terça-feira, 10 de janeiro de 2012

QUE MUNDO É O SEU?

ver morrer um livro
H. G. Cancela, De Re Rustica, Edições Afrontamento, 2011
http://machadoalbertocarlos.wordpress.com/category/literatura-literatura/h-g-cancela/                http://contramundumcritica.blogspot.com/search?q=rustica

(em causa própria)
passei o verão e o outono a assistir à morte de um livro. demorou mais de sete anos a estar terminado, morreu no espaço de duas estações.

editado, os volume foram distribuídos, sumariamente expostos, e rapidamente devolvidos à editora. da imprensa, nem os quatro parágrafos do espaço editorial dos dois ou três lugares da divulgação e da crítica instituída.

o bom senso e a crença na própria ideia de crítica dizem-nos que, se de forma tão unânime um livro cai no espaço dúbio do infra-criticável, é provável que o mereça. neste caso, duvido convictamente.

é um romance duro, provavelmente difícil, mas de uma espessura pouco comum, tanto em termos de escrita como de narrativa.

morreu antes de ter adquirido existência enquanto coisa pública (e, afinal, é apenas esse o sentido da publicação de um livro). nem sequer é legítima a pretensão ingénua de que o tempo e a história o poderiam reabilitar. raramente os romances são objecto de recuperação história, e mais raramente ainda o são pelos leitores. estará morto, portanto.

* SÓ UMA NOTA:
O Livreiro Velho vem pedir a algum perito no tema que lhe traduza este post no que ele tem de relação com o tempo de vida que as livrarias independentes podem ou não podem permitir a um livro.

Talvez por aqui se fique perto de um dos problemas curiosos com que, no Mundo do Livro, todos se debatem,  sem que ninguém dê um passo para , sequer, o entender, muito menos para que se lhe encontre solução.

«Todos se debatem», de um ou outro modo: do escritor ao leitor.
Se alguém disser que não, antes de mais será preciso perguntar-lhe: que mundo é o seu?
L. V.

1 comentário:

  1. Eu não sou perito no assunto mas posso testemunhar que não se trata de um caso isolado. Muito antes, pelo contrário. Acontece a muita gente e cada vez mais. Eu próprio publiquei um livro três livros de ensaios nos últimos anos e o silêncio foi quase total.
    No entanto também pergunto se as pessoas que se queixam do silêncio sobre os seus livros se dão ao trabalho de ler os livros de outros e de escrever sobre eles.

    onésimo

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