domingo, 26 de fevereiro de 2012

288 páginas numeradas e mais 48 no fim, só com preciosa iconografia, contam muito de Setúbal até ao 28 de Maio


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Este livreiro velho está tão velho que…!
O que lhe custou, ontem à tarde, dominar o desejo de estar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal!…
Foi ontem, a sessão de apresentação do livro História e Cronologia de Setúbal 1248 – 1926, da autoria de Albérico Afonso Costa, coedição da responsabilidade da Estuário, editora de José Teófilo Duarte, e do IPS-ESE.
Começando pela minha pena de não participar nesta sessão, não posso deixar de entender, num a seguir, a pouca sorte de quem não se apercebeu de tão significativo acontecimento. Histórico para Setúbal, este acontecimento! Nem menos! E a quem me disser que estou exagerando vou pedir licença para contar algumas das dificuldades de um querer sentir-me em Setúbal como quem aqui vive e não apenas cá está alojado.
Esta velha situação da «Setúbal, cidade secreta» que aqui vim encontrar (Cf. Papel a Mais, pág. 303), é uma desgraça para a cidade, mas também uma enorme desgraça para quem se radicou em Setúbal e nunca se dispôs a «viver» nesta cidade. Bem pior, se nem o sente…

Em quarenta anos de histórias, muitas histórias…
1
Estava ainda em construção o prédio, mas já a loja do lado direito estava apalavrada para a livraria que sempre foi, antes a Culdex e depois a Culsete…
Na primeira vez que vim cá para ver o espaço de uma livraria que teria de organizar e dirigir perguntei o que significava a data de 22 de Dezembro já que estava na Avenida 22 de Dezembro. Alguém sabia?
Procurei, algum tempo depois, a placa que há ao fim da artéria e tive sorte: em 22 de Dezembro de 1926  foi elevada a capital de distrito a cidade de Setúbal.
Posso abrir um parentesis? Para dizer que Dezembro de 1926 já não é data registada nesta cronologia. Foi decidido que não ultrapassasse o 28 de Maio. Daí para a frente? Em breve? Para dizer que o desejamos, pedimos e esperamos… 
2
Já depois de residir cá para baixo é que Bulhão Pato no seu Sob os Ciprestes me disse que batalha tinha sido aquela que deu para Rua Batalha do Viso. Quando morava na Roboreda, todos os dias tinha a tabuleta diante dos olhos, mas aí…
Em Bulhão Pato, muito sucinta, a notícia. Só recentemente é que por obséquio de António Cunha Bento e seus meritórios empenhos e dedicação a tudo o que à cidade bibliograficamente diga respeito, é que pude ler Almeida Carvalho, testemunha ocular da batalha referida por Albérico Afonso Costa na pág. 118: «1847 - 9 de Abril (...) 15 de Junho».
3
O Convento de Brancanes e…
Esta é uma história de que, à excepção da obra Literatos Açorianos de Urbano Mendonça Dias, as histórias da literatura pouco dizem. Não me vou pôr a adivinhar, mas quem pergunta não ofende:
Será que o célebre tio de Almeida Garrett também foi mestre do pré-romântico Manuel Maria Barbosa du Bocage?
Era muito novo, o Frei Alexandre, quando veio ensinar para Setúbal. E apesar de ter sido sagrado bispo muito antes, continuou por cá até velho, quando foi para bispo de Angra e foi mestre do seu jovem sobrinho. 
 
Concluindo, fico-me por estas três histórias.
Vou esquecer-me das outras, tantas e mais que tantas?
A memória tem dessas coisas…
E com a idade, já se sabe… 

«1761, 11 de Junho Frei Alexandre da Sagrada Família entra (…)» (pág. 79). 
Não sabia. Aqui está mais um pormenor que não sabia. Aprendi agora. Tudo o que diga respeito a esta eminente personagem açoriana e setubalense, muito me interessa. Obrigado por isso e pelo muito mais, Albérico Afonso Costa.
Obrigado por este livro indispensável a todos os cidadãos de Setúbal que se respeitam a si próprios como nossos concidadãos.

Agora mesmo voltei a ler, no prefácio:
«Esta cronologia não se destina unicamente aos estudantes e professores (…). Ela é produzida a pensar também nos setubalenses que tão pouco sabem do passado distante, e mesmo próximo, deste espaço em que habitam».

Para o velho livreiro é um enorme prazer ver entrar na livraria, à procura deste livro, as pessoas que se prezam de querer saber mais da nossa cidade.
Honra lhes seja!
L. V.

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