quarta-feira, 30 de novembro de 2011

TAMBWE - A UNHA DO LEÃO: o meu desejo de novamente no próximo sábado sentir que.. (I)

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A sessão na Culsete de apresentação de Tambwe será, então, já no sábado, está devidamente anunciada, o convite está feito, a notícia e convite atempadamente disponíveis para pública atenção.
Não me dispenso, porém,  de os trazer para aqui hoje e de voltar ao livro, já voltei, nestes últimos dias de preparação da sessão.


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A notícia: 
«No próximo sábado, 3 de Dezembro de 2011, pelas 16h, António Oliveira e Castro, personalidade muito conhecida na nossa cidade, estará na Livraria Culsete com o seu novo romance Tambwe – A Unha do Leão, a partir do qual se estabelecerá um agradável convívio com amigos e interessados no tema do novo livro.
O romance será apresentado por Fernando Gandra, respeitado escritor de há muito radicado em Setúbal. O ator José Nobre dirá textos escolhidos com a sua notável arte de ler e o saxofonista Rafael Lopes trará ao ambiente o enriquecimento da sua música.
Tambwe – a Unha do Leão é outro regresso a Angola. Quem leu o anterior livro deste autor, A Especiaria, vai, porém, verificar quanto este romance é bem outro.
A guerra da independência de Angola teve uma variedade muito grande de participantes: na já vasta literatura sobre a chamada Guerra Colonial em Angola, as personagens, os lugares e os episódios com que António Olivreira e Castro construíu este seu Tambwe – a Unha do Leão não são comuns.
Uma nota de primor: de novo as ilustrações do nosso pintor Nuno David.
Será uma tarde literária em que faz todo o sentido participar, pelo romance, pelo tema, pelo autor e pelos intervenientes nesta apresentação de Tambwe –A Unha do Leão».

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O convite:
«A Culsete
tem o prazer de convidar V. Ex.ª para a apresentação do livro Tambwe - a Unha do Leão, da autoria de António Oliveira e Castro, que terá lugar no dia 3 de Dezembro, pelas 16:00 horas, no espaço da livraria.
A apresentação da obra estará a cargo de Fernando Gandra.
Participação do ator José Nobre e do saxofonista Rafael Lopes».

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Como disse, v
oltar ao livro, já voltei, nestes últimos dias de preparação da sessão, de modo a contribuir, por pouco que seja, dentro do meu possível e na medida do útil e agradável, para que aconteça o que tantas vezes, por dezenas de anos, nesta livraria aconteceu: «gente feliz», a começar pelo autor do livro, o livro  revelando-se, seduzindo, centro das atenções.

E vendas? As que as pessoas quiserem, nem mais nem menos. E querem tanto mais quanto melhor o livro as tiver seduzido. Quermesse ou simples cedência de espaço é outra ideia, em si respeitável, mas não é bem esta. 
É pena quando se vende menos do que era de esperar. Mas seria muito pior, isso é que seria mau: desaprender uma teoria e abandonar uma prática de animação de leitura que, nunca o esqueço!, foi subtilmente descoberta, na sua simplicidade, mas eficácia de regras, por Manuel Dias de Carvalho, um filho de Setúbal e um dos verdadeiramente ilustres editores portugueses do  século XX. Inverno de 1989. Não nos devia ter deixado tão logo a seguir. 
Sair de casa e ir aprender com quem soubesse mais e fizesse melhor animação de leitura. Ainda em anos setenta e entrando pelos oitenta. Lisboa muito. E, por recomendação, ir até Salamanca. Sim senhor, aí valeu a pena. Mas não por aprender mais, foi pena, mas por confirmar o que tínhamos alcançado e por delícia de ver o que, com meios, alcançar se podia.
Tenho pena de que não tenha sido levado em conta este aviso no post de domingo, dia 27 p. p., sobre a sessão do sábado, dia 26, com Miguel Real:
«Aviso:
Isto é vaidade e orgulho. 
A quem leva a mal pede-se que não prossiga».
Que me fica mal o orgulho? E a maneira pouco respeitosa de se vir meter comigo quem prosseguiu depois de ler o meu pedido? Nenhum amigo levou a mal. Embora de porta aberta, é para os amigos, sobretudo e quase só para os amigos, localizados ou não,  que faz sentido manter este blogue.
Se calhar hoje devia ter repetido o aviso para que…
Mas, se dantes não resultou, valeria a pena? 

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Agora estou a desejar voltar ao livro, em especial ao que nele já me apanhou. Espero ainda vir dar conta aqui e antes de sábado de alguns porquês de ter-me obrigado a ler algumas passagens uma, duas, três vezes.
Com licença!
L. V.


SE AO MENOS POR MIM…

A Serenidade tenho de a escrever com maiúscula porque, de entre todos os muitos remédios que as regras da longevidade nos vieram a impor, é aquele de que já de muito antigamente trazia receita passada por meu avô e de que menos quero separar-me, por hoje e por cada dia e sobretudo por aquele em que desde lhe peço que de modo nenhum me falhe.
-Isto vens dizer aqui porque…?
-Porque às tantas não se aguenta…

Por volta dos dezanove-vinte anos sofri os primeiros graves ataques de gralhas. Comparem com mosquitos, pulgas ou gafanhotos. Num dos casos…
Sempre que me lembro, sinto incomodado: Ariel Quílon/Abdel Kader ou seja Ruy Galvão de Carvalho a confiar no jovem para uma boa correcção de provas da edição dos seus poemas na colecção Cadernos do Pensamento (Angra do Heroísmo, anos cinquenta). Corrigi as provas, mas era um ingénuo principiante. Que ganhei experiência e calo, disso não há dúvida: última prova é aquela em que já não há nada a corrigir.

Enquanto o corrector mandar seja o que for para correcção, tem de exigir mais uma prova.
Era ainda aquele o tempo da tipografia. Apesar de tudo, o chumbo parece que se corrigia melhor. O que se passa actualmente na correcção é desesperante, envergonha. Devia envergonhar.

Mas há pior: gralhas são gralhas, não são erros de escrita.
Gente que escreve com erros daqueles que…
Aparecem na escrita de muita gente da escrita tantos erros que é vergonhoso… 
Alguém nos diga, por favor, que o rei vai nu!…

-E tu, que aqui vens e vais neste escrevinhar de livreiro velho?
-Pois! O desespero de passos que dou a cair no buraco… Se ao menos por mim começasse a sentir-me menos impaciente por não ter que dar com gralhas e com erros meus, acima de tudo com os erros…

É por cobardia ou simplesmente porque não paga a pena que não penduro em estendal uns quantos erros de escrita de gente cotadíssima nas nossas letrinhas?
L. V.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

«PALAVRAS DEMAIS»?! «SENTIMENTOS DEMAIS»?! Não neste livro!

Onde fui avistar «o céu de Calar Alto» foi assim aqui : http://www.astrosurf.com/joseribeiro/pcalar.htm.
Fui «Com Job» «e estamos, se possível, ainda mais sós / sem forma e vazios» (Págs. 44 e 45).

«Com algum grau de abstracção e sem plano rigoroso»(pág. 11), voltei, pois, a Como se Desenha uma Casa o novo livro de poemas de Manuel António Pina.

Que me diria a mim mesmo se não voltasse?
E o que direi a quem está considerado, consideramos ou se considera um leitor de poesia e se calhar até…, se calhar até é um conhecido poeta ou tem este e muitos outros títulos literários, digamos, todos os de pessoa culta e devotada a livros e letras, mas que não se dispôs a correr atrás da notícia de que este novo livro de Manuel António Pina já está à sua espera na livraria?

O que direi?
Nada! Não direi nada, a cada um a sua liberdade, volto é a abrir o livro e gostaria, mas não o vou fazer, e o que digo é somente que gostaria de comentar, «com algum grau de abstracção», este poema da pág. 28 em que leio: «os meus livros desesperarão».

Este post?!
Não, não é propaganda.É prazer!
E não é vontade de vender?  Vender, evidentemente! E quantos exemplares?
Para quê estar plantada na cidade uma livraria se é para enfeite, como as laranjeiras em frente, as suas laranjas caindo no chão, ainda por cima um chão impermeabilizado?
L. V.

«SE TIVER UM NOME»

«O jantar arrefecerá na mesa,
os meus livros desesperarão
e não haverá sentido que os conforte
e o meu nome, se tiver um nome, não me responderá.»
(Pág.28)

Tem nome, nós bem sabemos que o tem, agora também se chama «Prémio Camões 2011», é assim que funcionam as coisas e faz sentido, algum sentido faz. Mas de há muito Manuel António Pina era já um notável da Poesia Portuguesa.
Como já fora anunciado, era para ser no fim do ano e foi, cá está o novo livro, Como se Desenha uma Casa, aproveito este momento de sossego após o pequeno almoço, tenho de o ler antes que o venham comprar ou esgote ou seja pedida a devolução ou simplesmente lhe ponham por cima outros e outros e outros. E não resisti, um poema destes, este poema, tinha que o transcrever para aqui…
OS LIVROS
É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo ‘eu’ entre nós e nós?
(Pág. 21)
Mas não foi por este, embora pudesse ser, não foi ao ler este poema que dei por mim a falar sozinho e a dizer: é mesmo um excelente poeta.
Com ou sem Prémio Camões, Manuel António Pina, um excelente poeta!
L. V.

domingo, 27 de novembro de 2011

DE UM SÁBADO A OUTRO NA CULSETE

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Não é por nada.
É porque há pessoas que nunca aprenderam nem quiseram aprender a fazer as coisas só para constar.
Aviso:
Isto é vaidade e orgulho. 
A quem leva a mal pede-se que não prossiga.

A tarde de ontem na Culsete, com Miguel Real e os seus livros, foi cuidadosa e devidamente preparada.
Miguel Real mereceu, os seus leitores presentes mereceram, os que não puderam vir também mereceram, os que não se interessaram… 
É uma pena não se terem interessado, mas estivemos tão bem, que nem demos pela sua falta… 

«Cuidadosa e devidamente preparada» e certamente por isso mais uma vez um escritor vem estar na Culsete com os seus possíveis leitores e fica surpreendido e contente porque os seus livros os encontra na livraria não apenas como mais papel, mas como uma escrita cuja leitura já está no ambiente.
Miguel Real ficou contente. As pessoas que passaram a tarde com ele e os seus livros notava-se que estavam com prazer.

E nós?
Contentes, agradecidos e já procurando preparar o melhor possível a sessão do próximo sábado, 3 de Dezembro:
apresentação de Tambwe – A Unha do Leão de António Oliveira e Castro. Já volto com mais umas linhas sobre este novo encontro de leitores e amigos.
L. V.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Amanhã na Culsete com MIGUEL REAL

«Sábado, 26 de Novembro de 2011, às 16h.». A anunciada tertúlia com Miguel Real é já amanhã à tarde.
Tertúlia à volta especialmente dos três muito recentes títulos da sua já vasta obra, estes, cujas capas de novo aqui vão reproduzidas:

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Há uma razão evidente para não me dispensar de participar nesta tarde de convívio com um dos autores mais em evidência, e já de alguns anos para cá, no panorama editorial português:
é que a mobília da livraria é a mesma de há quarenta anos e este velho livreiro continua a fazer parte dela.

Tenho outras boas razões, melhores e específicas. Não vou esperar para amanhã, expresso-as já aqui. Pelo gosto de as partilhar com os amigos que não poderão participar e igualmente pelo empenho em dizer aos que tiverem possibilidade de aparecer que não deixem de vir enriquecer a troca de ideias que se vai estabelecer e que promete ser muito rica.

Cada um poderá ter uma razão sua, particular, para participar num qualquer evento. Razões comuns para reunir pessoas, essas sempre tem que haver, de outro modo…

Particulares ou comuns, vamos a encurtar as minhas razões. E devo anotar que não é casual a disposição que faço aqui das imagens das capas dos três livros.
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No centro está O Pensamento Português Contemporâneo 1890-2010 – O Labirinto da Razão e a Fome de Deus, de ora avante um livro indispensável na biblioteca de qualquer pessoa que se tenha na conta de um português com razoável nível de cultura geral.
Não é livro para ler, mas para ir lendo.
Por mim, ainda pouco mais alcancei do que as seguintes páginas:
86 a 98 – Teófilo Braga;
116 – 137 – Antero de Quental;
583 – 599 – José  Enes;
966 – 1003 – Onésimo Teotónio Almeida.
Dirá alguém: «é o seu orgulho açoriano» Terei de concordar e ainda lhe acrescentarei uma das tais razões particulares. José Enes e Onésimo Teotónio Almeida, este o último dos pensadores que o volume detidamente estuda...
Pois! Seria longo…
Não sei se amanhã… Só se vier a propósito. Se, por exemplo, aparecer mais alguém que, como eu fui e mais tarde foi o muito amigo Onésimo, igualmente tenha sido aluno de José Enes, «o mais importante pensador açoriano posterior a Antero de Quental e Teófilo Braga e um dos mais importantes filósofos portugueses do século XX», diz Miguel Real.
Que extensão da leitura de uma só pessoa, a que se admira no levar a bom termo uma obra destas!
Podemos discutir interpretações, inclusão ou não inclusão de pensadores, mas não podemos deixar de curvar-nos perante tanto trabalho e tão necessário para combater a nossa ignorância de nós mesmos.

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É estranho!… Escrevi «combater a nossa ignorância de nós mesmos» e ponto final. De seguida levantar os olhos para as imagens das três capas e eles logo de vez a cairem-me sobre o título Introdução à Cultura Portuguesa.
Confesso que fiquei parado… E não me parece que deva acrescentar mais do que isto: quem tanto leu o pensamento português, talvez tivesse mesmo a obrigação de escrever este livro. É que não é informação apenas, há tomada de posição própria.

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O romance para o fim. Talvez porque tem sido, dos três livros, aquele que, em meus forçados ócios, me andou, nestes últimos dias, mais próximo da mão : A Guerra dos Mascates.
Nesta tertúlia não vão faltar os bons leitores de romances. E este romance permite que venham à conversa abordagens que me interessam muito. Uma delas… 
Recordo ( e emociono-me…) o lançamento na Culsete, com um discurso admirável que Urbano Tavares Rodrigues leu, trazia escrito e foi publicado no JL do romance O Reino Encantado de Mário Ventura, o seu último romance… ( Quem diria!…. Desculpem…)
Razão para esta recordo?
A Guerra dos Mascates é título de um romance do escritor brasileiro José de Alencar. O mesmo título? Sobre isso de certo vamos  conversar amanhã. O que já com o romance de Mário Ventura me esteve diante dos olhos foi o Brasil em sua/nossa História, como riquíssimo tesouro a explorar, por gosto e obrigação, pelos criadores do actual romance histórico português. Miguel Real é justamente um dos premiados escritores que encontrou esse tesouro e que aqui, em A Guerra dos Mascates, vem mais uma vez trazê-lo à leitura portuguesa e é de crer que também à brasileira.

E agora, amigos?!
Que acham destas minhas razões para estar muito interessado em participar amanhã à tarde na tertúlia da Culsete com Miguel Real?
Na vossa companhia, se for possível.
Com muito prazer, obviamente!
Livreiro Velho

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A MONTE E À TOA - III

TERRENO PERIGOSO
Pode chegar, até chega, o momento em que te vês sem alternativa: ou não vais mais além ou para avançares tens mesmo de arriscar-te por terreno perigoso. Não vejo que outra justificação possa ter assistido ao Manuel José, um rapaz tão acertado, como se pôde comprovar pelo anos fora de uma vida bem aproveitada até uma bonita velhice de quase ao fim dos oitentas.
No que ele se meteu! E não me contou tudo, não, não contou! Eu percebi…

A certa altura não lhe restou outra solução que não fosse a de atravessar o pântano, de roupa à cabeça. Secar, secou-se como pôde. Arrancar as sanguessugas, isso é que se pôs feio. Foi vestir a camisa por cima delas e quando fartinhas de sangue lá iam caindo.

Pisar terreno perigoso está neste momento cada vez mais obrigatório por lei de sobrevivência. E não é caso pessoal, como se fosse o de um qualquer José Manuel levado a arriscar-se por sua vontade de chegar aonde chegou.

O caso é de qualquer um, porque é o caso de todos.
De todos! Não houve nunca outro caso tão de todos, os de cima e os de baixo, os que ganham e os que perdem, os que branqueiam e os que escurecem, os que comem bem e os que passam fome.

Aonde se chegou nem sequer já dá para um «vamos aguentar».
- E daí?
- Não será melhor pisar terreno perigoso de revolução, do que terreno fatal de guerra mundial?

Não é que as guerras mundiais não tenham acontecido. A última é que me iniciou na leitura de jornais. So-le-tra-va. Apesar delas, a beleza deste nosso mundo lá sobreviveu.
O que é pena é não terem servido de lição nem para os milhões que elas sacrificaram, nem para os actuais comandos da cena e da gangrena.

Manso como um cordeiro! O que eu queria era ouvir falar um homem sábio e manso como um cordeiro sobre as semelhanças entre os presságios actuais e os que antecederam as outras guerras mundiais. Pode ser que tenha sorte…
V. L.

sábado, 19 de novembro de 2011

TRÊS LIVROS - UMA TERTÚLIA

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MIGUEL REAL NO PRÓXIMO SÁBADO NA CULSETE

No próximo dia 26 de Novembro de 2011, sábado, pelas 16,00 horas, a Livraria Culsete, em Setúbal (culsete@gmail.com), abrirá as suas portas para uma tertúlia com o escritor, ensaísta e teórico do pensamento português Miguel Real, em torno dos seus mais recentes livros, A Guerra dos Mascates, Introdução à Cultura Portuguesa e O Pensamento Português Contemporâneo.
Em A Guerra dos Mascates, retomando e continuando o título homónimo de José de Alencar, o autor revisita romanescamente um dos episódios mais marcantes da história do Brasil do século XVIII. Em Introdução à Cultura Portuguesa procura e “propõe uma nova teoria definidora da cultura portuguesa desde o início da nacionalidade” até 1890, privilegiando “uma via mais historicista e menos ideológica”. O Pensamento Português Contemporâneo alarga essa perspectiva até 2010, arrumando cronologicamente o pensamento contemporâneo português em três grandes momentos.
Autor com vasta obra publicada, sobretudo no campo do ensaio e no âmbito da ficção de raiz histórica, tem, por vezes e sobre o mesmo tema, produzido simultaneamente um ensaio e uma obra de ficção, podendo, assim, abordar as mesmas temáticas de forma diversa, alargando o âmbito dos seus potenciais leitores. Esta metodologia foi usada, entre outros, com o romance A Voz da Terra, cuja ação decorre na época do terramoto de 1755, e o ensaio O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa. De referir também os seus textos dramáticos e as adaptações dramatúrgicas, escritos em parceria com Filomena Oliveira, entre eles uma adaptação de Memorial do Convento. Alguns dos seus títulos têm sido premiados, tendo recebido, entre outros, prémios tão importantes como o Prémio Literário Fernando Namora (2006) ou o Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho, da Associação Internacional de Críticos Literários (2008).
Esta será, portanto, uma oportunidade imperdível de encontro entre o escritor e ensaísta e os seus leitores.
FRM

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A MONTE E À TOA - II

RETROCESSO CIVILIZACIONAL EM SIRRITA
                                                                 Com endereço especial para Olegário Paz
                                                                  por tudo e muito mais
                                                                 e ainda «porque-amanhã-é-sábado» 
Quando lá cheguei já toda aquela cidade, Sirrita, se tinha habituado a viver sem dinheiro. Disseram-me: «foi a única maneira de recuperar alguma dignidade e a independência perdida». Como sobreviviam as pessoas? Essa foi a minha grande surpresa: viviam a crédito. No mercado interno da cidade, funcionava perfeitamente. E foi isso que ia dando comigo em maluco.
Como era possível um retrocesso civilizacional assim tão profundo e radical?
O dinheiro!? Essa grande invenção, muito mais produtiva de progresso do que a celebrada invenção da roda?! Atirada assim para fora do dia a dia de uma cidade tida como muito ilustre!?
Depois explicaram-me e até certo ponto quis entender. Desse ponto por diante era arriscar-me demasiado. De repente poderia ficar isolado, ali em Sirrita, onde toda a gente de facto ou trabalhava e tinha crédito ou ia viver para o mato, donde não se recebia correio.
Como não arrisquei, cá estou eu, disposto a toda a vergonha e preocupação, mas digno do meu respeito por mim mesmo como cidadão do mundo. Nem por sombras arriscar-me a perder a rica e gloriosa cidadania que a era da globalização tão radiosamente ofereceu a quem a quisesse e pudesse agarrar. O preço? Os benefícios são tão grandes, que se me quiserem preso a tanto e tanto que até a água para sobreviver tenha de comprar, ainda que tenha de vender a alma estou disposto a pagar. Dependência ou morte!
R. V.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A MONTE E À TOA

Duas vezes por ano as famílias da minha freguesia passavam-se para a Fajã do Calhau. Quase toda a freguesia em Setembro, para as vindimas, durante cerca de quinze dias. Grande parte dela em Março, para podar a vinha e amarrá-la em «trancos» novos, para cavar a terra e semeá-la. Aquela terra, ali em terra baixa, praticamente ao nível do mar, no sopé da alta rocha, dava de tudo e tudo ali se cultivava, o que era uma riqueza, riqueza muito grande, para uma freguesia açoriana assim, implantada a cerca de trezentos metros de altitude, em que toda a produção agrícola era serôdia.

É melhor não contar tudo de uma vez. Mas desde um caldinho de feijão novo a um cacho de bananas bem amarelas…

É efectivamente melhor deixarmos algumas coisas para outras hipóteses de mais contar em como foi ou como era. Até porque o que aqui vem a tema e assunto é simplesmente um pormenor do que, entre o tempo das podas e o das vindimas, acontecia no calhau para onde se iam atirando as canas na limpeza das canavieiras e as vides cortadas na poda. Das vides, ainda se guardavam na cozinha as que podiam fazer bom tição. Quanto às canas, eram uma abundância! Porque as vinhas estavam divididas e protegidas por canavieiras tão cheias de vida e garbo como nunca vi noutro sítio. As escolhidas para fazer os tais «trancos», nos quais era um gosto ver com que destreza a vinha era amarrada a tabua, deixavam restos, naturalmente. Mas para além disso era preciso desbastar e amarrar a própria canavieira para não tomar conta do terreno e prejudicar as culturas, em vez de só as proteger.

Lá se ia atirando para o calhau todo esse excesso. E o mar como se entendia com essa invasão dos seus domínios?

Este é que é o meu ponto. Em Março lá nos vínhamos de regresso, esperava-se a hora da maré e mesmo assim cuidadinho e muito cuidadinho «entre os passos», descansar e beber água da nascente na água dos paus que servia de patamar da rocha, porque os «passos acabavam ali e o calhau de novo era largo. Junto às primeiras escaleiras e também nelas sentavam-se todos, os homens a enrolar e fumar um cigarro e a fazer comentários sobre isto e aquilo da vida, as mulheres juntavam-se mais para o lado delas.

«Manuel vamos andando» e era a segunda parte, para aí uma hora e mais a subir a rocha, as crianças mais pequeninas ao colo ou em cestos de milho, «agarra-te bem», as outras, ainda que muito pequenas, já subindo por sua conta, pode dizer-se que de pés e mãos, porque muitas das escaleiras não eram propriamente nem sequer imitação de degraus.

Ah!, mas não se esqueça! Estamos a falar de uma praia de calhau rolado muito extensa e só nos extremos é que não se viam os enfeites das vides e canas que deixávamos entregues ao sol, à chuva, ao vento e sobretudo-sobretudo aos abrações do mar, quando as ondas eram de varrer tudo, ao ponto de por vezes entrarem pelas terras e pelas casas que ficavam mais à beira.

A maresia empurrava, a maresia levava, a maresia trazia e, quando se voltava para a vindima, o mar, nos pontos que lhe haviam parecido mais a seu jeito, e os meses e o sol, nas suas lides próprias, tinham-nos deixado em seco e bem sequinha toda aquela riqueza de material para as nossas altas fogueiras, os espectáculos para depois da ceia.

Já noutra altura fiz disto uma boa lembrança e não é bem o mesmo o que venho fazer agora.

Quando me chegou o convite do amigo Canto para uma série intitulada «a monte e à toa», como já aqui vai em começo e direcção de caminho ou atalho, a imagem que à ideia me veio foi a das canas e vides que o mar a monte e à toa nos deixava no calhau, ano após ano, depois da longa temporada aos abrações com elas.
A monte e à toa.
É isso e assim!
Para as labaredas de mais algumas e novas fogueiras, vamos a ver o que, ainda que a monte e à toa, nos destina o mar da vida.
R. V.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ATÉ À PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA NO «ENCONTRO LIVREIRO»

http://cadeiraovoltaire.wordpress.com/2011/05/23/livraria-esperanca-funchal/Funchal, 20 mai (Lusa) -- Com uma área de 1.200 metros quadrados, a histórica Livraria Esperança, no Funchal, é a segunda maior do mundo e o dono, Jorge Figueira de Sousa, costuma dizer que tem 165 anos de experiência no negócio dos livros.
*** Ana Nunes Cordeiro, da Agência Lusa ***
http://sicnoticias.sapo.pt/Lusa/2011/05/20/reportagem-livros-madeirense-livraria-esperanca-a-segunda-maior-do-mundo
I – O TEXTO POR INTEIRO
Funchal, 20 mai (Lusa) -- Com uma área de 1.200 metros quadrados, a histórica Livraria Esperança, no Funchal, é a segunda maior do mundo e o dono, Jorge Figueira de Sousa, costuma dizer que tem 165 anos de experiência no negócio dos livros.

Herdou a livraria do avô, Jacintho Figueira de Sousa (1860-1932), que a fundou em 1886, altura em que foi o primeiro espaço dedicado exclusivamente à venda de livros na ilha da Madeira, onde até aí os livros eram comercializados, por exemplo, "em lojas de fazendas, que tinham um armário com uns livrinhos, e assim faziam", relatou hoje à Lusa o proprietário, de 79 anos e uma vida dedicada aos livros.

Somando a experiência do avô à do pai, José Figueira de Sousa (1899-1960), e à sua, o atual dono da histórica livraria afirma, a brincar: "Tenho 165 anos de prática de livraria -- 50 do meu avô, 50 do meu pai e 65 meus".

A livraria divide-se por dois espaços na mesma rua, em frente um do outro, em edifícios com 250 e 350 anos, e o que a distingue das outras é o facto de todos os livros estarem expostos, suspensos de molas, enchendo estantes e paredes até ao teto, em mais de 22 salas, dedicadas a diversos temas, num total de 106 mil livros, todos diferentes e todos em português.

"Há livros infanto-juvenis, romance, teatro, poesia, enciclopédias, livros de viagens, de história, economia, direito, religião, filosofia, culinária... nem tenho presentes os nomes de todas as secções", admitiu.

"É verdade que eu tenho 106 mil livros, mas mais de metade é lixo. Lixo, no sentido de que são livros desconhecidos. Somos a única livraria de fundos do país", observou, classificando os clientes que lá vão ou que lhe fazem encomendas via internet como "leitores de classe média alta, leitores especializados" -- aliás, tal como os ladrões que muitas vezes lhe assaltaram o estabelecimento.

"Não eram ladrões de galinhas, não... Eram ladrões cultos", comentou.

Todos os livros que estão disponíveis na Livraria Esperança têm registo informatizado e Jorge Figueira de Sousa recebe semanalmente um relatório com o número de visitas do site e a sua localização geográfica.

"Recebemos cerca de 600 a 700 visitas por semana de todo o mundo, desde o Japão e vários outros países asiáticos, aos Estados Unidos, Brasil e toda a Europa", sublinhou.

Na página da livraria centenária (www.livraria-esperanca.pt), os livros podem ser pesquisados por título completo, uma palavra do título, autor, um dos nomes do autor, por género, por coleção ou por editora.

"Distribuidora é que não, que é para ninguém ficar a saber onde é que eu os vou buscar", declarou, mostrando que uma das coisas que a sua experiência lhe ensinou é que o segredo continua a ser a alma do negócio.

ANC.
Lusa/fim

II - E O FUTURO EM OUTRO TEXTO
«Não tem descendentes. A livraria pertence apenas ao sr. Jorge e à sua esposa, que não querem que aquele projecto termine quando eles já não estiverem por cá. Por isso, em 1991, conseguiram criar a Fundação Livraria Esperança, Instituição Particular de Solidariedade Social, declarada de Utilidade Pública. O objectivo desta fundação é que metade dos rendimentos da livraria serão para oferecer livros às crianças da Madeira e do Porto Santo, “para fomentar hábitos de leitura”.
Uma política que inseriu na Livraria foi a de não ter empregados mas sim “associados”, que ganham o seu salário e, no fim do ano, metade dos lucros é para distribuir “por quem trabalhou”. Está sempre à procura de colaboradores, refere. Jorge Figueira de Sousa diz que “quando eu for embora, não preciso de lucros nenhuns” daí apostar e manifestar “Esperança” naqueles que ficarem…»

Paula Abreu, Jornal da Madeira, 19-II-/2005

III – ADMIRAR E RESPEITAR
Alguns amigos que visitam este
«chapeuebengala» preferem ler nos «endereços» e outros antes aqui. Por isso este post é assim. Na expectativa de que satisfaça alguns pedidos de informação.

Confesso,  é com imenso gosto que se agradece às respectivas autoras esta informação e se vem divulgá-las.Quem ainda não tinha dado pela singularidade da Livraria Esperança e da respeitabilidade do ilustre casal que a manteve e lhe deu e continua a dar vida, sem concessões à idade, a partir de agora, da feliz comemoração na próxima segunda-feira, dia 21 do mês corrente, dos oitenta anos do livreiro Jorge Figueira de Sousa, estou certo de que não se cansará de admirar e respeitar.

Ao endereço do Encontro Livreiro, a esse é que vou pedir que ninguém deixe de o abrir: http://encontrolivreiro.blogspot.com/
«No mundo dos livros estamos todos, do escritor ao leitor: Gentes do Livro!»
L.V.

DESORDENS & ABUSOS... e logo este que é o 12...

ainda que com este título vir para aqui com uma conversa destas não é bem feito concordo e peço desculpa mas hoje apanhei dois puxões de orelhas um de manhã e outro de tarde da parte de pessoas que me estimam muito e portanto obriguei-me a rever por erros e gralhas por confusões e obnibulações a minha escrita do post com  o título do «a ilha de nunca mais» do muito querido amigo fernando aires falecido em novembro do ano passado
http://chapeuebengala.blogspot.com/search?updated-min=2010-01-01T00%3A00%3A00Z&updated-max=2011-01-01T00%3A00%3A00Z&max-results=50

há coincidências estranhas e pronto e mais esta agora porque isto escrevo a treze e em treze de novembro do ano passado é que foi lançado neste blogue um post sobre fernando aires ele esse post que é uma escrita como a que os meus bons conselheiros talvez até achassem que teria eu querido fazer também no meu post de sexta-feira

peço perdão de a minha boa aceitação dos puxões de orelhas não  ter conseguido que mudasse quase nada na versão inicial apesar de concordar em que não só hoje mas já no passado e talvez em amanhã mais puxões de orelhas me foram e serão bem aplicados
 
pedir perdão também devo e quero por insistir numa tentativa de escrever cada texto como cada texto me parece querer-se escrito e este para o caso e o momento de título em si mesmo mais do que significativo só me pediu que fosse uma elegia para um amigo morto e recordado

há modos de ler como há modos de escrever e «este texto aqui em causa é para ser lido como» se alguém me perguntar isto certamente não conseguirei responder e só sei que hoje ao relê-lo o senti de novo e mais me disse de como pode uma leitura da escrita de um amigo morto interiorizar-se em nossa pobre escrita enriquecendo-a

agradecido me sinto pelos puxões de orelhas quando são assim amigos e que hoje e sempre fizeram/fazem tanto bem para corrigir discutir insistir e talvez até reincidir e pobre pobrezinho de quem não os tem a amigos destes o fernando aires tinha-os posso provar e contava com eles e estava sempre humildemente à espera das suas críticas para as levar em boa conta
V. L.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

«A ILHA DE NUNCA MAIS»

é verdade que pode parecer excesso de tristezas sem razão nem lição nem proveito mas estamos no outono é natural serem assim os dias seguidos tão sensível a tudo o fernando aires  e a muitos pormenores de sensibilidade que escapavam a qualquer um por isso creio que novembro ao ser o seu tempo de partir talvez tenha sido por um ajuste com o seu desgosto de deixar as belezas para que se cultivava e sempre se cultivara

«no domingo álvaro comeu em casa um almoço melhorado preparado pela mãe fala-se de sensualidade da boca e do olhar e é verdade a comida quando bem feita e apetitosamente» não é para qualquer um o que aqui está neste início da página setenta e seis o fernando e a sensibilidade destas linhas e de tantas outras linhas do seu «a ilha de nunca mais» e a dizer no cartão que acompanhava o exemplar dedicado  «gostei muito de o escrever talvez por ser uma coisa que tinha comigo há tempos e necessitava de se libertar agora aí está quase sem gralhas o que é uma grande mercê dos deuses»

dia de julho meados de julho a tarde agradabilíssima que juntos passámos cada um dos dois destinara oferecer-me no seu automóvel uma volta de saudade por alargados arredores da cidade lá partimos os três num só carro o do meu irmão em casa de quem estava a passar aqueles gloriosos últimos dias em que me concedeu a sua companhia

subimos pelo lado da ribeira grande à serra de água de pau parámos a admirar mais uma vez a lagoa do fogo  e descemos pelos remédios da lagoa dali a pouco estávamos a gozar o resto da tarde na galera por sobre os incenseiros a luz da tarde indo para o mar até nos prender os olhos no ilhéu de vila franca do campo

conheciam-se de outras ocasiões e dos casuais encontros em que um queria notícias do amigo ausente e o outro lhas dava e no entanto não me parece que tenham percebido aquela minha forma de os ter próximos que era em cada fevereiro no dezoito o fernando e no dezanove o aristides poderem contar com os meus parabéns de aniversário

logo em dois mil e quatro foi o último dezanove de fevereiro e o último dezoito veio a acontecer em dois mil e dez  a partida do fernando em novembro e agora como quem conta uma história antiga já só eu posso recordar esse dia de julho lá na ilha a nossa «ilha do tesouro» um tesouro de recordações tantas e tão ricas que este magoado novembro de um ano depois veio abrir

«a velha canção do mar» volta no fim de «a ilha de nunca mais» mas surge-nos primeiro em belo contexto já na página dezanove em que a personagem conta a sua leitura de «a ilha do tesouro» «é de aventuras no mar e eu limpei com reverência as mãos aos fundilhos antes de pegar nele e já na tarde daquele dia me fechei no quarto – um quarto soalheiro que dava para a serra e tinha o dom de reter sedimentos de conversas o catarro dos livros o rumor subtil do virar das páginas e dos sentimentos que delas brotavam»

muda-se a página e o discurso volta para o narrador a dar-nos conta na página vinte de que o mocinho «retomou a leitura no ponto onde a deixara e mais adiante era aquela velha canção do mar em várias ocasiões ouvida ‘quinze homens na mala do morto io-ho-ho e uma garrafa de rum’»

canção do mar canção do mar canção do mar e este repetir «tem a ver com um grito que enche o céu e a terra inteira ao outro dia era só mar o balanço mole cava no estômago uma agonia» e talvez eu possa ajudar um leitor curioso se disser que estou na página cinquenta e dois e vou  de imediato querer acabar na última ou seja a cento e vinte e quatro por sentir que já quando esta manhã abri «a ilha de nunca mais» de fernando aires «a velha canção do mar chegava através da infância por entre o ruído do vento – tão acabada de ouvir como se um tempo longamente passado não estivesse de permeio»
R. V.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

«CARTA ABERTA MAIS DO QUE JUSTA»

1
Novembro 10, 2011
Carta Aberta
É uma carta aberta mais do que justa e merece a subscrição colectiva:


Livraria Esperança, Funchal
http://cadeiraovoltaire.wordpress.com/

2
Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011
CARTA ABERTA DE «GENTES DO LIVRO»

Se deseja subscrever esta carta aberta, envie-nos uma mensagem para encontro.livreiro@gmail.com com o assunto «subscrevo», indicando nome, profissão, localidade e blogue (se relacionado com o livro e a leitura). Agradecemos toda a colaboração na divulgação junto dos seus contactos entre as «gentes do livro». Obrigado - Encontro Livreiro.

Senhor Presidente da República
Senhor Primeiro Ministro
Senhor Secretário de Estado da Cultura
Senhor Representante da República para a Região Autónoma da Madeira
Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira
Senhor Secretário Regional da Educação e Cultura da Madeira
No próximo dia 21 de Novembro de 2011 o livreiro Jorge Figueira de Sousa, da Livraria Esperança - «primeiro estabelecimento comercial no Funchal e na Madeira a vender exclusivamente livros» - completa 80 anos de vida.
Continuador de um sonho e de um projecto iniciado pelo seu avô, Jacintho Figueira de Sousa [1860-1932], e mantido pelo seu pai, José Figueira de Sousa [1899-1960], Jorge Figueira de Sousa, nascido no Funchal no dia 21 de Novembro de 1931, continua firmemente no seu posto e é para todos nós, «gentes do livro», um exemplo de vida e uma figura que muito honra a classe profissional dos livreiros portugueses, por vezes tão esquecida, não obstante o lugar central que ocupa no que deveria ser um fundamental desígnio nacional: a promoção do livro e da leitura como alicerce de um País mais culto, logo mais justo, mais livre e mais feliz.
Porque julgamos que o Livreiro Jorge Figueira de Sousa, pelo seu exemplo de juventude, tenacidade e persistência, é merecedor de público reconhecimento, rogamos a V. Ex.as se dignem honrá-lo com a distinção tida por conveniente e justa nesta circunstância.
Encontro Livreiro, 5 de Novembro de 2011


OS SUBSCRITORES:
Luís Guerra – Editora Assírio & Alvim (Lisboa)
Manuel Medeiros – Livraria Culsete (Setúbal)
Fátima Ribeiro de Medeiros – Professora e Investigadora de Literatura (Setúbal)
Sara Figueiredo Costa - Blogue «Cadeirão Voltaire», jornalista e crítica literária (Lisboa)
João Reis Ribeiro - Professor (Setúbal)
Rosa Azevedo – Blogue «Estórias com Livros», ex-livreira, produtora na Ordem dos Arquitectos (Lisboa)
Onésimo Teotónio Almeida - Professor, Brown University, Providence, RI (EUA)
Vanda Nunes de Viveiros - Livreira (Lisboa)
Nuno Fonseca – Escritor (Lisboa)
José Xavier Anjo de Sena Ezequiel - Cidadão nº 07194147, Redactor profissional (publicidade e imprensa), romancista e, sobretudo, leitor (Seixal)
Teresa Sá Couto - Professora (E. S. Fernando Lopes Graça) e analista literária
Joaquim Gonçalves – Livreiro, A das Artes (Sines)
Eurídice Gomes – Assistente Editorial (Lisboa)
Helena Girão Santos - Livreira, Livraria Fonte de Letras (Montemor-o-Novo)
Isabel Castanheira - Livreira, blogue «Cavacos das Caldas» (Caldas da Rainha)
Maria Alexandra Cunha Vieira - Arquivo Livraria (Leiria)
Marta Peixoto - Livreira, Livraria Capítulos Soltos, blogue «Os Livros Tristes» (Braga)
António Costa – Programador (Comissário Programação Cultural da Feira do Livro do Porto)
Nuno Medeiros – Sociólogo e professor (Setúbal)
Gonçalo Mira – Crítico Literário (Viseu)
Isabel Maria dos Santos Ramalhete - Livreira (Lisboa)
Inês Fialho Espada - Livreira (Oeiras)
Cristina Rodriguez - Tradutora (Seixal)
Artur Guerra - Tradutor, professor bibliotecário (Seixal)
Isabel Mendes Ferreira – Escritora (Lisboa)
José Colaço Barreiros – Tradutor (Lisboa)
Francisco Belard – Jornalista (Lisboa)
Jaime Bulhosa – Livraria Pó dos Livros (Lisboa)
Viriato Teles – Jornalista e escritor (Lisboa)
Damião Medeiros - Gestor de projecto (Azeitão)
Hélia Sampaio - Bancária (Azeitão)
José Gonçalves - Vendedor (Almada)
Artur Goulart Melo Borges – Coordenador do Inventário artístico da Arquidiocese de Évora
Pedro Vieira - Ilustrador e criativo do Canal Q/Produções Fictícias (Lisboa)
Dina Silva - Professora do Ensino Secundário (Sines)
Célia Costa - Produtora Cultural (Lisboa)
Maria do Céu Pires - Professora (Estremoz)
Helena Carneiro – Estudante (Lisboa)
Ana Teixeira - Relações Públicas (Lisboa)
Samuel Velho - Livreiro (Lisboa)
António Figueira - Jurista (Lisboa)
José Moças – Editor, Tradisom Produções Culturais (Vila Verde)
Antero Braga – Livreiro, Prólogo / Lello (Porto)
Urbano Bettencourt – Professor e escritor (Universidade dos Açores – Ponta Delgada)
Emanuel Amorim – Jornalista (Lisboa)
Bruno Malheiros - Livreiro, Livraria Capítulos Soltos (Braga)
João Cardoso – Livreiro (Parede)
José Agostinho Baptista - Poeta (Lisboa)
José Tolentino Mendonça – Poeta (Lisboa)
Hugo Miguel Costa - Livreiro, blogues «O silêncio dos livros» e «O café dos loucos» (Portimão)
Ana Júlia Medeiros da Silva - Técnica Superior de Gestão Documental (Setúbal)
Sandra Simões - Livreira, Letraria (Algés)
Livreira Anarquista - Livreira Interdimensional
Adelino Abrantes - Vendedor (Lisboa)
Maria de Lurdes Guerra – Professora (Seixal)
Manuel Rosa – Editora Assírio & Alvim (Lisboa)
Carol Vanessa Carvalho – A Benda (Viana do Castelo)
Olegário Paz - Professor reformado e ensaísta (Amadora)
Carolina Freitas - Jornalista (Lisboa)
Paula Carvalho - relações públicas (Marinha Grande)
Carla Major - Dharma Livraria (Mem-Martins, Sintra)
Bruno Monteiro - BI nº 11885977, blogue «Ainda que os Amantes se Percam (Pinhel)
Lídia Salvador Silva - Física (Lisboa)
Carlos Meirinho Carrilho Rito - Paulinas Editora (Lisboa)
Bruno Antunes - Livreiro, AL - Antunes Livreiros (Braga)
Amélia Pais - Professora aposentada e autora, blogue «Ao Longe os Barcos de Flores» (Leiria)
Teresa Cunha - Livreira, Salta Folhinhas (Porto)
{E a subscrição continua. Traga outros amigos também!}
http://encontrolivreiro.blogspot.com/

3
Durante o Festival Literário da Madeira, a correria foi tanta que não consegui visitar a Livraria Esperança, um daqueles locais que se encaixa sem dificuldade nesta categoria. Agora, aproveitando a passagem pela Madeira a propósito da Festa do Livro do Funchal, a Ana Nunes Cordeiro, da Agência Lusa, fez esta reportagem, cuja leitura se recomenda e que me fez querer voltar depressa, ignorando o medo de voar, para visitar, finalmente, a mítica livraria da Madeira.
http://cadeiraovoltaire.wordpress.com/2011/05/
4
No mundo dos livros estamos todos, do escritor ao leitor:
GENTES DO LIVRO!
5
O que se julga certo e certíssimo é que não só as autoridades a quem vai dirigida esta Carta Aberta não se admirem de que esta já apareça de início com tantos subscritores, mas que, conhecendo o caso, muitas, mesmo muitas mais pessoas, nos próximos dias…

Posso acreditar em que os amigos que visitam este meu blogue divulgarão, junto dos seus contactos de internet, e não só, esta festiva iniciativa?
A quantos desses meus amigos já fizeram a sua subscrição e a quantos a vierem a fazer vai daqui o meu BEM HAJAM!
M. Medeiros

«A VERA TRAGÉDIA DO HOMEM»–UMA RELEITURA OPORTUNA

Juro que não fui eu quem disse a Onésimo Teotónio Almeida estas palavras:
«Esse teu livro [é) dos que mais me interessaram».
- Livro em causa?
- «De Marx a Darwin – A Desconfiança das Ideologias»,

             clip_image002    Gradiva, Abril de 2009.

Juro que não fui eu quem as disse, mas também juro que sim, que me deram muito prazer e que as anotei e que aqui continuam anotadas a acompanhar a minha releitura deste livro que inicia, na edição portuguesa, a visibilidade indispensável e, por mim, já com atraso, da obra científica de O.T.A..

«É de grande dificuldade demarcar com nitidez a singularidade da obra de Onésimo Teotónio Almeida no panorama do pensamento português contemporâneo. Habitualmente, relembra-se o cronista cultural – espaço privilegiado da sua aparição nos órgãos de comunicação social – e, por vezes, o ficcionista (contista e dramaturgo), já que são estes os dois géneros mais evidentes da sua presença pública» (Miguel Real, O Pensamento Português Contemporâneo, IN-CM, pág. 966).

Posso entender «público» como antónimo não apenas de privado, mas também de académico? Porque no nosso mundo académico O.T.A. tem sempre dado o seu contributo de investigador tanto ou mais do que por esse mundo todo (todo ou quase…).

Felizmente que em Outubro de 2010 outro título de O.T.A. apareceu entre nós, O Peso do Hífen – Ensaios sobre a Experiência Luso-Americano, ICS, livro muito diferente, mas também na linha da vasta obra de investigação e pensamento deste destacado intelectual português da actualidade.
Há mais na calha?
Aqui, neste De Marx a Darwin, há uma promessa, mas para quando?

Estou a imaginar-me a fazer parte de um grupo de leitura que decidisse ler e discutir este livro «De Marx a Darwin»?
Proporia aos parceiros que, depois da primeira leitura, o relessem, pois seria uma pena entrarmos na discussão deste livro sem o reler (continuo a segurar o meu dito de que quem não releu, pouco leu).
E então sugeriria que relessem assim:
- «Conclusão» - págs.115-129;
- Em jeito de explicação ao leitor» - págs. 7-14;
- Capítulo 5 – págs. 89-114 (Não só pelo «vê-se logo que nunca andaste de avião!», no fim, com o João dos Ovos e o cónego Jeremias como personagens, mas por muito mais, muito mesmo, até citações como esta que é cá de um avanço no mundo dos saberes!:0s filósofos têm andado profundamente errados em quase todas as questões debaixo do sol nos últimos 200 anos. Nunca se deve fazer caso das respostas dos filósofos, mas deve-se dar atenção às suas questões – pág. 99. Aonde, só isto, nos podia levar?!)
- Depois ir baralhadamente acumulando actualíssimas problemáticas e «mundividências», sublinhando, por exemplo, as várias referências às posições hobbesianas sobre a miséria humana, tão consequentes com a linha da concepção judaico-cristã de que contemporaneamente Espinosa (1632-1677, Hobbes 1588-1679), o excomungado por todos, abjurou, mas não conseguindo vencer a adopção política dessa sentença do longevo e preponderante filósofo inglês: homo homini lupus.

O ponto em que isto já vai leva-me a concluir voltando à «Conclusão».
E agora comovidamente, porque a crença no homem sai revigorada, depois de…
Efectivamente, da mesma conversa também anotei, como excepcionais, mais estas palavras que para aqui me vêm fora do seu contexto:
« a vera tragédia do Homem».

Por favor, pois, abrir na pág. 128:
«Foi por isso que neste livro se incluiu um capítulo sobre a ignorância. A consciência dela deve, para os sábios, ditar normas de séria reserva perante a imensidão do que não sabemos, e pragmaticamente lançar-nos na construção daquilo que é possível e desejável, para que a nossa sociedade humana não exemplifique por muito mais séculos o homo homini lupus que Thomas Hobbes tão bem caracterizou. Darwin e os neo-darwinistas podem lembrar-nos a selva de onde viemos, mas não conseguirão nunca garantir-nos que temos de nela obrigatoriamente e, para sempre, viver».

Comove, ler isto!
A evolução do entendimento, em respeito pela inteligência e dignidade humanas, aponta para a «suprema alegria» de Espinosa.

Esse século novo, sem dualismos dos bons e dos maus separados apocalipticamente, não o vou ver, mas por esta citação chego a entrevê-lo.
Ele é que é o meu tempo. O tempo em que desde criança quis viver neste Mundo, insisto, aqui neste nosso Mundo.
Obrigado, portanto!
R. V.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

DESORDENS & ABUSOS joga em 11

- O que andas a fazer agora?
- Nada. Pode-se bem dizer que nada.
- É uma resposta autobiográfica?
- Se não me conhecesses acho que isso é que já não me perguntavas. Portanto, é de amigo. Mereces a verdade.

Nem biografia-auto nem biografia-altero. Apenas a tentativa de nos internarmos no jogo do «perguntarresposta-respostapergunta» em que nós, os animais interrogantes, sempre nos investimos.

Jogos do circo, jogos guerreiros medievais, jogos dos salões barrocos, jogos e mais jogos foram desaparecendo no buraco da História. O futebol por enquanto está em força, ao contrário do que prometeram os desalienantes vinte-e-cincos-de-abril. Mas até ele não se sabe se um dia… Ainda aqui há umas noites quem sonharia, por exemplo, que a força-jogatina dos bancos ia passar a correr-lhes pelas pernas abaixo?

- Quem sonharia?
Talvez algum perito em abrir minas e, no escuro delas, ir…
Que te parece?

- Queres que te diga? Isto enquanto as crianças vierem entrando, geração a geração, no jogo do «perguntarresposta-respostapergunta», nada está perdido. Mais cabeçada menos cabeçada dos que tudo sabem e tudo podem e vão tentando aguentar as coisas e até caírem têm mesmo que aguentar e nós infelizmente aguentá-los a eles, o jogo vai continuar e hão-de ir sempre nascendo boas respostas para perguntas bem jogadas.

-Mas, afinal, o que tens andado a fazer?
- Tinha que ser! Não te ias embora sem essa piada…
V.L.

domingo, 6 de novembro de 2011

SE, PORÉM, A RAZÃO FOR OUTRA…

Terás as tuas razões para apreciar ou depreciar e usarás os adjectivos em conformidade.
Se, porém, a razão for outra, a verdadeira razão que justifica o que ouves ou vês ou se faz ou acontece…

Podes pensar, mas peço que não mo digas, que esta é uma conversa tola.
Não quero contradizer-te se assim pensares, mas também não seria belo concordar e continuar. 

Se, porém, a razão for outra, repito, em que é que isso altera o que se ouviu ou viu ou fez ou aconteceu? 
Não é que, em ordem ao melhor futuro das nossas coisas, não seja bom e necessário discutirmos. Mas isso obriga é a andar virado para a frente.

Além de pensares que esta é uma conversa tola, podes também estar para aí com uma tua razão explicativa do porque foi que me deu para ela. Se, porém, a razão for outra…
R. V.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

POR AMOR À ARTE - II

«Um livreiro não vende livros!
Um livreiro vende muito mais,
numa caixa chamada livro».

Eu volto, espero voltar, ao texto aonde fui por estas palavras, melhor dito, por esta bandeira, a qual gostaria de ver à frente de um exército, como naquela estória de «O Decepado» da História de Portugal. Não para a algum alferes-mor lhe serem cortadas as mãos mas para que as Gentes do Livro se quisessem entender, ao menos aqueles que estão nisto, antes de mais, por amor à arte. Ou é melhor perder as mãos vencidas já que continuamos sem nos unirmos? No Congresso do Livro também coube um apelo a darmos as mãos… Mas como, se…?! 


Se lá não foi ainda, ao ISTO NÃO FICA ASSIM, pode ir agora. Não estou a recomendar, estou a pedir. Foi de lá que as trouxe, a estas palavras, e para lá devem regressar...         
http://encontrolivreiro.blogspot.com/
L. V.

QUANTAS HORAS REAIS TÊEM OS TEUS DIAS?

Houve um longo tempo em que os meus dias para além de me darem entre doze e dezoito horas de trabalho («E comer»? Sempre deu para os mínimos quotidianos da minha magreza e os máximos excepcionais da mesma, bem aproveitados para uns «vamos a isso»)…
Houve esse tempo em que os dias até me permitiam, nas boas suficientes horas de sono reparador, descobrir as soluções certas e acertadas para aplicar aos problemas que ia ter pela frente no meu trabalho…
As minhas horas foram minguando. Cada vez mais longe daquela ilusão de os dias se deixarem dividir em vinte e quatro horas...
Nos primeiros tempos do meu tempo antigo tinha já percebido que o tempo das galinhas a esgaravatar não era igual todos os dias. As estações do sol-a-fugir davam-lhe descanso às unhas. «Deitar com as galinhas» vem daí, penso eu.
Quantas horas reais têm os teus dias? Às minhas não são as estações que as devoram como julgo que ainda fazem às galinhas do campo… 
Não, pois não? Não vais querer, estou em crer, que te conte donde me vem que actualmente me fiquem para mim tão poucas horas de cada dia, quando até parece que finalmente tenho algum e muito  tempo só por minha conta como já não tinha desde que entrei para a primeira classe…
Nem contigo nem comigo, como sempre fiz, posso agora comprometer-me em chegar a isto ou aquilo. Com tanto que queria ainda fazer, ver, talvez até dizer…
O que me vale? Tu e os nossos muitos amigos!
Vale-me esta onda de maravilhas e/ou desafios que me animam a deixar andar as horas que o diabo me vai levando e a aproveitar com euforia, galhardia e alegria as que vão ficando. Vais ver!
É para veres tu, e todos quantos aqui vêm, como os amigos podem compensar este desgosto de sentirmos as horas tão minguadas para o que se sonhava e sonha fazer… 
Uma prenda que acabo de receber do lado de lá. Talvez prefiras que não diga que veio, sim, do lado de lá, mas através do teu sul…
http://blogdoims.uol.com.br/ims/consideracao-do-poema-leituras-de-drummond/
R. V.