mensagem em que recorda um seu trabalho de mérito que a todos nos ofereceu começando por dizer esta palavra que com aspas singularizo «noutro tempo, quando eu existia» leio esta palavra fica-me no ar e ao menos por agora não consigo comentá-la é só pensar e sentir pelo que ela me significa é só pensar só sentir e não sei por quanto tempo só pensar só sentir
V. L.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

CÁ ‘STAMOS - V


O TEMPO ANTIGO DE HOJE

antigo do mais antigo em mim este hoje como se estivesse no meu lugar de sempre
 
não espero que me perguntes nada e dito isto vou dizer o contrário para termos a certeza de que não vale a pena discutirmos nem os contrários e nem mesmo os contraditórios

diz tu porquê

espero que não me perguntes nada e dito isto para ti dá no mesmo mas para o meu lado faz toda a diferença mentir-te pois afirmo uma esperança quando não sinto em mim seja o que for a que ainda se possa chamar esperança tão visível é que já estou reduzido a hoje cumprindo a sábia lei comum

é muito antigo este meu tempo antigo e nunca poderei contar-te as inumeráveis esperanças que eram nele o horizonte dos meus olhos e que em hoje perfumam o lugar que me oferece o verde antigo e iluminado por um sol em céu azul

R.V.

sábado, 20 de agosto de 2011

CÁ ‘STAMOS - IV

A INÚTIL AMEIXIEIRA DE MEU PAI

Com uma dedicatória em hoje bem justificada para os três amigos «nossos»
Olegário Paz
Onésimo Teotónio Almeida
Urbano Bettencourt

       
Anos e anos vi florir a maior ameixeira* que vi em dias de minha vida. Linda! No melhor recanto do quintal da loja de meu pai: abrigado dos ventos pelos tapumes e bem exposto à luz do meio dia.

Uma bela árvore! Mas nunca, nunca uma ameixa, uma que fosse,
aquela ameixoeira nos deu em dias de sua longa vida. E foi a minha dúvida: seria devido a não haver outras ameixeiras na aldeia que nunca deu ou, pelo contrário, não havia ameixeiras porque naquele micro-clima não frutificavam, mas meu pai não queria acreditar?
Ficou-me de pequenino esta pergunta entre as muitas que para procurar uma resposta nunca me deu .

O que colhi de fruto bom da nossa ameixieira, para além de sombra e poleiro para horas de «sonhar acordado», como depois, com os seus três anos, um dia se exprimiu o meu sobrinho em parecida circunstância, foi em seu desgosto a persistência de meu pai que durante anos tentou e quis
que nos desse frutos, a nossa ameixeira,
por ele com tanto empenho trazida das Furnas
para se firmar em Água Retorta.
   
A tentativa mais sensacional foi a dos defumadouros.
Que exótico a meus olhos de criança!
Os adultos com fumos de manchos de palha, ervas e ramos
a defumar os ramos-em-copa da nossa ameixieira! Até parecia que era ela a deitar fumo. Fruto? Isso é que nunca por nunca! Nem com defumadouros!

- E não foi cortada?
- Não. Nem mesmo assim foi cortada.
O que também teve para mim um marcante significado: apesar de um espaço excelente estar assim infrutífero, em tempos de meu pai a nossa ameixoeira sempre lá se viu, inutilmente frondosa, no «Quintal da Loja»

R. V.
Setúbal
20 de Agosto
2011/apl & l. er.

*Quão inútil, difícil e prejudicial, a aceitação das falsas unicidades!…
E foi por isso. 
Foi muito viva a surpresa quando, ao baralharem-me os ouvidos, soube que nem os outros nem eu estávamos errados.
Ainda assim talvez deva aqui pedir desculpa de não me limitar a uma só das três formas do nome de uma árvore.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

«A MINHA FRÁGIL PRESENÇA»

Resposta a um comentário:
«viagens apenas do olhar, tudo envolto na nostalgia que o tempo deixa »http://chapeuebengala.blogspot.com/2011/08/ca-stamos-iii.html#comments,
com uma dedicatória ao seu autor, Urbano Bettencourt, (cf. http://chapeuebengala.blogspot.com/2011_05_01_archive.html)
o notável poeta, ensaísta e algo mais em que a literatura é pura originalidade criativa e intertextualidade exigente.
Chamar a este post uma resposta?
É apenas uma citação.  E daí…, talvez mais qualquer intencional aproximação à conversa de que «nada disto faz falta». Uma aproximação em lá muito longe, bem entendido…
L. V.

O livro: Texto do Tempo.
Capítulo: «A Cópia e o Original».
Página: (optou-se por não indicar, por respeito quer a quem vai quer a quem não vai ir ao livro).
Edição em Portugal: Edições 70, Lx., 1995.

«O que buscámos foi sempre o mesmo: buscámos as coisas mais diversas e buscámo-las por toda a parte, sabemo-lo agora, mas grande parte da nossa vida não sabíamos de facto que buscávamos sempre o mesmo. É penoso andar para trás com a memória, reevocando o matizado  e multiforme acervo de coisas inúteis que buscáramos. Porque a verdade que efectivamente é a única verdade, que é a única espectral verdade, é que buscávamos uma coisa  só e que tudo o mais era a imensa dispersão das nossas energias, extravasadas lá onde na realidade jamais estivemos, lá onde não sabíamos sequer se existiria algo que apenas tivesse aparência do nosso interesse. Cobrámos vigor com o tempo, é certo, sem cedências a banais lisonjas, para erguer a cabeça  e verificar que o nosso passado, todo o nosso passado, fora uma agitação não se diga vã ou inútil mas o completo mal-entendido da nossa vida, porque julgávamos que éramos ora isto ora aquilo e, no entanto, sempre procurámos a mesma coisa, que não imaginávamos sequer que fosse a mesma coisa e que todavia era a mesma coisa, ou seja, a dobra do desejo amoroso da beleza que finalmente aparece  como o mesmo constante espectro de luz lunar que se encontrava por trás da diversidade de todas as nossas procuras.»
Aldo Gargani 
(Génova, 1933 – Pisa, 2009)

Notas:
1
Não me é fácil ler «este» Aldo Gargani, não sei se «outro» me obrigaria menos vezes a voltar atrás a ver se entendo. Mas… que é inteligente por meio e permeio de palavras, isso…
2
Quando se está a ler este Texto e o Tempo e se tem de interromper, custa…
3
Bom!, do que consegui ler, não digo que esta seja a passagem que mais me disse, nem digo que acolho tudo de qualquer uma: a complexidade dificulta esse modo de compromisso total deste leitor incipiente de um pensador, aliás professor de Filosofia, que onde foi mais conhecido muito foi respeitado ao que consta.
L. V.

sábado, 13 de agosto de 2011

NADA DISTO FAZ FALTA-XI e X

aviso prévio podes ter a certeza de que se a não tens também eu não a tenho à certeza de fazer algum sentido isto de um título com onze e dez juntos e justamente trocados para a um tempo o post  ficar a ser um e a ser dois ou vice versa mas aconteceu que perguntei para que preciso eu de certezas se nada disto faz falta e vai daí achei que era uma pergunta sensata não sei se és da mesma opinião mas se não fores

XI
aqui tens uma resposta já que um comentário melhor dito já que de comentários há carestia pode ser que seja da crises desde que ganhou o campeonato a crises assina com s no fim que é para nunca ser apanhada pelo plural e pode aparecer todos os dias com novas opressões sem provocar  revolta ficas habituado à crises ela aparece todos os dias a tomar café contigo com o mesmo nome bom dia boa tarde boa noite ó crises o que nos contas hoje e assim nesta pacífica conversa com a crises ninguém vai dizer que não és patriota uma conversa mansinha a preparar crises umas encadeadas nas outras como se fosse sempre a mesma que é para depois da borrasca vir a borrasca somos democratas já não somos nem fascistas nem republicanos nem monárquicos nem liberais nem absolutistas portanto ainda não temos a nossa experiência de país sem futuro e queremos dar continuidade a essa má sorte para que a crises nunca desapareça de entre nós qualquer que seja a roupa que traga vestida e agora já não dá para a resposta à tua mistura de afectos com valores ou valores com afectos mas espero que te tenhas enternecido digo entretido ou até divertido ou mesmo aborrecido com esta de crises já não ser um plural da dita   

X
essa de misturares afectos com valores ou valores com afectos deixa-me a impressão de que aderiste a ir dizendo umas coisas se pegar pegou e se for desaparecendo na corrente porque estamos numa era de torrentes e das torrentes resulta a perigosa corrente que tudo leva consigo o que se entende e o que não se entende vai tudo junto para o inferno da inutilidade e já a seguir vem outra avalanche de coisas novas e velhas e se tudo como ia a dizer for desaparecendo  que mal é que isso te fará se sabes que é impossível ainda haver  lugar para imortais mais um imortal que seja quem comprou bilhete a tempo pode entrar mas mesmo assim cuide-se que a fila não está a andar como dantes e longe está o portão além de que o bilhete se vai à cabeça até pode ser falso ou filho do vento e aí adeus que ninguém te deixará nem passar nem voltar para trás por isso olha bem para o que estás fazendo se é que dás valor aos afectos e promete-me aqui que não me deixas sem respeito pelos meus valores pois que nunca reneguei os meus afectos nem mesmo quando infelizmente os ofendi e se mo prometes pode ser que voltemos a uma conversa que toca num assunto que muita conversa vai dando desde tempos imemoriais mas que se parece sempre com uma carne que nunca chega a ficar cozida 
V. L.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

NADA DISTO FAZ FALTA-IX

é imperioso que insista em olhar a vida e o que dela se avista à luz da inutilidade porque é só a partir desse ponto de observação que se pode tirar um argumento eficaz para viver em alegria apesar desta agonia esta agonia esta agonia e estranho será que alguém leia esta palavra e a reporte a narciso recusando-a à condição humana e em situação agora com as ameaças do mercado antes com gripes de porcos e aves amanhã com novos tremores de terra radioactivos e mais estranho será ainda que não se perceba que o mais importante é viver não é dar valor porque isso dos valores é a força dos afectos individuais ou colectivos  ainda que tenha de se entender por afecto também o ódio que a lei da força e do poder em nós desperta ao sentirmos submergir em inútil rebeldia e consciente impotência a lei da inteligência e da autoridade
V. L.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

CÁ ‘STAMOS-III

O GORGULHO E AS FORMIGAS


Venho-te contar
E venho hoje
Porque ontem não estavas onde te visse
Ou te pudesse ao menos imaginar
Venho contar-te um pouco do que ainda me recordo
Do tempo em que o Gorgulho era
Um barco-barquinho a preto e branco
Barco de carga que trazia e levava
Como na minha aldeia o burro da moenga
Carinhoso e prestável
E do tempo em que as Formigas já eram os ilhéus que são
Agora porém sem que possa voltar a vê-los
Nos dias claros dos meus dezasseis anos
Eram Julho Mar e Céu um mesmo azul
Desde os altos picos e altas rochas
Até ao horizonte onde se recortava Santa Maria
E a seu nascente estes tais Ilhéus das Formigas
Venho-te contar e se sabes o porquê
Encarecidamente peço que mo digas
Pois me sinto sem razões para seja o que for
Algo assim como a pedra grande no meio da vinha
Que não estava ali a fazer nada
Era apenas uma pedra no meio da vinha como sempre fora
Digo isto porque tive desde quando me lembro de mim
Um grande carinho para com a pedra grande no meio da vinha
E aos dezasseis anos continuava a ser uma pedra grande simpática
Só quando foi partida em pedra-aparelhada para a casa nova
É que deixou de estar no meio da terra e tive
De habituar-me a vê-la só na imaginação
Dava um romance se eu me pusesse a contar
A história vária
De algumas pedras que conheci
Por agora porém não falemos de pedras
Falemos de razões
Não das de hoje que não as tenho como disse
Mas as desse tempo do Gorgulho e
De Ilhéus das Formigas que no azul do horizonte e em
Meu silêncio contemplativo avistava de sobre o muro do curral do porco
Conto porque me recordo perfeitamente
Nada me faltava nesse tempo exactamente nesse verão
Para me sentir a caminho de um harmonioso futuro
Venho-te contar que nesse tempo que era meu
A fantasia mandava-me ir ver como eram as Formigas
E houve um simpático pequeno cargueiro que me prendeu os olhos
Muitas vezes na baía de Angra
E algumas também na doca de Ponta Delgada
Mas nem ele nem outro barco ou barquinho me levou
A esses ilhéus a nascente
De Santa Maria

Post-scriptum
Se aos dezasseis anos a referência de novo aparece
É o falso futuro
De um puro passado
Por alguma razão
De imaginação
Contando uma história

R.V.
Setúbal
10 de Agosto
2011/A-L-P&L-ER.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

CÁ ‘STAMOS-II

FINALMENTE EM DESVANTAGEM*

há uma história
da crise que nos devora

havia a realidade

a primeiro
só havia a realidade

era frustante pesada e esquiva
a realidade só-realidade

e foi preciso
criar a ficção

bonita
tão bonita e fecunda a ficção
e foi por isso
que a realidade se enganou a si mesma
e disse
cresce e multiplica-te

e assim aconteceu

foi então que a crise financeira
nos multiplicados úteros da ficção
desenvolveu o seu primeiro gene
sem acordar ninguém


bonita agora
tão bonita a guerra dos milhões 
e de nada mesmo nada
a realidade se queixe

nós e vós
porém
queixemo-nos de alguém
que é nosso algoz

e mais de quem
a quem
a quem

de nós também
e a mais ninguém
 
R. V.

*Um título que vem para aqui do texto «Preto no Branco» do livro ONÉSIMO-Português sem filtro, página 227, por causa de uma frase da página seguinte que para vir a meu propósito com a devida vénia retiro ao seu contexto e que é  esta: «mobilizar uma campanha de transformação da atitude mental face à…»,
à crise e ao dinheiro, acrescento eu.

domingo, 7 de agosto de 2011

7* DESORDENS & ABUSOS de ACABA-LÁ-COM-ISSO

ENTRETANTO

Não há que ter ilusões:
nós também somos

o fim da nossa estrada.
Com estas mãos,

com este mesmo coração
é que chegamos

ao cabo do futuro,
à extrema situação

de que partimos.
Mas, entretanto,

escrevamos.

RUI PIRES CABRAL
http://hospedariacamoes.blogspot.com/2011_07_01_archive.html
*7
«ESCREVAMOS»:
«NÃO HÁ QUE TER ILUSÕES»
se me ponho a escrever é porque escrevo e se não escrevo é porque não escrevo entretanto leio isto «nós também somos //o fim da nossa estrada» e fico a ver que todo eu sou decadência embato nas provas constantemente quer de dia quer de noite não sei se  desta experiência por si finalíssima hei-de fazer algo de alguma utilidade para alguém  por um lado é como mexer na porcaria «que mau cheiro» é um forte cheiro a podre volta-se o nariz para o outro lado e por aí parece que poderia vir um testemunho de condição humana ao encará-la diante dos outros pois pois os outros que todos somos até e também para nós próprios  encará-la em tal e qual e desnudadamente encará-la como exorcismo contra o perigoso escondimento é tão fácil ao esconder ir-se cair no isolamento e no engano a  tirania do isolamento que destrói o amor e acaba com o respeito e do engano que o medo e a arrogância inventam para não encararmos de frente o que efectivamente somos e como vamos-e-iremos até desaparecermos vejo e sinto os dois lados e entre «digo» e «não digo» como não ficar entalado porque a voz ora me diz «não incomodes ninguém com as tuas misérias» ora me repreende e ameaça «se te calas não mereces nem ao menos a alegria de recordar as tuas idas e vindas à fajã do calhau por “entre-os-passos” ou pela “rocha-da-fajã-d’ovelha” nem a de fechar os olhos para que voltes em ecrã de imaginação  àquele dia de agosto em que o sol-nascente veio  da embocadura do sado extasiar os teus olhos de arrábida» e estou nisto se digo não devia dizer e se devia dizer não digo e não digo porque pergunto «que interesse é que isso tem» e logo em resposta claramente ouço «nenhum» uma resposta que por mais errada que seja está certíssima e  que sempre terei por super-certíssima mesmo quando porventura…
V. L.

sábado, 6 de agosto de 2011

CÁ ‘STAMOS! - I


BARCO EM FUNDO

 à nossa porta 
quis o meu porto

      mão morta
      mão morta
      sape gato

não cheguei lá
perdi-me no mar

      sape gato

e agora aqui ‘stou
daqui já não vou

      mão morta
      mão morta

o gato ficou
      sape      
     sape gato

R. V.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

NADA DISTO FAZ FALTA – VIII

outra seria abuso já contribuí hoje com uma citação para o http://encontrolivreiro.blogspot.com/
que inspirado desafio do nosso LG este das citações
aproveito-me da ideia para vir ao chapéu mas sem dizer onde deixei a bengala se alguém pensar que foi cá em casa pode crer que ficarei surpreendido satisfeito e vaidoso o natural é que alguém que saiba onde se pode ler este trecho não no-lo venha dizer por isso se alguém perguntar logo direi de qualquer modo deixo a interrogação digam-me lá se é verdade ou não isto do «nada disto faz falta» quando dito por um célebre escritor e agora aí vai

«ver o que acontece aqui onde não há ninguém onde nada acontece arranjar maneira de aqui acontecer qualquer coisa haver alguém pôr fim a isto fazer silêncio ou noutro ruído um ruído de vozes diferentes das vozes de vida e de morte de vidas e mortes que não querem ser as minhas ir na minha história para poder sair dela não é tudo treta será possível que acabe por me crescer uma cabeça que seja minha e onde possa preparar venenos dignos de mim e pernas para andar a pé estaria finalmente aqui poderia ir-me embora não peço mais nada não não posso pedir mais nada »

e fico por aqui só foi da minha autoria retirar as vírgulas um ponto e duas maiúsculas acreditem por favor pois que juro e posso provar e também peço que me digam se à vossa leitura essas tais vírgulas porventura e verdadeiramente fizeram falta talvez estas«sair dela» uma vírgula «não» outra vírgula «é tudo treta» pois que assim se vê claramente que isto lá ou cá é a mesma treta ou não e se não isso aí…
V. L.

*6 para DESORDENS & ABUSOS de ACABA-LÁ-COM-ISSO

*6
dizes que sabes respondo-te com um «era se soubesses» sabes o quê se nem comer muito menos ao que vieste ou ao que vais o que te vale é que o planeta fala muito mais línguas do que as já conhecidas inclusive as que ainda não têm gramática basta pensar na maravilha do vento aprende-se muito ouvindo-o é capaz de ensinar-te a deitar abaixo ramos de árvores ou até as próprias árvores sem usar serra ou serrote e muito melhor é que aprendas a assobiar ele é exímio  assobia em orquestra coisa que não se consegue  nem com gente que individualmente assobia bem  quem já viu uma orquestra de assobios afinada que o diga seja como for nem sozinho nem acompanhado alguma vez o teu assobio se poderá comparar com o do vento diz-me se sempre vais com ele nunca chegarás longe sem que haja vento um vento que nos ensine a assobiar orquestradamente  desde logo entrando em tempo e a compasso
V. L.