quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

25 anos-25 anos-25 anos-25 anos-25 anos-25 anos-25 anos-25 anos ZECA AFONSO: 1987 - 2012, 23 de FEVEREIRO



ENTÃO,

NÃO FALTOU… 
 
HOJE,
FAZ-NOS FALTA…

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Estou falando em honradez
Que não é conceito novo
Só é um bom português
Quem vive ao lado do povo

Quando uma lancha se afunda
Nunca a culpa é do patrão
É sempre de quem se amola
Lá no fundo do porão

Esta terra será nossa
Quando houver revolução

(José Afonso, Textos e Canções, «Quadras Populares»,
Relógio d’Água, 2000, pág.s 326 e 332)


Fotobiografias do Século XX - José Afonso 
«O que faz falta é
avisar a malta

animar a malta

empurrar a malta

agitar a malta

libertar a malta

dar poder à malta
O que faz falta

O que faz falta

O que faz falta»

Zeca Afonso e a Malta das Cantigas >, José Jorge Letria  (Terramar, 2002)





















Se um amigo ou conhecido me perguntar
porque aqui tinha hoje de aparecer com este post, talvez lhe deva responder perguntando:
Como seria possível deixar de lembrar hoje o que foi para todos nós há vinte e cinco anos um tão grande sentimento de perda?
Em 1970 José Afonso era em Setúbal uma referência cultural tanto como uma referência viva a testemunhar a perseguição do regime a quem contra o regime se rebelasse. E assim como foi inevitável encontrar a sua actividade no Círculo Cultural de Setúbal, natural foi que os seus interesses o trouxessem ao contacto de quem passou a encontrar na Galeria de Exposição e Divulgação Cultural – CULDEX, antecessora da posterior Livraria Culsete.
Depois veio Abril e Zeca Afonso fez História, crente como não podia deixar de ser, num novo Portugal.
Com os anos, a desilusão veio, mas não a desistência. Por isso, muito por isso, a verdade dos seus cantos, poemas e canções, deverá voltar em som que alto se ouça:
«Este chulismo de quintarola
Esta viagem p’rá CÊÉÉ
E o populacho todo pachola
Olarilolé

Muitos mais chulos nos vão rondando
Vai sendo tempo qu’rido zarolho
Pega no arrocho de quando em quando
Prepara o molho»

(Ibidem, Textos, pág. 142).

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José Afonso - Os Vampiros (ao vivo no Coliseu)
(com um agradecimento a José Eduardo Rebelo –Youtube)
Quis voltar a ouvir Zeca Afonso, no seu último concerto, em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu: 
«onde é que estão as novas gerações?» –perguntou.


Nos últimos quarenta anos, nunca, nem antes nem depois desse Fevereiro de 1987, Setúbal assistiu, em meu ver, a uma manifestação de pesar e homenagem como o do funeral de Zeca Afonso. Pessoas de Setúbal, de Portugal inteiro, também de além fronteiras.
Há 25 anos…
Parece que foi ontem…
L. V.


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